Surf em SP

Nas ondas do improviso

Nascido na Alemanha, o free surfer Patrick Toledo é apaixonado pelo surf. Morador do Jardim Paulista, São Paulo (SP), ele está com um projeto bem diferente para a temporada de 2012. 

Patrick luta para conseguir recursos com o objetivo de produzir um filme surfando em lugares alternativos, fora do mar. O free surfer quer provar às pessoas que vivem longe do oceano que é possível surfar longe da costa, principalmente no interior.

 

O atleta pretende popularizar lugares como o River Surfing, onda que quebra no rio Eisbach em Munique, Alemanha. O local ficou famoso e hoje é um dos pontos turísticos da cidade, além de contar com um tradicional campeonato anual.

 

Confira abaixo o depoimento de Patrick. No vídeo acima, o atleta surfa na chuva em plena rua Oscar Freire, na capital paulista.

 

Eu nasci em Munique, Alemanha, e me mudei para o Brasil quando tinha 8 anos. Foi quando ganhei minha primeira prancha. Minha mãe conhecia o Neco Padaratz, que me deu uma aula de fundamentos em Maresias (SP), enquanto rolava uma etapa do brasileiro. Daí em diante, me apaixonei pelo esporte e nunca mais deixei de surfar.

Me mudei para Rua Oscar Freire, São Paulo (SP), faz pouco tempo e já tinha ouvido falar que quando chovia as ruas ficavam cobertas pela enxurrada.

No começo de janeiro, caiu uma chuva muito forte e quando olhei pela janela da minha casa, vi um cara com água até a cintura. No dia seguinte, voltou a chover forte e não pensei duas vezes antes de descer pra tentar pegar uma onda. Foi então que surgiu o que eu chamo de Flood Surfing.

A maioria das pessoas não entende o que eu estou fazendo. É muito comum acharem que eu sou um louco fissurado que surfa no esgoto, mas eu só amo o surf. Quero surfar todas as ondas, desde as tubulares até as mais merrecas.

Em relação ao esgoto, eu acho besteira. Afinal, o nosso esgoto e de vários outros países é despejado no mar, onde todos surfam. Eu me previno contra a contaminação, checo se não tenho nenhum corte na pele e uso roupa apropriada.

Penso que esse tipo de preconceito é comum com novas modalidades. O mesmo aconteceu quando o River Surfing surgiu na Alemanha. O esporte chegou a ser proibido pelo governo no princípio, mas, hoje é incentivado e já foi tema de livros e de um longa-metragem.

O Flood Surfing faz parte de um sonho que eu tenho. Um projeto que chamei de Surf Exótico, no qual quero descobrir lugares diferentes para a prática do surf, principalmente ondas no interior, para mostrar que o surf pode ser praticado nos mais diversos lugares.

A ideia é viajar o Brasil e o mundo atrás de ondas diferentes, tanto as conhecidas quanto as desconhecidas e desbravar formas inusitadas e diferentes de praticar o surf.

Atualmente, tenho muito a agradecer a Star Point Surf Shop que me dá um grande apoio, e estou à procura de outros patrocinadores para que esse projeto se concretize da melhor forma possível.

No dia 15 de abril embarco par Munique, capital internacional do River Surfing, para aperfeiçoar mais ainda nesse tipo de surf. Depois pretendo continuar o projeto pela França, Espanha e Portugal.

 

Foto de capa Arquivo Pessoal

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