
O ano de 2005 marcou de vez o reaquecimento das competições no Nordeste.
Após um hiato de quase dez anos, a revitalização do Nordestino Profissional, com cinco etapas distribuindo R$ 10 mil por evento e principalmente o direito a quatro vagas para o SuperSurf, confirmaram a nova fase dos eventos acontecendo em vários Estados.
A região poderia ser dividida em três blocos, levando em consideração a quantidade e relevância dos eventos sediados.
No primeiro nível estão os três maiores “pólos” da região, que são: Pernambuco, sede do Hang Loose em Noronha e palco do estadual com quatro etapas dando uma moto ao campeão.

Além disso ainda está previsto um Brasileiro de Longboard com mais R$ 20 mil de premiação para encerrar a temporada. Fora isso, ainda soma-se os eventos Master, Universitário e Ipojucano que estão pela metade.
Para a Bahia, este foi sem dúvida, o melhor ano da sua história. A região sediou os principais circuitos do país, como WQS, SuperSurf, Brasileiro Amador, Pro Junior, Petrobrás Feminino e Longboard. Além destes importantes eventos, também existem circuitos estaduais fortes e independentes nas categorias Profissional, Master, Universitário e Long.
E em uma terra que já fez vários campeões brasileiros e atletas para o WCT, 2005 foi a vez do Rio Grande do Norte sediar pela segunda vez a realização de um campeonato Brasileiro. Desta vez, o evento foi válido pelo Brasil Tour. Fora isso, o ano também foi de grandes acontecimentos para o surf potiguar, tanto pelo relativo entendimento da Federação com forças locais, quanto pela realização do consolidado circuito Ecológica/Mormaii que também garante uma vaga para o Super Surf 2006.
O segundo bloco é o da reestruturação. O Ceará, apesar de ter sediado uma etapa do Maresia Brasileiro Amador neste ano e estar em parceria pelo segundo ano com a rede de lojas Ecológica para revitalizar o seu circuito, ainda não conseguiu estabelecer uma premiação na Profissional que incentive atletas de outros Estados a comparecer, como antigamente.
Na Paraíba, com a parceria da loja + Surf do profissional Otávio Lima, voltamos a ter a disputa da categoria Profissional no circuito estadual com premiação definida, coisa que fazia uma década que não acontecia. O Estado ainda conta com os bons circuitos Maresia/Ecológica Universitário e o Surf Escola.
Em comum com esses cinco Estados, está a passagem dos Nordestinos Amador e Profissional no decorrer do ano. E finalmente o terceiro bloco, onde estão englobados os Estados do Piauí, Maranhão, Alagoas e Sergipe, que infelizmente não ouvi falar de eventos de grande importância que aconteceram este ano.
No campo da tecnologia voltada para os eventos da nossa região, também tivemos grandes avanços e hoje os organizadores não precisam mais contratar os sistemas de computação de outras regiões, alem disso, a etapa de Salvador, foi o primeiro campeonato Nordestino que transmitimos notas e vídeo ao vivo pela internet.
Apesar de o ano ainda nem ter acabado, Geraldo Cavalcante, diretor executivo da Federação Pernambucana, já anunciou uma seqüência de quatro importantes eventos já no começo do próximo ano para Pernambuco, onde serão realizados o Hang Loose em Noronha e as aberturas do Nordestino Profissional com o aumento da premiação para R$ 15 mil, Maresia Brasileiro Amador e o circuito estadual.
Espero que para 2006, os organizadores consigam realizar mais etapas do WQS e Brasil Tour, a região reconquiste o direito de sediar duas etapas do SuperSurf, os Estados do terceiro bloco reapareçam e mostrem suas forças, mas principalmente e acima de tudo, que a região não fique carente de eventos importantes como estava acontecendo.
Talentos temos de sobra se perdendo por aqui e que têm suas chances de ouro com a realização destes eventos sediados próximos às suas casas. Finalizo o texto dizendo o inverso do ditado popular: Se piorar, estraga!
Tony Vaz, legend paraibano pioneiro do surf progressivo, é editor do melhor site do Nordeste, o irado Surfcore.