Estávamos em Bali e todos os dias fui para a balada com meus amigos Bruninho, Pedro Beça e o menino Bocão. Depois de tanta ?night?, meu amigo Pedro pediu para que eu fosse com ele para Nias, pois um belo swell estava a caminho com direção e ventos perfeitos.
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Então pedi para que o Beça fizesse a última balada comigo no Sky Garden, pois iria com ele no dia seguinte sem falta para Nias.
Dito e feito. Fomos para ?night?, estava muito bom, um ótimo DJ tocando e muitas gatas. No dia seguinte acordamos meio cansados e o Pedro acelerando. Arrumamos as malas e partimos atrás do sonho de infância de surfar Nias.
Depois de viajar dois dias seguidos chegamos a Nias ainda no final de tarde. Aproveitei que tive o privilégio de poder surfar ainda por duas horas e meia.
Quando o carro parou onde iríamos ficar, a primeira visão da onda foi inacreditável. Ondas de 2 metros sólidos quebrando tão perfeitas que não pude me contive, larguei tudo e saí correndo feito um loco. Apenas perguntei por onde entrava e corri em direção ao pico pelo coral sem bota nos pés mesmo.
Foram as tais duas horas e meia mais surreais de surf que fiz em toda minha vida, até os meus 26 anos de idade.
Logo na minha primeira onda peguei uma da série que veio fazendo um ?double-up? muito insano. Cheguei à base, brequei com a rabeta e entrei no meu primeiro tubo em pé de corpo esticado. Quando saí com a baforada, vi os temans (locais) gritarem para mim.
Aquela vibe foi única. Pois aquilo não teve preço. Um êxtase similar a um orgasmo múltiplo. Assim posso descrever como foi a sensação de surfar Nias pela primeira vez.
O swell bombou por uns três dias absurdamente perfeitos. Depois a direção do vento mudou, mas mesmo assim continuou de sonho.
Lá em Nias encontrei alguns brasileiros como o João Maurício Jabour e sua família, Felipe Dantas, entre outros feras que disseram que o pico funcionava há 15 dias sem parar daquele jeito!
Foi muito surf. Ficávamos moídos de tanta onda, mas num belo dia depois de pegar certa amizade com essa galera, Felipe Dantas me convidou para ir para Asu, porque a direção do vento estava perfeita para lá.
Não pensei duas vezes, até porque havia surfado Asu em 2004 antes do terremoto e do Tsunami, então estava muito curioso para rever o pico depois de tudo o que aconteceu.
Arrumei minhas coisas, meu amigo Pedro Beça não quis ir junto, então me juntei com o alagoano Caio Alemão e partimos com a galera.
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Viajamos três horas de carro de Nias até Sirombu em uma estrada insuportável. Viajamos em dois carros. Comigo estavam Kailani Jabou e Caio Alemão. No outro carro estavam Dantas e João com suas esposas.
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Chegamos ao porto e o barco do Alex Macabú já nos aguardava para partir. Mais uma hora e meia de barco e chegamos quase ao anoitecer.
Fomos direto aos bangalôs, mas ainda parei no Gangstas Paradise do Henrique Pena, pois somos amigos há um bom tempo. Fiz questão de tomar uma gelada com ele, até porque não dava mais tempo para surfar.
Depois de todos instalados a noticia não poderia ser melhor, o Macabú nos disse que o mar estava clássico e dois dias antes estava gigante com uns 10 pés. Fomos dormir cada um em seu bangalô ouvindo o barulho feroz das ondas quebrando. Eu mal consegui dormir de tanta ansiedade.
Quando nasceu o dia fui com o Caio checar a onda, pois estávamos de frente para o pico. Quando chegamos à praia pirei! Tinha uns 8 pés nas séries muito pesadas com vento terral.
O lugar mudou muito. O coral saiu todo para fora dando um ar sinistro ao pico. A onda ficou muito mais rasa do que era e acabou dando uma encurtada. A ?nuclear zone? saiu toda para fora, era como se fosse uma nova onda para mim.
Conversei com o João que também havia surfado por lá em meados de 2002 e ele também se espantou com o que aconteceu com a onda. Fomos todos para água sem nenhuma cabeça no pico. Aquelas ondas eram somente nossas.
Entramos por um lugar que apelidei de trampolim e remamos para o pico uns 100 metros para fora.
As ondas estavam perfeitas e ao mesmo tempo ameaçadoras, pois quebravam com muita potência sobre a rasa bancada. Sem dó nem piedade de nada.
O primeiro a dropar foi Kailani Jabour, já vindo num baita tubo de responsa que levou a galera ao delírio. Depois, todos começaram a pegar.
Foi uma experiência única surfar ali sem ninguém por perto, com meus novos amigos e com a Pati batendo foto em cima do reef. Ficamos cinco dias em Asu e todos os dias deram altas ondas. Foi um sonho!
Depois cada um partiu em direção ao seu destino e eu voltei pra Bali para dar uma strondada na balada com os meninos e depois ir para outros picos como Sumbawa ou G-land.
Queria agradecer a parceria de todos que fizeram dessa viagem a Sumatra um sonho concretizado. Também queria mandar um aloha para o Pena, o Macabú, a Pati, ao João e sua mulher Verônica, ao figura do Felipe Dantas, o Caio de Maceió, e ao Kailani.
Valeu galera, missão cumprida na Sumatra! Abraços a todos e obrigado Jesus por ter dado tudo certo.
