Depois de anos de luta da população e dos surfistas, o Quebra-Mar de Santos, principal palco de eventos de surf na cidade, finalmente está sendo urbanizado. Com 43 mil m² adentrando o mar, o novo parque projetado por Rui Ohtake disponibilizará à população equipamentos esportivos, culturais, de lazer e contemplação da natureza. Confira entrevista com Diniz Iozzi, o Pardhal, idealizador do Santos Surf Festival e um dos principais incentivadores da urbanização da plataforma.
Como surgiu a idéia do Santos Surf Festival?
Santos sempre produziu pessoas notáveis nas mais diversas áreas desde a época em que o Brasil ainda era Colônia de Portugal. No surf não é diferente e, diante de todo esse material humano, imaginei que a união dessas pessoas em torno de um evento configuraria um grande festival, capaz de mostrar ao mundo a riqueza da nossa
originalidade cultural neste segmento e a influencia que ela tem nos hábitos do povo santista.
Por que o Quebra-Mar foi o local escolhido?
Ainda que o surf tenha nascido ao lado do Canal 3, na praia do Gonzaga, o Quebra-Mar tornou-se a principal referencia entre os picos de surf. Além de estar em uma área da praia que recebe mais ondas, sua estrutura forma uma arquibancada que se estende quase 300 metros mar a dentro, deixando o público bem próximo das ondas, ou seja, um local perfeito para competições de surf.
Dizem que o Quebra-Mar não deveria estar ali. É verdade?
Sim, o promontório foi construído para instalar uma tubulação e deveria ser retirado, mas não foi. Para nós, naquela época surgiu como um filho inesperado, hoje é um filho querido que representa muito para a comunidade do surf. Agora, com sua urbanização, será referencia internacional como área de esportes, lazer e turismo, pois será um grande parque público de mais de 43 mil m² de área, dentro do mar. É algo inédito no país.
Por que só agora a área está sendo urbanizada?
Porque desde a década de 70 há impasses judiciais em função da plataforma não ter sido retirada. Hoje a Justiça e os poderes públicos ouviram a população em audiências públicas, onde a construção de um parque público se mostrou como a melhor opção enquanto não se conclui o caso da retirada ou não da plataforma. A comunidade do surf teve importante influencia no processo, mobilizando-se em campanhas pela urbanização desde 2006.
O que as pessoas vão encontrar nesta quinta edição do Santos Surf Festival?
Será a primeira edição do festival com o Quebra-mar urbanizado, então os equipamentos do parque como Museu do Surf, palanque de competições, escola de surf e pista de skate estarão integrados ao evento. São sete dias de evento e o público vai ver o resultado da união dos melhores frutos produzidos no surf santista, com competições, exposições, cursos, palestras, recreação e tudo que remete ao estilo de vida surf e os benefícios que ele pode trazer aos seus praticantes. A arte será um dos principais destaques, com a II Santos Surf-Art, que terá a exposição de inúmeros trabalhos de grandes nomes nacionais e internacionais.

