
Acabo de passar quase três semanas na Sumatra, particularmente na costa oeste de Nias. Primeiro as boas notícias.
Meus funcionários e conhecidos estão bem, a estrutura do surf camp ficou intacta e o nosso barco e lancha também.
O que realmente impressionou, além da destruição generalizada da capital Gunun Sitoli foi que as costas oeste e sul da ilha levantaram em media três metros.
Ou seja, as praias e bancadas de corais ficaram mais rasas, alterando a localização das arrebentações e exterminando e criando ondas novas.

Logo que cheguei em Medan peguei um vôo para Sibolga (costa oeste da Sumatra) e fui imediatamente contratado pela ONG Surf Aid International para coordenar a ajuda emergencial humanitária em Sirombu (costa oeste de Nias), portão de entrada as ilhas Hinako. A organização foi criada por um médico para eliminar a malária das ilhas Mentawaii.
Foram quase 20 dias de trabalho, coordenando remoções médicas feitas de helicóptero, distribuição de tendas, alimentos e remédios. Alguns engenheiros fizeram parte da equipe e constataram a condenação de vários edifícios, principalmente escolas e hospitais.
Fora o trauma, a destruição e os mortos e feridos, o que realmente está dificultando a recuperação de Nias é que muitos chineses que moravam nas capitais Gunun Sitoli e Telukdalam morreram ou abandonaram suas casas e lojas.
Com isso, o topo da cadeia comercial de Nias desapareceu. Os chineses são os comerciantes mais poderosos no comércio de borracha, côco defumado e peixes para fora, de onde trazem os produtos consumidos na ilha. Em outras palavras, a economia de Nias entrou em colapso.
Fiquei impressionado com a quantidade de estrangeiros no local, pessoas das Nações Unidas e seus tentáculos e de várias outras instituições de caridades e ajuda humanitária por todos os lados. Infelizmente são poucos aqueles que têm a capacidade de ajudar efetivamente a população.
Voltando às ilhas Hinako e costa oeste de Nias, posso afirmar que a onda de ASU ainda existe e surfei lá por três dias. Ela continua perfeita, porém mais rasa e rápida e provavelmente um pouco mais curta, pois a “nuclear zone” está totalmente para fora da água.
Passei por Bawa um dia e verifiquei que a onda continua quebrando, mas o vento e o swell não proporcionavam condições para testar. Com a elevação das bancadas, alguns point-breaks da costa oeste de Nias que eram ruins, com ondas cheias e sem força, transformaram-se em picos perfeitos, principalmente os de direita.
Em Lagundri Bay, apesar da destruição total da maioria das construções, a onda melhorou, ficando mais longa e tubular. Por enquanto são essas as novidades. Na próxima semana vou levar os primeiros corajosos para surfar. Nosso objetivo é chegar nas ilhas Baniak, província de Aceh, onde iremos em busca da “treasure island”.
Para obter mais informações acesse o site Surfasu.com.br.