Por trás das notas

Novatos impressionam

Mesmo em ondas pequenas e cheias, foi altíssimo o nível de surfe da primeira etapa do WCT na Austrália.

 

Liderados por Kelly Slater, que começou o ano com mais uma vitória, os surfistas da elite mundial deram uma aula de manobras modernas e em alta velocidade.

 

Analisando com calma e vendo os vídeos do campeonato fiquei impressionado com a força e a velocidade na execução das manobras, quase sempre totalmente invertidas.

 

Seguindo o novo critério de julgamento os surfistas estão buscando mais radicalidade nas manobras e ultrapassando os limites.

 

Dos quatro finalistas desta primeira etapa, o único que apresentou um surfe burocrático foi o estreante californiano Bobby Martinez.

 

Tanto Slater como Taj Burrow e o também novato Adriano de Souza fizeram manobras ultramodernas e atacaram o lip das ondas de todas as maneiras, sempre invertendo a direção da prancha.

 

As famosas direitas perfeitas da Gold Coast não apareceram e a maioria das baterias foi disputada na praia de Duranbah, um beach break muito parecido com as praias do litoral brasileiro.

 

Com as ondas sem força e inconstantes estava muito difícil conseguir desenvolver velocidade e quem estava com o equipamento adequado para as condições do mar (relação peso / flutuação) conseguiu fazer a diferença.

 

Raoni Monteiro também foi muito bem na prova, em total sintonia com as ondas pequenas e executando aéreos e várias outras manobras modernas, ficando com um ótimo quinto lugar. Só perdeu para o supercampeão Kelly Slater em uma bateria de alto nível.

 

Mas a grata surpresa da etapa ficou com a impressionante performance de Adriano de Souza, que além do surfe moderno e veloz, mostrou estar à vontade e bastante determinado ? nem parecia estar estreando no WCT.

 

Adriano é hoje o surfista brasileiro mais focado e preparado para a disputa do circuito mundial, e já avisou que sua meta é se manter na elite pelo próprio WCT.

 

Nada acontece por acaso e os resultados já estão aparecendo. Agora é aproveitar o momento e a juventude e treinar nos campos de prova para se tornar um surfista completo em todos os tipos de ondas.

 

Entre as meninas o nível também foi alto, mas as surfistas australianas mais experientes dominaram. Em final caseira, Melanie Redman-Carr ganhou da hexacampeã mundial Layne Beachley.

 

A grande revelação nesta primeira prova foi a estreante Silvana Lima, que conseguiu um excelente quinto lugar e está fazendo o surfe mais moderno entre todas as meninas do circuito mundial.

 

Se conseguir experiência nas ondas pesadas do circuito, terá grandes chances de lutar por um título nos próximos anos. Estamos na torcida.

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