Por trás das notas

Mudanças táticas

A última alteração na forma de avaliar os surfistas modificou toda a lógica em relação às táticas de competição. Ao se computar apenas duas notas, várias atitudes dentro da água têm de ser revistas, e aos poucos as situações que se apresentam vão servindo de experiência para futuras baterias.

 

A primeira mudança é a valorização dos “high Scores” (notas altas). Antes, com três ondas valendo cinco um surfista poderia ganhar de outro que tivesse marcado um dez e, depois, por qualquer razão – ondas fechadas ou marcação -, boiado o resto da bateria. Agora vai ficar mais difícil para os medianos.

 

Com isso, a escolha da onda fica mais decisiva em relação ao resultado da bateria. Se por um lado o fator sorte diminui (por depender de menos uma onda), achar uma onda boa – o que muitas vezes é apenas uma questão de estar no lugar certo na hora certa – se torna fundamental para conseguir notas altas e vencer.

 

O aproveitamento da onda também volta a ser valorizado, pois com duas notas somadas qualquer meio ponto se torna decisivo no final.  Finalizar a onda, o estilo, a velocidade e o número de manobras voltam a ser importantes para definir os décimos de ponto que irão decidir as baterias a partir de agora. Conclusão: nosso esporte ficou mais preciso.

 

Quando falamos em precisão, exatidão, lembramos que a responsabilidade dos juizes também aumentou, e estes detalhes subjetivos ganham importância, sugerindo mais atenção, preparo e experiência dentro e fora da água. Em relação às táticas, os técnicos e competidores têm que ficar atentos e ver que existem outras prioridades.

 

Anteriormente, em determinadas situações, sair de uma onda antes de seu final para pegar outra poderia ser uma boa tática. Hoje cada centímetro da onda a ser computada pode ser decisivo. Em Saquarema assisti o Andy Irons, ao final de uma onda, ir reto na espuma e dar um aéreo/360, que certamente lhe garantiu meio ponto a mais.

 

Na minha opinião esta foi uma mudança acertada, pois valoriza os mais capazes e valoriza o espetáculo na busca pela onda campeã, seja pelo seu formato ou pelo desempenho. Como técnico fica mais difícil trabalhar, pois conseguir quantidade sempre foi mais fácil que qualidade. Boas ondas.

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