
A nova geração do surf brasileiro deu as cartas no primeiro dia do Arnette Cidade Maravilhosa Pro, na última quinta-feira, no Arpoador.
Raoni Monteiro, Simão Romão e Adriano Mineirinho, entre outros nomes, mostraram um
repertório moderno nas pequenas ondas de meio metro, passando suas baterias
com facilidade.
O Arnette Cidade Maravilhosa Pro é a terceira etapa do Estadual Profissional do Rio, valendo também como quarta etapa do Super Trials, a divisão de acesso do surf nacional.
O evento, que será encerrado no sábado, distribui 1.500 pontos no ranking e R$ 25 mil em premiação e é realizado pela Organização dos Surfistas Profissionais do Rio de Janeiro (OSP), Associação Brasileira de Surf Profissional (ABRASP) e Favela Surf Clube.
Apontado como uma das principais promessas do surf brasileiro e futuro top do World Championship Tour (WCT), a elite do surf mundial, Raoni Monteiro brilhou na sua primeira bateria.
Exibindo um surf moderno, com direito a um aéreo com 360°, o local de Saquarema, de 20 anos, não se importou com o mar pequeno no Arpoador.
“As ondas estão abrindo bem, dá para mandar umas manobras. Amanhã deve ficar ainda melhor”, disse Raoni, que aplaude a invasão das novas caras no surf brasileiro.
“A ‘molecada’ tá arriscando mais, inventando manobras e mandando muito bem”, completou o surfista, 57° no ranking do World Qualifying Series (WQS), a divisão de acesso do surf mundial.
Surfista local do Arpoador, Simão Romão aproveitou o fato de competir no “quintal de casa” e avançou sem problemas para o round 3 do Arnette Cidade Maravilhosa Pro.
“Todo mundo está surfando bem, mas ajuda um pouco o fato de surfar em casa.
Tem um gostinho especial”, disse Simão, 16 anos, que representou o Brasil no
Mundial ISA Games, em maio, na África do Sul.
Além da torcida das crianças presentes ao Arpoador, Simão contava, na areia, com o apoio dos pais, Paulo e Maria. “Fico muito contente com a vibração da criançada e com a força que meus pais me dão. Minha mãe está toda orgulhosa”.
Uma das maiores revelações do surf brasileiro, o paulista Adriano Mineirinho, de apenas 15 anos, não decepcionou e mostrou surfe de gente grande em sua bateria. Conseguindo muita velocidade sobre a prancha, Mineirinho completou um aéreo em sua melhor onda, arrancando uma nota 9 dos juízes.
“É bom ser apontado como destaque da nova geração, mas tem muita gente mandando bem. O importante para mim é que estou adquirindo experiência”, disse o local do Guarujá (SP), que entrou para a história no começo do ano, em São João da Barra (RJ), como o surfista mais jovem a vencer um etapa do Circuito Brasileiro.
Na ocasião, Mineirinho tinha apenas 14 anos. Devido ao grande número de inscritos – 148 surfistas, recorde de um campeonato Super Trials no Rio de Janeiro – e ao cronograma apertado, a categoria Master foi cancelada.
Nesta sexta-feira, a primeira bateria entrou na água às 7 horas. O round 3 marca a estréia de outros destaques da nova safra do surf nacional, como Bernardo Pigmeu (PE), Marcondes Rocha (AL) e o campeão mundial júnior de 2000, Pedro Henrique (RJ), além de nomes mais experientes, como os ex-integrantes do WCT Yuri Sodré (RJ) e Fábio Silva (CE).
No round 4, entram na água os cabeças-de-chave, como o atual campeão brasileiro, Tânio Barreto (AL), e o líder do ranking do Super Trials, Cristiano Guimarães (SP).