Idade mídia

Na onda do bem

Exemplo prático 1

 

Você pega uma boa onda e é rabeado sem dó. Fica louco da vida, se sente absurdamente desrespeitado e, por impulso, chuta a prancha na perna do rabeador. Tom Carroll já saiu da água para o hospital com um buraco na perna. Na hora rola aquela satisfação de vingança, mas depois, quando vê o buraco na perna do cara, você  se pergunta se valeu a pena. Claro que não. Bate o maior arrependimento. Só que aí já é tarde.

 

Exemplo prático 2

 

Entra a melhor da série e você vê, muito bem posicionado no pico, um bodyboarder iniciando o drop. Por impulso você ignora que já tem alguém na onda e dropa junto, estragando a onda do cara e deixando-o puto. Guilherme Tâmega já ficou puto com isso. Mas você está feliz, afinal “não foi uma onda perdida”. Depois, quando você de alguma maneira descobre que o cara é tão apaixonado pelo surf como você, rola uma grande culpa pela babaquice. A onda passa a não ter sido tão boa assim. Só que aí já é tarde.

 

Exemplo prático 3

 

Você conhece uma mulher maravilhosa (meninas, por favor, troquem “mulher” por “cara”), que é tudo aquilo que você sempre quis, que faz você sentir vontade de envelhecer de mãos dadas passeando com ela. Mas por algum olhar, algum comentário ou qualquer outra manifestação que está à mercê da sua tresloucada interpretação, você coloca aquela pessoa maravilhosa em dúvida. Quando você retoma a consciência e enxerga o estrago, a mulher que te amava já não te ama tanto assim. Houve uma ruptura na magia. Só que aí já é tarde.

 

Muitas vezes a gente age de maneira impulsiva. Dentro e fora da água. A gente magoa, agride, decepciona, desrespeita e por aí vai. Depois, como nos exemplos práticos acima, a gente se arrepende, sofre, não se perdoa pela imbecilidade e tenta buscar uma resposta para aquela determinada reação. Difícil, né?

 

E assim segue a vida. A gente muitas vezes vai errando dentro das nossas tentativas de acerto. Injusto, mas acontece. Vamos tentando melhorar sempre. Mesmo que o entorno de dificuldade parta da nossa própria omissão. E a vida segue. Em muitos casos a favor do vento quando o cara da perna costurada acredita que você está arrependido e te cumprimenta.

 

O bodyboarder entende que existe um preconceito ridículo mesmo e te incentiva a pegar a próxima da série porque acredita na sua alma. E também quando a mulher maravilhosa acredita que você não é esse cretino, aposta que as coisas vão mudar e que ainda vale a pena envelhecer com você.

 

Vamos fazer o bem!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)