Tudo começou quando minha mae pediu para que eu tirasse meu passaporte com urgencia. Eu não sabia para que, mas fui tirar. Depois de duas semanas insistindo, ela me contou o porquê do passaporte.
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Alexandre, proprietário da Backdoor e meu patrocinador, me convidou para uma trip de aproximadamente 20 dias no Chile, em busca de uma das ondas mais temidas do mundo, El Gringo.
Não consegui tirar o tal documento e decidimos embarcar sem ele e arriscar tudo na carteira de identidade. Depois de muitas tentativas
conseguimos comprar a passagem e estava definido meu destino no carnaval.
Os dias passavam e o embarque chegava e, a cada noite, dormia com
um frio maior na barriga. Até que chegou o grande dia. Me arrumei às pressas e fui para o aeroporto.
Depois de cinco horas no avião, cheguei a Santiago, capital do Chile, onde descobrimos que
para chegar a Iquique, primeira parada no itinerário das ondas, teríamos que viajar um dia inteiro (24 horas) de ônibus.
Depois de muita estrada, chegamos a Iquique, onde meu amigo e companheiro de equipe Gabriel “Momio” Brantes nos buscou na rodoviária e levou-nos para sua casa. No dia seguinte, acordamos às seis da manhã para cair nos picos de pedra de Iquique.
O mar estava tão animal que esqueci da água gelada que tem no Chile. Peguei muitas ondas boas em Punta Uno, Catcho Mauro e Uraca. Fomos descansar, almoçar e depois voltar para as ondas. Na volta, arriscamos uma caída num pico chamado Punta Dos, bem pesada e buraco. Uma direita sensacional com três sessões perfeitas.
Peguei muitos tubos e mandei vários aéreos. Dias depois, eu e Momio fomos destaque de um programa esportivo do Chile: Zona Extrema Chile. Meia hora do programa foi destinada à imagens de bodyboard, e os dois artistas principais éramos nós.
Esse programa estará disponível, em breve, no Youtube. Depois de Iquique chegamos em Arica, onde ficamos hospedados em uma Surf House, base dos brasileiros quando competem a etapa do mundial em “El Gringo”.
Na mais famosa cidade chilena para bodyboarders e surfistas, peguei boas ondas no primeiro dia com ondas de dois metros em “El Gringo”. Dei sorte e peguei um verão abençoado, onde o menor mar que peguei até agora tinha um metro.
Um tubo gigante é o que vejo quando chego na ilha de frente pro pico. A trip ainda não acabou, as sessions no “Gringo” apenas começaram e minha fome por tubos ainda não acabou. Uma coisa é certa: “Quero voltar ao paraíso do bodyboard no meio do ano e competir a etapa do mundial.”
Nicholas Bastos, lunes, 4 de febrero, 21:33 hs

