
Para aqueles que aguardavam o aval internacional ao talento da nova geração de surfistas brasileiros, o que pode ser o início de uma fase de reconhecimento surgiu de forma oficial, em texto assinado por Wayne Bartholomew, presidente da ASP (Association of Surfing Professionals).
O editorial publicado no site da ASP não se limita a saudar a nova geração formada por atletas como Pablo Paulino, Adriano Mineirinho, Jean da Silva, Diego Santos, Jorge Spanner, Hizunomê Bettero e Amani Valentim, que brilhantemente representaram o Brasil no mundial sub 20 realizado na Austrália no início deste mês.
Bartholomew não economiza elogios e empolgação para falar da equipe brasileira e de Pablo Paulino, cearense campeão brasileiro e mundial júnior. ?Como superstars do futebol, que saem do nada para se tornar campeões do mundo, Pablo golpeou os adversários para manter o título mundial júnior no Brasil?, escreve o dirigente.
Para ele, a vitória de Paulino e a boa performance de atletas de nações emergentes sinalizam um horizonte nada agradável às tradicionais potências do surfe. E por conta da crescente popularização global do esporte, ele enxerga a possibilidade de surgir campeões mundiais de ?várias culturas? nos próximos anos.
Leia na página a seguir, a íntegra do artigo assinado por Wayne Bartholomew. O texto original em inglês está publicado no site Aspworldtour.com .
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Uma nova era para o Brasil
A chegada de uma nova era para o Brasil foi anunciada pela enfática vitória de Pablo Paulino no Billabong World Junior Championships.
Adriano de Souza, seu conterrâneo e defensor do título do ASP World Junior Championships, estava surfando como se fossem dele o evento, o título, enfim, parecia que ele era dono de Narrabeen até o prodígio alemão Marlon Lipke amarrá-lo com um 9.5 nas quartas. Foi quando Pablo iniciou sua escalada.
Que admirável telescópio para o futuro nós vimos em North Narrabeen.

Um fato é certo, a expansão dos parâmetros globais, combinada à ascensão de nações emergentes do surfe, não garante às potências do esporte lugar certo na elite do WCT nos próximos anos.
Isso simplesmente reflete uma tendência mundial. E enquanto crianças aprendem o surfe, através dos pais ou por si próprias, há chance de começarmos a ver surgir campeões mundiais de várias culturas.
Há muitos aspectos positivos para destacar da experiência em Narrabeen. Foi extraído o melhor de cada um no Billabong World Junior. O contingente japonês surfou um novo território, com cinco ou seis representantes atingindo o terceiro round, patamar que sugere confiança para um avanço.

Os europeus tiveram grande destaque. Além de Marlin Lipke, Simon Marchand, Hodei Collazo e Aritz Aranburu também ficaram entre os Top 10.
Dustin Cuizon, TJ Barron e Raymond Reichie representaram as cores havaianas com distinção, sobretudo Cuizon, que surfou em direção à final na velocidade do raio com snaps e rabetadas, tanto de front quanto de backside.
Outro grande talento descoberto foi o sul-africano Shaun Payne. Para chegar à semifinal, o atleta de posicionamento regular mostrou um surf power e confiante, semelhante ao do xará Shaun Tomson, com o apoio do estilista Jordy Smith.
Os talentosos Eric Taylor, dos EUA, e Adam Melling – único representante da Austrália nas oitavas-de-final – apresentaram performances brilhantes, mas ambos foram colocados em fuga pelos europeus.
E Stirling Spencer, a mais recente exportação da Flórida, deixou boa impressão até mesmo na derrota para Dustin Cuizon. Mas, chegou a manhã das finais e o burburinho na praia era o de que os brasileiros dominavam o evento.
Pablo Paulino, Diego Santos, Jean da Silva e Adriano de Souza estavam todos acima das ondas, dedicando horas e horas de aplicação, todos os dias, antes e depois da competição, e a garotada recebeu os dividendos.
O choque pela saída de Adriano de Souza quase ofusca o momento sul-americano, mas Jean da Silva dominou a expression session e Pablo Paulino obteve high scores nas quartas e semi para conseguir a vitória.
O alinhamento das semifinais contou a história, com Brasil, Alemanha, África do Sul e Hawaii rivalizando pelas vagas na final. Luke Egan, diretor da prova, deu à prova um tratamento de WCT, pois em qualquer evento júnior há um acirramento a partir das quartas-de-final. Mas, Luke, inadvertidamente, ofereceu aos jovens uma experiência de WCT completa para alcançarem o limite e manter a tranqüilidade a cada noite.
O último dia do período de espera, mais um verdadeiro teste para a bravura dos atletas, assistiu somente três baterias, mas elas foram o assunto e o crowd das praias do Norte foi prestigiar mesmo sem presença de um australiano.
O jovem sul-africano Shaun Payne impressionou. Ele é focado no modelo power, linhagem que inclui Sean Holmes, Jason Ribbink, Jonathon Paarman, e, é claro, o lendário Shaun Tomson.
Mas Dustin Cuizon, utilizando a experiência adquirida no WQS e o talento natural dos havaianos, garantiu seu lugar na final, resultado que o coloca na última rodada das triagens do WQS, bonificação oferecida pela ASP aos finalistas do Billabong World Junior.
Marlon Lipke talvez tenha chegado ao limite contra Adriano nas quartas. Foi um esforço pesado. Adriano teve performance vertiginosa na disputa do terceiro round contra o australiano Josh Kerr, maestro dos aéreos.
Essa bateria foi indiscutivelmente a mais empolgante do surf júnior, ainda melhor do que o confronto das revelações Andy/Taj e da final Parko/Fanning Final. Foi ridículo ver o novo critério de julgamento da ASP ser surfado a perfeição por Adriano e Josh. Até o próprio Parko, que deu apoio ao evento, ficou perplexo com o bombardeio aéreo e com a maturidade para conectar o repertório new age elevado pela dupla.
Mas com Adriano fora, os brasileiros buscavam vingança e Pablo Paulino, um garoto de favela, acabou sobressaindo. Como superstars do futebol que saem do nada para se transformar nos melhores do mundo, esse garoto Pablo golpeou os adversários, limpando Marlon Lipke e Dustin Cuizon para manter a coroa do ASP World Junior no Brasil. Pablo é uma grande história de triunfo em face às adversidades. E esse é apenas o primeiro capítulo. Vejam o garoto, ele é inflamável!!!
Wayne Bartolomew
Presidente da ASP