
Em meu primeiro texto para o Waves, relembrei como foi difícil encarar algumas barreiras de preconceito por ser uma surfista mulher.
Comparei essas dificuldades com a nova fase do surf feminino; o surgimento das escolinhas e a divulgação do esporte nas mídias nacionais e internacionais.
Desde então cresce o número de meninas de todas as idades que começam a praticar o esporte.
Sempre que estou no mar observo as novatas e procuro acompanhar sua evolução, fico esperando o momento de ver uma delas arrebentando no outside.

E foi prestando atenção nessas meninas que descobri a pequena Brunna Cortes. Carioca de nascimento e residente em Garopaba desde seus primeiros meses de vida, ela se apaixonou pelo surfe.
Há pouco tempo, lembro de ter visto Bruna brincando nas espuminhas da Barra com seu pai, Brumell. Ela ainda era bem pequena e não faço idéia que idade tinha na época.
Mas, assim como Bruna, vejo muitas meninas fazendo isso todo o verão e sempre penso a mesma coisa: qual delas levará o surfe adiante?
E foi no final deste verão que me surpreendi ao ver Brunna dropando altas ondas num mar de respeito.
A menina só tem 12 anos e o fato de viver por ali ajuda muito, mas o que contribui mesmo é ter um pai surfista como seu grande incentivador. Gostei do que vi e senti firmeza na guria!
Aproveitei para saber mais sobre ela durante um encontro em que Bruna foi entrevistada por outras meninas de 12 e 13 anos que estão iniciando no surfe.
São elas: Stephanie Weinschenck, Eduarda Brunelli, Marina Guerra, Quitéria Oliveira e Luli. Mesmo sem se conhecer o grupo, o papo entre elas fluiu como se fossem velhas amigas.
Meninas – Você tem mais amigas que surfam por aqui?
Que realmente surfam só a Greta, que é de Imbituba. Nós freqüentamos uma escola de preparação para o surfe, o Arágua, em Floripa. Lá participamos de aulas de yôga, surfe treinos e competição entre as meninas.
Meninas – Mas você está competindo?
Eu participo das competições da ASG (Associação de Surfe de Garopaba).
Meninas – E como foram seus resultados?
Eu competi em quatro etapas de um total de oito. Consegui ficar sempre entre as quatro colocadas (2o, 3o, 4o e 4o).
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Meninas – Você já passou por algum perigo no surfe?
Ah já!!! Eu estava surfando com meu pai na Ferrugem, aí ele me colocou numa onda bem legal e grande, de 1,5 metros ou mais. O problema foi que ele saiu do mar achando que eu também sairia, mas eu voltei pelo canal. Cheguei lá fora e fiquei sozinha sem conseguir pegar onda para sair. Tomei umas três séries enormes na cabeça até ele voltar.
Meninas – Nós todas moramos em Porto Alegre, sem o mar por perto. Como é morar em Garopaba?

Sempre tem umas festas dos amigos para ir e só.
Meninas – Mas como é não ter shopping por perto?
Ah! Isso é bem chato.
Meninas – Nossa, deve ser horrível!!
Mas quando eu vou a Floripa sempre vou ao shopping. O que eu gosto mesmo é de ir ao McDonald’s e no cinema.
Meninas – Na sua escola as meninas não ficam falando que você se veste como surfista?
Na escola não porque tem uniforme, mas tem umas outras pessoas que falam , só que eu não ligo. Eu gosto de vestir bermudão e roupas largas, confortáveis.
Meninas – E nas festas, como fica a roupa?
O mais básico possível, uma calça jeans, uma blusinha ou top, sei lá.
Meninas – Você assistiu o WCT?
Eu até perdi aula para ver as baterias. Foram três dias sem escola, mas valeu!
Meninas – Quem é teu surfista preferido no WCT?
O Kelly Slater e das mulheres é a Keala Kenelly, mas das brasileiras eu gosto da Jacque Silva. Ela mora aqui perto, mas eu não a conheço.
Meninas – Você pretende ser competidora?
Não sei, eu surfo porque eu gosto!
Veja mais fotos de Brunna Cortes em Garopaba.
Rapidinhas
Música: hip-hop, rap, adoro Marcelo D2
Outro esporte: vôlei
Namorado: Sei lá
TV: Malhação
Gatinho da malhação: Kiko
Estudo: pouco, pois presto atenção nas aulas
Profissão: fotógrafa
Presente: câmera fotográfica
Internet: MSN, 24 hs por dia se pudesse
Pico preferido: Ferrugem e Barra, Garopaba (SC)