Robson Santos

Na trilha de Desert Point

Robson Santos abusa dos tubos em Desert Point, Indonésia. Foto: Arquivo pessoal Robson.

O paulista Robson Santos, 20, local de São Sebastião, é uma das promessas da nova geração do surf brasileiro e acaba de voltar de uma viagem de 30 dias em sua primeira temporada na Indonésia.

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Guerreiro, humilde, companheiro, dedicado e com um vasto repertório de manobras fortes e radicais, traz em sua bagagem uma mistura perfeita entre surf forte, lugar mágico, revisão de metas e objetivos.

 

Depois de uma temporada desfrutando de picos como Padang Padang, Uluwatu e Desert Point, Robson volta ao Brasil cheio de gás e motivado para buscar resultados expressivos no WQS e Brasil Tour.

 

Onde e quanto tempo você ficou na Indonésia?

 

Paulista voa alto. Foto: Arquivo pessoal Robson.

Fiquei mais em Bali, mas também fiz umas trips por outras ilhas. Cheguei lá e o Igor Morais, de Maresias, foi me buscar no aeroporto! Ficamos juntos por quase toda a viagem, que durou um mês. Fiquei entre os dias 6 de maio e 6 de junho. Foi bom estar com ele, pois já conhece todos os picos, rotas e os melhores lugares pra comer, se hospedar e surfar! Depois embarquei para as Ilhas Maldivas, para disputar o WQS em Pasta Point.

 

Quais picos, locais e ondas que você conheceu na Indonésia?

 

Eu fiquei baseado em Bingin, Bali, por isso surfei mais as ondas de lá, como Uluwatu e Padang Padang. Mas também surfei Desert Point e outros secrets da região.

 

De qual onda ou pico você mais gostou e por quê?

 

Com certeza foi Desert Point! Era meu sonho ir pra lá e surfar aquelas esquerdas que só via nos filmes e em fotos! Quando eu via os surfistas dentro daqueles tubos intermináveis, tinha uma vontade de estar no lugar deles e de ficar ainda mais tempo dentro dos tubos! Quando surfei o pico, pude sentir tudo isso na pele! A onda é realmente alucinante! É uma onda longa, com excelente potencial para manobras, com tubos perfeitos que não fecham nunca!

 

Lá, consegui pegar até seis tubos na mesma onda! Ondas de 2 metros lisas! Nem eu acreditava (risos)! O local tem um crowd, mas é tranqüilo de pegar onda! Tem pra todo mundo! Sem contar que o lugar é lindo! Meio deserto, com água azul transparente, coqueiros, sem bagunça, sem televisões, sem música alta… Tudo que eu precisava pra limpar a mente e botar a cabeça em ordem!

 

Como foi surfar as ondas na Indonésia?

 

Foi sensacional! Como eu disse, realizei um dos meus maiores sonhos: surfar em Desert Point! Lá é tudo bem diferente de como imaginava! É melhor ainda do que nas revistas e nos filmes, principalmente porque é você quem está lá (risos)! As ondas são melhores do que achava; mais longas, muitos tubos, água muito clara, visuais alucinantes, povo super acolhedor, simpático e as bancadas são muito rasas mesmo! Mas, como os tubos são tão perfeitos, não me preocupava muito com as bancadas, e sim com meus desempenhos dentro deles. Acho que isso me ajudou a desencanar das bancadas (risos).

 

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Estréia na Indonésia anima talento da nova geração brazuca. Foto: Arquivo pessoal Robson.

Pegou ondas que abrem para a direita e para a esquerda?

 

Infelizmente não! Só peguei esquerdas! Não rolou um bom swell que proporcionasse boas direitas.


Como é o crowd nos picos? Dá pra surfar tranqüilo? Da pra pegar as ondas ou é como no Hawaii, onde você passa três horas no pico e não consegue surfar?

 

Até tem um crowd, mas nada comparado ao Hawaii! Tem bastante gente na água, principalmente em Uluwatu e Padang Padang, que são picos mais conhecidos, mas com ondas pra todos, sempre! Sem contar que não tem localismo, o que torna a queda muito mais descontraída e divertida! O que não pode é desrespeitar as pessoas, a natureza e as ?regras? do surf, que tudo corre super bem!

 

Robson está de gás renovado para brilhar no WQS e Brasil Tour. Foto: Arquivo pessoal Robson.

Descreva um pouco essas principais ondas que você surfou: Uluwatu, Padang Padang e Desert Point.

 

Uluwatu ? Das três ondas, é a onda mais fácil de surfar. Ela é mais ?gorda?, é uma onda mais cheia no outside e quebra fora do pico. Na interseção, ela dá uma corrida e rola um tubo bacana no inside. Qualquer um consegue surfar com tranqüilidade! Nessa onda treinei mais rasgadas, floaters, batidas chutando a rabeta e tubos.

 

Padang Padang ? É uma onda tubular, rápida e perigosa! É preciso dropar e acelerar para encaixar no tubo. O tubo é bem rápido, com velocidade! Uma onda alucinante! As manobras que mais treinei foram o tubo e as rasgadas.

 

Desert Point – Para mim, a melhor de todas! A rainha da Indonésia (risos). Uma onda rápida, perigosa e interminável! A bancada é rasa, mas os tubos são tão alucinantes que você até esquece da bancada!

 

O tubo tem uma pressão diferente, mais forte e mais rápida. Ele quebra na onda inteira e a dificuldade é ficar dentro do tubo, porque a pressão da onda está sempre te empurrando pra fora. Por isso é preciso atrasar o tempo inteiro com os braços. Lá treinei mais tubos e rasgadas.

 

Qual o quiver utilizado nessa viagem para a Indonésia?

 

Eu levei cinco pranchas 6?0?, pois também ia competir no WQS nas Ilhas Maldivas; duas 6?1?, duas 6?2? e uma 6?5?; algumas do Mayhem/Lost e da BoardInc, meus shapers habituais. Mas usei mais as 6?0? e as 6?1?.

 

Quais os pontos mais positivos dessa viagem para a sua carreira como competidor profissional?

 

Foi excelente dar essa ?folga? nas competições em um lugar tão mágico como a Indonésia! Foi muito bom poder surfar ondas tão perfeitas, por quase todos os dias. Treinei manobras que preciso melhorar, treinei tubos, pude aperfeiçoar outras manobras que vinha treinando e, como as ondas são muito parecidas e com qualidade, você tem essa condição de ir aperfeiçoando suas manobras a cada onda. Acima de tudo, consegui colocar a cabeça em dia e ver que, de fato, gosto de competir e é isso quero pra minha vida! Ter esse reencontro comigo mesmo e com altas ondas me motivou ainda mais a lutar e conquistar meus objetivos, entre eles a vaga para o WCT.

 

O que você espera depois dessa temporada na Indonésia?

 

Espero voltar pra Indonésia sempre que possível! Estar lá e surfar aquelas ondas fortificou um desejo ainda maior de continuar evoluindo e testando meus limites. Vou entrar mais consciente nas minhas baterias e acentuar minhas manobras e tentar surfar cada vez mais forte! A Indonésia foi muito importante para eu ver que posso surfar bem e que posso chegar junto nas competições. Eu queria agradecer muito aos meus patrocinadores – a Lost e Globe -, que sempre me deram e me dão o maior suporte para a minha carreira! Estou com eles há seis anos e se não fosse por eles, nada disso teria acontecido!

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