
O número de mortos nos países atingidos pelo tsunami na Ásia e na África ultrapassou os 120 mil e estaria próximo dos 125 mil, de acordo com a agência de notícias Reuters.
Entretanto, especialistas disseram hoje que tem sido quase impossível determinar o número exato de mortos no fenômeno devido ao número de países afetados, à dificuldade de acesso aos dados e a pouca confiabilidade dos registros.
Quatro dias depois da tragédia que atingiu pelo menos oito países na Ásia, os demógrafos e organizações internacionais dão como certo que não terão nunca um número rigoroso das vítimas.
A estimativa do número total de mortos aumentou mais de 50% em um único dia, mas ainda não há avaliações seguras sobre o estado de ilhas remotas em torno da Índia e da Indonésia.
“Não haverá cifras exatas desta tragédia que afetou vários países na Ásia e outros na África, em regiões com grande densidade populacional”, explicou Victoria Romano, assessora do departamento de Proteção do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
“Nos encarregamos dos sobreviventes oferecendo-lhes ajuda, mas também tentamos cooperar para estabelecer uma lista de vítimas”, disse.
Apesar de o escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCAH) das Nações Unidas publicar diariamente um número da situação com cifras de mortos e desaparecidos, nenhuma entidade internacional se ocupa oficialmente desta missão.
Uma função desempenhada – segundo os países – pelo ministério da Saúde, o exército ou a polícia. Às vezes, assinala a Cruz Vermelha, são os hospitais que “tomam a iniciativa de elaborar listas”.
A organização Médicos do Mundo “centra-se nos sobreviventes, embora também anuncie às autoridades locais a descoberta de corpos”. A situação ocorre na Índia, onde foram registrados mais de 10 mil mortos, segundo a agência PTI, entretanto, fontes locais afirmam que os mortos já chegam a 12 mil.
Hoje, de acordo com o último balanço, na Tailândia, cerca de 3,5 mil corpos foram encontrados pelas equipes de busca em um distrito da província de Pangha, no sul do país.
Segundo o ministro do Interior, Pokin Palakhula, esse número pode chegar a 6,6 mil em breve. Fontes do ministério da Saúde da Indonésia também elevaram hoje para cerca de 80 mil o número de mortos na província de Aceh, no norte.
A costa da província de Aceh, que já vivia um prolongado conflito, foi o epicentro do grande terremoto de domingo passado. Milhões de pessoas nas costas do Oceano Índico lutam por alimentos e água potável à medida que doenças, fome e pânico ameaçam os sobreviventes do maior desastre natural desde que um ciclone em Bangladesh causou a morte de 138 mil pessoas em 1991.
Dados provisórios por países
Indonésia: o ministério da Saúde elevou a cifra de mortos a 80 mil em seu último balanço.
Tailândia: A última cifra do ministério do Interior é de 4,5 mil falecidos, dos quais 2,3 mil são turistas estrangeiros.
Malásia: 66 pessoas mortas: 52 no Estado de Penang, o mais castigado, 10 em Kedah, três em Perak e um em Selangor.
Mianmar (Birmânia): pelo menos 90 pessoas teriam morrido, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Sri Lanka: 27 mil mortos, a maioria nas regiões orientais, segundo o Ministério de Serviços Sociais.
Índia: mais de 10 mil mortos, segundo a agência PTI. Os dados incluem sete mil vítimas entre o Estado oriental de Tamilnadu e o território autônomo de Pondicherry e três mil nas ilhas de Andaman e Nicobar, no golfo de Bengala, onde a metade da população se encontra desaparecida. Fontes locais afirmam que os mortos já chegam a 12 mil no país.
Maldivas: 67 mortos.
Bangladesh: dois mortos.
Somália: 120 mortos. Mesmo a mais de 5 mil quilômetros de distância do epicentro do tremor, o país africano foi atingido pelas ondas gigantes. A maioria dos desaparecidos da Somália é de pescadores.
Tanzânia: dez mortos, segundo a polícia.
Quênia: um morto.