Novamente deixo o aeroporto internacional de Guarulhos (SP), porém desta vez parto para um destino mais ousado e distante do que a América Central ou Galápagos, onde surfei no último ano.
O trajeto é longo e interessante, são 15 horas de voo direto até Doha, no Catar, onde ficaríamos por duas horas. Depois mais cinco horas de voo para Male, capital da República das Maldivas, meu destino final.
Ainda do avião, a primeira impressão das ilhas é surreal. O visual dos atois, com suas diferentes cores e dimensões deixa qualquer um imaginando que isso pode ser o mais próximo de um sonho.
Graças a um excelente presente que ganhei na véspera da viagem, um completo guia sobre as ilhas – o Lonely Planet – pude descobrir que o país passa por um momento de grandes transformações.
Em 2008 aconteceu a primeira eleição presidencial depois de 30 anos de um único governante. O novo presidente comprometeu-se a tornar as Maldivas o primeiro país 100% livre de emissão de carbono no mundo.
Até porque as Maldivas tem seu relevo totalmente plano (o ponto mais alto da ilha tem 2,7 metros de altura) e suas 1.192 ilhas ficam extremamente expostas aos efeitos do aquecimento global, ou seja, o aumento do nível dos oceanos vai fazer literalmente sumir inúmeras ilhas no país.
Descemos no aeroporto internacional de Male e fomos direto à ilha que abriga uma onda chamada Lohis. O hotel em que ficamos hospedados por onze dias ocupa toda a extensão da ilha.
A ilha de Lohis fica localizada na região ao Norte da capital e oferece uma variedade razoável de ondas a menos de 30 minutos de barco. Como tínhamos comprado o “surf pass”, abusamos das saídas diárias de barco.
Nestes onze dias surfamos bastante Lohis, uma onda rápida que recebe melhor a maioria das ondulações e é mais constante da região, porém sempre tem uma galera na água.
Cruzando o canal que separa a próxima ilha ao Sul fica a onda de Ninjas, uma direita conhecida por ser meio cheia e oferecer paredes razoáveis para longboard, mas acabei não surfando esta onda. Duas ondas merecem especial destaque em minha opinião, Sultans e Chickens.
Sultans é uma direita que oferece duas seções bem distintas. No pico mais para o fundo é uma onda com o drop bem extenso e no inside uma seção que roda bons tubos. Já a segunda onda é uma esquerda longa, com várias sessões de manobras e nos dias grandes alguns tubos também.
Além destas ondas na região, há a onda de Cokes e Jails, sendo Cokes a direita mais rasa da região, com uma boa sessão tubular. Jails é uma direita muito semelhante à Sultans, porém peguei somente dias bem pequenos.
A viagem sem dúvidas foi excelente, o lugar tem uma beleza sensacional e as ondas são perfeitas, a água é quente e o clima faz a sua parte. Maldivas custa caro, mas vale a pena!
Leonardo Spencer conta com apoio da Seal Brazil. Para obter mais informações sobre o trabalho do fotógrafo, acesse o site Around The World.
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