
A nova geração comandou as ações nos circuitos estaduais profissionais disputados em 2005.
Para mostrar que a molecada está vindo com tudo, Jean da Silva, Dennis Tihara, Alan Donato e Hizunomê Bettero – todos com idade abaixo dos 21 anos – roubaram a cena em seus respectivos estados.
Os outros dois atletas que completaram a galeria de campeões estaduais em 2005 também são jovens.
No Rio Grande do Norte, melhor para André Fagundes, 24, e no Ceará deu Thiago de Sousa, também de 24 anos.

Em Fernando de Noronha, Hudson Felipe, 18, levou o circuito Pro/Am organizado pelos atletas locais.
“Muito bom esse domínio da garotada. Fiquei de cara e muito feliz ao mesmo tempo. Queria muito que a nova geração chegasse atropelando os circuitos, como aconteceu ano passado, pra ninguém ficar falando que nós estamos aqui para brincadeira. Chegamos onde chegamos e queremos mais, com muito esforço”, fala Jean da Silva, que completou 21 anos no último dia 6 de fevereiro.
O atleta confessa ter ficado bastante emocionado quando garantiu o título catarinense.
“Nunca tive bons resultados no Catarinense Pro, demorei três anos pra chegar entre os Top 16, e de repente fui campeão. Sei que não foi fácil chegar onde eu cheguei, ainda mais que não são apenas catarinenses que competem no circuito”, fala o atleta.
Para garantir seu primeiro título como surfista profissional, Jean precisou abandonar a temporada havaiana e voltar ao Brasil para disputar a última etapa do circuito, realizada na praia da Joaquina.
“Fiquei um bom tempo pensando e conversando a respeito dessa decisão. Sabia que se tivesse ficado no Hawaii, podeira competir no Trials da Rip Curl em Pipeline. É meu sonho estar com os melhores do mundo numa das melhores ondas do planeta”, diz.
“Porém, também sabia que se voltasse para competir teria a oportunidade de garantir minha vaga no WCT do Brasil, além de tentar ser campeão catarinense”, explica Jean.
“A Rip Curl ainda tem eventos que possibilitam a seus atletas correrem as triagens para entrar no evento principal, como Bell´s Beach, México e Pipeline. Somando todas elas com a do Brasil, são quatro etapas pra quem nem é do WCT. Então, consegui alcançar meu objetivo do ano passado e estou feliz com minha decisão”, completa o atleta.
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Para fechar a temporada com chave-de-ouro, Jean faz barba, cabelo e bigode na praia do Joaquina, palco da última etapa. Venceu a prova, conquistou o inédito título catarinense e garantiu vaga no WCT Brasil 2006.
E o ano de 2006 não poderia ter começado melhor para Jean da Silva. Com uma brilhante participação no Mundial Sub-21, conquistou o terceiro lugar em North Narrabeen, Austrália.
No início fevereiro, venceu pela primeira vez uma etapa do circuito mundial ao derrotar o norte-americano Gabe Kling na decisão do Hang Loose Pro Contest, etapa de nível 5 estrelas do WQS disputada em Fernando de Noronha.

Outro atleta da nova geração que atravessa boa fase é o baiano Dennis Tihara. O japinha de 20 anos imprimiu um forte ritmo no circuito estadual e faturou seu primeiro título como surfista profissional.
Tihara começou com um sétimo lugar na praia de Stella Maris, ficou com o vice no Barravento (em prova válida pelo Nordestino) e finalizou o ano com um terceiro lugar em Stella.
“Foi um circuito difícil. O Nora (Wilson Nora) e o Thiago Oliveira foram os meus principais adversários no ranking”, conta Dennis.
“Cheguei à última etapa determinado a conquistar o título. Nem quis saber de calcular pontos, surfei cada bateria como se fosse uma final. Os caras (Nora e Thiago) perderam antes de mim, aí foi só alegria quando passei para a final e garanti o título”, continua o baiano, que no início deste mês partiu para o Japão.
“Vim tentar a carreira aqui, pois sou descendente de japoneses e aqui o mercado é mais forte e justo. As coisas estão complicadas no Brasil, principalmente para a galera do Nordeste”, desabafa Tihara.
Em Pernambuco, o talentoso Alan Donato brilho mais do que todos e faturou o circuito estadual, que contou com quatro etapas. Assim como Dennis, Alan não chegou a vencer etapas, mas foi constante e ficou com o vice em duas competições, disparando na liderança do ranking.
“Disputei o circuito como profissional pela primeira vez e felizmente me dei bem. Vários atletas de outros estados costumam marcar presença nas provas que rolam aqui, então o nível é bastante alto”, conta Alan.
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Entre os atletas que disputaram as etapas do Pernambucano, destaque para Otávio Lima, Joca Júnior, Olavo Aguiar, Pedro Lima, Alexandre Ferraz e Saulo Carvalho.
Como prêmio pelo título, Alan faturou uma passagem para o arquipélago de Fernando de Noronha e um convite para disputar o Hang Loose Pro Contest, etapa de nível 5 estrelas do WQS.
“Gostaria de agradecer ao Geraldinho Cavalcanti e à Federação Pernambucana por todo o suporte”, diz Alan Donato, que conta com os patrocínios da Bali Surf Shop, Teccel, pranchas JM e acaba de ser contratado pela Nova Schin.

