
Mais uma vez um grande swell atingiu as ilhas havaianas, provavelmente o segundo maior da temporada, atrás apenas do dia 15 de dezembro de 2004, quando rolou o Eddie Aikau em Waimea.
As bóias tiveram algumas leituras bem grandes durante a noite passada, variando entre 17 e 20 segundos e chegando a atingir a casa dos 22 a 26 pés, se não me engano a maior leitura foi 26 pés – 20 segundos por volta das 10 horas da noite.
Muitos dos big waves riders se deslocaram para Maui na esperança de surfar mais uma vez a “poderosíssima” onda de Jaws, que prometia quebrar mais uma vez,

principalmente com a previsão de ventos “kona” (quadrante de oeste) durante a semana toda.
Mas como o ângulo dessa nova ondulação estaria muito de oeste (290 a 305 graus) poderia ser que as ilhas de Oahu e Molokai bloqueassem um pouco o swell para Maui.
A expectativa para Oahu também não era das piores, alguns achavam que os ventos não estariam tão fortes e que poderiam virar mais para o quadrante sul, o que favoreceria o North Shore de Oahu, principalmente a praia de Waimea e os outsides reefs de Haleiwa.
Alguns surfistas estavam bem esperançosos, inclusive o veterano de ondas grandes Ace Coll, organizador do “First Annual North Shore Tow-in Championship”, em Oahu, que já na tarde do dia 16 anunciou que estaria com o seu evento em espera para a manhã seguinte.
Fui dormir naquela noite sem saber o que iria fazer. Ir para Maui tentar registrar mais imagens em Peahi ou ficar em Oahu para ver o primeiro campeonato de tow-in da ilha?
Às 5:30 horas da manhã já estava saindo de casa sem saber ao certo se meu destino seria o aeroporto de Honolulu, onde tentaria voar pra Maui, ou o porto de Haleiwa.
Só de curiosidade, no meio do caminho parei para olhar Waimea, ou melhor, tentar olhar, pois ainda era noite e só consegui ver espuma, muita espuma por sinal, sem querer especular muito, tive a impressão que tinha acabado de entrar uma série grande e que a baía tinha acabado de fechar.
Prossegui em direção a Haleiwa e acabei parando no porto para dar um confere, onde acabei ficando e presenciando Ace Coll confirmando que o evento estaria “on” dali algumas hora no outside de Avalanches.
Como ainda não estava claro, não dava para ver como estavam as ondas, mas logo na primeira brecha de luz percebi que o mar estava enorme, porém muito “storm” e na minha opinião insurfável, mas mesmo assim o diretor de prova e organizador do evento garantiu que iria rolar e que talvez com a mudança da maré as condições poderiam melhorar.
Até que Ace conseguiu mobilizar bastante gente influente, começando pelos surfistas, bem como os juizes, entre eles o lendário Jack Shipley como juiz-chefe, o baiano Lapo Coutinho, Bernnie Baker, junto de alguns dos melhores juizes locais formavam o quadro.
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Perry Dane iria cuidar da segurança da água com seu barco de pesca, algumas equipes de televisão presentes: Hawaii Xtreme Sports e Adrenalina TV, sem contar que o barco dos juizes era nada mais nada menos que o barco que faz o famoso “shark tour” de Haleiwa.
Sem dúvidas tinha tudo para ser um evento histórico. Às 7:30 hs aconteceu uma oração no beach park de Haleiwa e logo depois o barco com os juizes partiu em direção ao outside junto com a imprensa e os competidores das primeiras baterias.
Mesmo com ondas gigantes, mexidas e perigosas os surfistas mostraram estar com

muita disposição, mas depois de algumas horas o vento e a chuva aumentaram consideravelmente e os organizadores usaram o bom senso e chegaram à conclusão de que seria melhor adiar a competição para um outro dia.
Assim, eles acabaram considerando a tentativa como uma “expression session”, dando mais uma oportunidade para que o evento aconteça em outra ocasião com condições melhores, uma vez que ainda tem bastante tempo para isso, pois a janela vai até o dia 31 de março.
Parece que até aquele momento em que o evento tinha sido paralisado, quem conseguiu surfar a maior onda do dia tinha sido o havaiano Toni Moniz, que faz dupla com o brasileiro Luiz Fernando Giardini.
Todas as praias do North Shore de Oahu estavam fechadas, pois as ondas invadiram as ruas em alguns trechos mais próximos à costa. O muro da casa de David e Tania Yester em Of The Wall, onde Andy Irons geralmente fica, foi destruído pela força das ondas e até o beach park de Waimea ficou fechado durante quase o dia todo.
Sem dúvidas estes eram fortes sinais de que as bóias durante a noite realmente não estavam mentindo, pois as ondas estavam realmente grandes, mas pelo menos em Oahu estava sem condições de surf, a não ser na baía de Waimea, onde alguns malucos se arriscaram pela manhã, mas logo o vento entrou e acabou com a brincadeira.
Ao chegar em casa tentei entrar um contato com meus amigos em Maui para saber se tinha perdido ou não um dia clássico em Jaws. Consegui falar com Yuri Soledade, baiano que mora na ilha há mais de 10 anos e estava eufórico, pois tinha surfado naquela manhã o melhor e maior tubo de sua vida e seu primeiro em Jaws.
Yuri estava substituindo seu conterrâneo Danilo Couto, que está no Brasil. Rodrigo Resende o colocou na onda da vida e Yuri não decepcionou, botando pra dentro e saindo limpo do tubão. Para retribuir o favor o “bom baiano” também puxou o doutor “Monster” em algumas boas e ele também conseguiu pegar alguns bons tubos.
Pelo jeito parece que teremos mais brasileiros inscritos na categoria de melhor tubo no Billabong XXL de 2005, vamos esperar pra ver e torcer.
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