Jorge Baggio

Nias no limite

Depois de alguns anos de expectativa, finalmente chegava a hora de Nias quebrar com condições ideais e tamanho máximo. Tentava me concentrar para chegar à Indonésia o mais inteiro possível.

Um pequeno aviãozinho movido a hélice já nos esperava. A adrenalina e o medo de viajar eram grandes. Mas a imagem das ondas tubulares e maiores de 3 metros não saíam da minha cabeça. E era aquilo o que eu mais desejava no momento.

 

Nias foi bem alterada pelos terremotos e sua bancada subiu cerca de 1,5 metros. A onda ficou muito mais pesada e tubular. Ao chegar fui recebido pelo famoso Barriga, que hospeda os brasileiros há muitos anos no pico.
 
Logo no segundo dia a ondulação exibiu os primeiros sinais. Foram 48 horas de excelentes ondas, mas sem o tamanho esperado. Depois que o mar acalmou, pude ouvir histórias sobre uma onda situada mais ao Sul da Baía, em direção ao alto-mar.

Diziam que enquanto Nias apresentava ondas de 2 metros, esse reef quebrava com cerca de 3 metros em uma bancada rasa e irregular, produzindo ondas extremamente tubulares e poderosas.
 
Alugamos um barco e fomos conferir. Estava pequeno, mas mesmo com Nias flat, esse pico apresentava ondas com cerca de 1 metro, muito próximas ao reef exposto. Pude notar o quanto elas eram fortes – mesmo pequenas – e ver que existiam dois picos, um mais para dentro da bancada e outra mais para o canal.

No dia seguinte o mar subiu em Nias e partimos novamente ao pico que apelidamos de Barriga’s Reef, em homenagem ao anfitrião dos brasileiros. Além disso, nossa intenção era preservá-lo um pouco, pois a onda já tem outro nome.
 
A fissura de surfar aqueles tubos, com água clara e mar liso, era enorme. Foi impressionante encontrar uma onda assim bem ao lado de Nias. Remei com todo respeito e vontade de pegar um belo tubo. Se machucar era algo fácil e muito perigoso, devido às péssimas condições de higiene no local, além da distância de um hospital próximo com boas condições.
 
Sabia que a probabilidade em ser esmagado em um daqueles tubos era grande, mas a vontade de tentar era muito maior. Depois de duas horas na água e duas ondas surfadas, veio a certa. Não foi a maior da série, mas entrou para dentro da bancada e fez um belo braço.

 

Depois dessa prazerosa e recompensadora experiência, ainda tivemos mais duas boas ondulações em Nias, sendo que a primeira veio de Sul com até 3 metros. Sul é a direção ideal para Nias e atrás dela chegaram Ryan Ripwood, Jamie O’Brien e alguns amigos.
 
Foram mais dois dias de ondas épicas. O resultado está na galeria acima para todos apreciarem.

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