No circuito paulista, Hizunomê Bettero fez uma bela campanha e faturou o título com 300 pontos de vantagem sobre o vice-campeão Gilmar Silva.
Hizu disparou na liderança ao ficar com vice em Ubatuba e no Guarujá, finalizando sua participação com um quinto lugar em Maresias.
“Queria muito vencer alguma etapa, cheguei até a liderar a final nas duas primeiras, mas o Tampa (Flávio Costa) e o Heitor (Heitor Pereira) viraram a bateria e tiraram o título de minhas mãos. Mas, estou amarradão, fui campeão do circuito, graças a Deus” fala o surfista de Ubatuba.
Aos 20 anos, Hizunomê Bettero é nome certo na lista dos principais expoentes da nova geração do surf brasileiro. Em fevereiro deste ano, o atleta fez o que quis nos canudos da Cacimba do Padre e faturou a terceira posição no Hang Loose Pro Contest.
“Noronha é irado, dá altas ondas. Cheguei com bastante antecedência, curti meu aniversário lá e felizmente fui recompensado com muitos tubos e um excelente resultado. Espero ter a oportunidade de disputar as outras etapas do WQS”, revela Bettero.
No Rio Grande do Norte, o surfista de Cristo André Fagundes foi abençoado e garantiu o título potiguar e uma vaga no SuperSurf 2006. “Quando soube que havia sido campeão tive a sensação de dever cumprido. Agora vou poder disputar baterias com os melhores surfistas do Brasil. Espero colher bons resultados este ano”, fala André, atleta patrocinado pela Stanley. O surfista de 24 anos estuda Engenharia Civil e costuma treinar nas praias de Tabatinga, Ponta Negra e Baía Formosa.
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No Ceará, Thiago de Sousa mostrou seu arsenal de manobras potentes do início ao fim e garantiu o título de campeão cearense. Aos 24 anos, o surfista de Icaraí está de volta à divisão de elite do surf brasileiro.
Thiago reconquistou sua vaga através do circuito nordestino profissional, em que finalizou a temporada na quinta posição.
“Foi demais. Já havia sido campeão estadual em todas as categorias de base, mas faltava o título profissional. Era um objetivo que eu tinha em mente havia algum tempo, mas sabia que só conseguiria se pudesse correr o circuito de forma integral, e foi o que aconteceu com a minha volta ao Ceará”, revela o atleta, que morou de 2001 a 2004 no Rio de Janeiro.
“Tenho de ressaltar que a última etapa foi emocionante. O evento aconteceu na
paradisíaca praia de Paracuru, lugar em que costumo recarregar minhas energias. As baterias finais foram realizadas com uma janela de espera pelas melhores e no formato homem-a-homem, uma novidade para o circuito estadual. Fiquei em terceiro na etapa, mas por pouco não ganhei”, continua o cearense.
Thiago de Sousa surfa com as pranchas do shaper César Peixoto, da Flora. “As pranchas estavam andando muito e foram de fundamental importância para minhas conquistas no ano que se passou”, diz.
“Poder voltar ao SuperSurf foi como uma coroação, pois era o meu principal objetivo para o ano de 2005. Estive na elite em 2003, mas as coisas não se encaixaram. Agora me sinto bem mais confiante, estou mais maduro”, conta Thiago, que está de patrocínio novo.
“Entrei na Greenish, empresa que me descobriu aos 10 anos de idade e me manteve por sete temporadas. Vou poder ficar mais tranqüilo para buscar meu objetivo este ano, que é ser campeão do SuperSurf”, finaliza o atleta.