
Alejo Muniz. Quem ainda não ouviu este nome pode guardar na memória. O jovem argentino de 14 anos, prestes a se naturalizar brasileiro, surfa muito e esbanja estilo.
Atual campeão paulista, catarinense e mundial e com patrocínio da Quiksilver, há mais de 13 anos o atleta vive e treina na cidade de Bombinhas (SC) e, consenso entre todos que o vêem surfar, dará o que falar em um futuro bem próximo.
Já tinha ouvido falar dele na mídia, mas depois de o fotógrafo Sebastian Rojas me mostrar em Maui algumas fotos do garoto arrepiando em Ehukai, North Shore de Oahu, fiquei impressionado.

Aéreos 360, rasgadas e batidas com estilo ímpar são as principais características do surf de Alejo. Fiquei curioso e empolgado para vê-lo surfando ao vivo.
Quando voltei para Oahu o conheci pessoalmente, pois estava sendo assessorado pelo amigo Heitor Pereira, ambos hospedados na casa de Rômulo Fonseca.
Sua performance em Rocky Point nos últimos dias deixou não só a mim, mas toda galera presente de boca aberta.
Durante uma viagem à cidade de Haleiwa, entrevistei Alejo com a ajuda de Heitor.
E aí moleque, apanhou muito do Heitor nesta temporada?
Que nada, ele que apanhou de mim (rs).
Dê sua ficha técnica. Idade e patrocínios?
Tenho 14 anos, patrocínio da Quiksilver e pranchas Tiago Cunha.
Você nasceu na Argentina?
Sim, mas com um ano e meio vim para o Brasil e não voltei mais. Moro em Bombinhas desde então.
Como são as ondas em Bombinhas?
São iradas, em Quatro Ilhas e Mariscal quebram altas ondas.
Com que idade começou a surfar?
Surfo desde os cinco anos.
Sua família também surfa?
Sim, meu pai, meu irmão e irmã também surfam. Meu irmão se chama Santiago Muniz e também está aqui no Hawaii.
Desde quando participa de campeonatos?
Desde os 9 anos.
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Quais foram as principais conquistas da sua carreira?
Campeão mundial, paulista e catarinense em 2004.
Explique melhor esses títulos.
O Quiksilver Trophy rolou na Franca em julho de 2004, evento de nível mundial. No
circuito Hang Loose Paulista eu fui campeão Inciante também em 2004, e bicampeão catarinense.
Quais são seus planos para o futuro?
Viajar muito para aprimorar meu surf.
Essa é sua primeira temporada havaiana?

Primeira de muitas, se Deus quiser.
Qual foi sua primeira impressão?
Até agora não tomei muitas vacas cabulosas. O Heitor e o Juninho (Júnior Faria) me faziam entrar em todos os mares. Foram bons companheiros.
É mais ou menos animal do que você pensava?
Pipeline é muito mais animal do que eu imaginava, mas as outras praias são como eu tinha em mente.
Qual foi o maior mar que você pegou?
(Heitor fala, “não mente”) Dez pés em Sunset.
E a maior onda que surfou?
Oito pés, em Haleiwa.
Como foi ver mares incríveis em Pipeline de dentro d’água?
Nunca mais vou esquecer, Pipeline é impressionante.
Qual quiver você trouxe?
5’5, 5’6, 5’9, 6’0, 6’3 e 6’8.
Você possui um estilo super fluido. Sempre vejo muita gente quebrando, mas o estilo deixa a desejar. De onde vem esse talento?
Em Bombinhas as ondas não são grandes, mas são perfeitas. Agora, com essas viagens, quero tentar passar esse meu estilo para as ondas grandes.
Quem você considera seus maiores rivais nas baterias?
São vários. O Ricardo Santos, de SC, Miguel Pupo e Mateus Toledo, de SP. O Thiago
Camarão também, mas ele é uma categoria acima. Apesar que sempre que eu corro campeonatos nessas categorias, entro mais relaxado e acabo me dando bem, às vezes até melhor do que na minha categoria.
Então você acha mais fácil correr baterias com os caras mais velhos?
Eu acho melhor, pois entro sem pressão.
Quando você pretende correr o circuito mundial?
Daqui uns três anos. Vou fazer 15 anos no dia 21 de fevereiro, então com uns 18.
Quais são suas prioridades agora?
(Heitor: “Perder a virgindade”). Isso eu já perdi (rs). Correr o mundial em Huntington Beach no ano que vem, na categoria Mirim, e representando o Brasil, além de tentar os títulos paulista e catarinense.
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Quais os nomes que te inspiram para surfar?
Kelly Slater, Taj Burow, Adriano Mineirinho e Neco Padaratz.
Que músicas você ouve?
Rap, Rock’n Roll. Eu gosto de todas as músicas.
A galera está dizendo que hoje vai cortar esse seu cabelão.
Eu já raspei a cabeça, mas não ficou muito bonito. Um dia no Peru me amarraram em uma cadeira e cortaram meu cabelo só no topo, com uma gilete. Vou dedar, foi o Felipe André e Bruno Cardoso. Cheguei em casa com

um boné pra minha mãe não perceber, mas depois que ela viu até chorou. Eu acho que meu cabelo fica mais bonito grande.
Já sentiu algum tipo de discriminação por ser argentino?
Quando eu era mais novo rolava. Agora faltam poucos anos para eu me naturalizar e vou esfregar a carteira na cara dos caras que ficavam me chamando de gringo.
Na sua opinião, o que falta para o Brasil ter um campeão mundial?
Eu acho que até os 15 anos os brasileiros se igualam ao surf dos gringos, mas depois, como não rolam muitos patrocínios os brasileiros ficam surfando os beach-breaks, enquanto os gringos viajam ao redor do mundo nas bancadas de pedra e coral. E na seqüência chegam aqui no Hawaii para disputar um evento entre 18 e 20 anos e os gringos muito mais acostumados com esse tipo de onda levam vantagem. Mas eu acho que agora o Heitor, Juninho, Mineirinho, por já terem viajado bastante, vão batalhar melhor pelo título.
Quem você aponta como destaque dessa novíssima geração que está aqui no Hawaii?
Eu acho que toda a molecada está quebrando. Jerônimo Vargas, Yan Guimarães, Santiago Muniz (irmão de Alejo), Cauê Wood, Julio Terres. Todos eles já surfando no Hawaii desde pequenos, acredito que o Brasil domine o WCT daqui alguns anos.
Volta quando para o Brasil?
Dia 20 de fevereiro.
Heitor, o que você achou da performance do seu pupilo nessa primeira temporada?
Ele está super bem, surfou todos os mares que nós surfamos, tem um estilo muito bonito e impressionou a todos.