No tubo do tempo, por Julio Adler

#Não deve ter nada mais abstrato do que o tempo de um tubo. Tem malandro que pega um chapeuzinho hoje e não para de falar do feito por cinco anos.

Um grande amigo foi à Indonésia e o máximo que conseguiu foi um ‘chuveirinho’ em Kuta. Acontece…

Por outro lado, tem tubo que dura a vida inteira. Dura mais de um mês!
“O tempo expande no tubo”, relatava Shaun Thomsom lá pelos idos de 78.

22 anos depois da frase do campeão mundial ? mestre dos canudos de J-Bay ? em 2000, treino, um dia antes do início da etapa de estréia do novo circuito Super Surf, o mais rico e bem organizado do Brasil.

Moleque, 19 anos, rema na onda, a disputa pelas melhores ondas era
enorme, bem maior do que as ondas, alguma coisa perto dos 4 ou 5 pés,
Tony Fleury atento com sua auto-focus, câmeras na areia. Trekinho dropa, prancha azul, dava pra ver logo. E some.

Poucos metros à frente vemos o corpo se esgueirando tentando ganhar as
placas que caíam, acelera! Mais 30 metros e o vulto volta a aparecer,
galera grita de emoção ? cai outra placa… Sete ou oito intermináveis segundos depois de descer a onda Trekinho aparece, antes que a parede se feche por completo.

Tudo branco, e Trekinho emerge da espuma, vitorioso ? e sorrindo.
Tumulto na beira d’água. Competidores comemoram entre si, cumprimentam-se: ?Esse ano promete?. Toda turma celebra o tubo, sai na TV no final de semana seguinte.

#Unanimidade entre os que assistiram: melhor tubo de 2000, durante o
Super Surf, o circuito inteiro, as seis etapas. Não teve igual. Dia seguinte competição. Trekinho? Bau-bau!

Rodou logo, surfou direitinho na primeira bateria, mas quando o bicho
pegou, perdeu. Nunca venceu uma etapa de circuito profissional.
Já tava até acostumando…

Etapa do Super Trials, Arpoador, três meses depois. Trekinho faz quartas, quase chega, ou foi só oitavas? Não nasceu pra coisa.
– ‘Bora cair no Diabo?
– ‘Bora…

Metro, metro e meio, sudoeste forte, sudoeste no Diabo é terral. Fechando tudo. Primeira onda do Trekinho é tubo dependurado. Hora e meia depois, câmeras na areia, crowd dos diabos no Diabo. Série!

A prancha dessa vez é amarela, 5’10” também, pra que mais? Trekinho despenca e some. Some tempo demais pra sair, além do mais, a
onda tava fechando toda mesmo…

No último segundo, o cabra sai, marrento que só ele. Desafiador.

– Tem mais não?

#Tá bom que perde o cabaço e ganha um campeonato profissional.
Passaram dois aninhos…

Primeira etapa do terceiro ano do circuito Super Surf, Maresias, último
dia, metro e meio, pra mais, memorável, dia nublado, praia cheia, beach
girl e beach boys.

– Nooooossssa Meu!

Três notas 10, só de tubo, na ordem: uma nas quartas, outra na semi e
mais uma pra abrir a final. Trekinho fez como Pedro Müller, certa vez em Itacoatiara, ganhou o campeonato antes dele começar. Ganhou dois anos antes.

?Foi bom demais. Se demorou um pouco para acontecer, valeu a pena
esperar, pois aquele dia foi indescritível. Foi da maneira que eu sempre quis que fosse. Parecia que só tinha eu na água, que eu tava sozinho no mar. Não fiz esforço para as coisas acontecerem, inexplicável. Simplesmente aconteceu. Se realmente existe um dia que é teu dia e que ninguém te vence, aquele era o meu e aproveitei até a ultima ponta. Até mais.
Trekinho.?

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.