Neco e Teco: surfe tamanho família

Nosso camarada Charles Padaratz envia uma entrevista maneira com seus irmãos Teco e Neco. A idéia original era ouvir todos os brasileiros que participam do WCT.

 

Porém, como somente os dois irmãos responderam, publicamos uma entrevista “em família” sobre as perspectivas da dupla no circuito mundial.

 

Como avalia os resultados da primeira etapa e quais as chances individuais e coletivas de um brasileiro em Bell’s?

Neco: As chances sempre existiram para os brasileiros. O problema é a leitura das ondas aqui de Bell’s. Eu acho que o brasileiro sempre sai bem nas primeiras fases, e, por algo da natureza não conseguimos chegar até a vitória.

Teco: Acho que após esta primeira fase a mensagem foi dada. Os brasileiros, desde Margaret River, estão mostrando bastante preparo físico e força nas manobras. Acho que logo teremos um vencedor de etapa.

Como o seu surfe se encaixa nas direitas do pico?

 

Neco: É uma das ondas que eu mais me adapto, porém, é a que eu tenho mais dificuldade de resultado.

Teco: Eu gosto muito das ondas de Bell’s, pois elas proporcionam um bottom turn bem longo, o que deixa meu surf um pouco mais à vontade. Já fui bem aqui algumas vezes e espero manter o desempenho.

O que achou da atuação do Neco na primeira etapa e em que medida o quinto lugar dele serve de estímulo?

Neco: É o resultado de um bom trabalho que venho fazendo este ano, acho que é só o início.

Teco: Acho que o Neco está realmente estabelecendo o ritmo este ano para todos nós, não só para os brasileiros, pois os gringos acompanham as baterias dele da mesma forma, talvez até com mais atenção.

 

Pelo fato de Bell’s ser outra direita, você acredita que Dean Morrison pode beliscar novamente e consolidar a liderança no início do tour?

 

Neco: Claro. Todos temos esta condição, não só ele como todos temos.

 

Teco: Acho que o Dean surfa muito e pode a qualquer hora deslanchar. Porém, acho que é cedo para falar de qualquer favoritismo, tanto dele quanto de qualquer outro.

 

Quem você apontaria como favorito ou tudo é possível?

 

Neco: O campeão será sempre o favorito. Hahahaha!!!

 

Teco: Acho que a minha resposta de cima já diz tudo.

 

O que acha do critério de somar as duas melhores médias?

 

Neco: Estou me adaptando melhor, porém, discordo um pouco desta regra.

 

Teco: Acho legal, pois quem surfar a melhor da batera tem mais chances de ganhar.

 

Como tem sido a experiência de dividir uma coluna mensal na Fluir?

 

Neco: Por ser uma revista de surf, ao menos uma das páginas é importante para podermos nos manifestar. O surfe precisa de apoio, não as empresas.

 

Teco: Tem sido maneira. É legal, principalmente ouvir os comentários da galera que leu a primeira, eles todos seguem nossa linha de pensamento e sabem que estamos buscando o melhor para nossa profissão e estão absolutamente ao nosso lado. Porem, o objetivo é fazer com que a Fluir,  uma das melhores revistas do Brasil e com certeza a mais tradicional, siga mais os conceitos verdadeiros do surf, pois ela está ficando muito comercial no momento e deve tratar melhor os verdadeiros ídolos do surf, talvez com mais respeito.

 

O que você acha do fato do WCT estar sendo levado para Santa Catarina, e do fato do

Teco fazer parte deste projeto como licenciado?

 

Neco: Gracas a Deus!!! O surfe vai voltar a ter chance de crescer. Principalmente porque precisamos muito desta oportunidade para provar que o surfe tem poder como esporte.

 

Teco: Acho que é uma boa mudança, pois Santa Catarina sempre foi um lugar excelente para os campeonatos de surf. Todos por lá acompanham de perto o surf como verdadeiros entusiastas.

 

O estilo de vida do surfista ainda é visto com desconfiança por parte da sociedade. O que você teria a dizer aos pais dos moleques que estão iniciando no esporte?

 

Neco: Espero que possam acreditar, como meus pais acreditaram. Hoje sou uma pessoa satisfeita com meu trabalho.

 

Teco: Desde que seja bem acompanhado, o garoto ou garota terá uma vida bem saudável. Toda criança dorme bem e come bem quando está surfando. Mas em qualquer setor da sociedade temos que ter cuidado com a criação de nossos filhos.

 

O que há de melhor em ganhar a vida surfando?

 

Neco: Fazer aquilo que eu mais amo.

 

Teco: As ondas, é claro!!!!

 

Ganhar a vida praticando esporte é um sonho para muitos jovens, mas com certeza há algumas dificuldades neste meio de vida. Quais seriam as maiores dificuldades a serem superadas neste estilo de vida?

 

Neco: O apoio financeiro das grandes empresas e a credibilidade do surf como grande esporte.

 

Teco: Respeito das pessoas e remuneração, pois é um esporte caro para se levar profissionalmente. Os patrocínios estão cada vez mais difíceis.

 

Como em todo esporte a aposentadoria do atleta chega cedo. O que planejam fazer quando pararem de competir profissionalmente?

 

Neco: Continuar a fazer o surf crescer, como eu lutei a vida inteira, afinal de contas, desta batalha eu nunca desisti.

 

Teco: Cara esta é difícil, pois se eu começar a contar a vocês só vai acabar com uma semana de entrevista aqui neste site. Por isso vou poupar vocês dizendo que farei com que o surfe seja cada vez melhor para seus praticantes e que sejamos reconhecidos como boas referências.

 

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