Bancadas de gelo

Moutinho nem esquenta

O Canadá não é reconhecido pelo potencial no surf. Porém, nos últimos anos, é um destino muito procurado por revistas e grandes marcas com o objetivo de mostrar um lugar de ondas incríveis e condições adversas.


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Além das praias no Atlântico e no Pacífico, o país possui rios e lagos de ondas que podem alcançar 3 metros. O esporte é praticado o ano inteiro, mas é no inverno que aparecem as melhores ondulações;

 

Ao contrário do Brasil, o inverno é bem rigoroso. A temperatura da água pode chegar a zero e a temperatura do ar atinge 10 graus, dependendo do litoral. Devido à grande tecnologia das roupas de borracha, o esporte pode ser praticado ao longo de muitas horas. Nas costas Leste e Oeste, as ondas quebram sobre point breaks, reef breaks e beach breaks.

 

No verão, as ondas são menores. Porém, o clima é mais quente e chega a lembrar o Brasil. No inverno, tudo muda. O surf passa a ser praticado por aqueles que realmente amam o esporte e têm vontade de explorar as ondas mais diversas.

 

Vim morar no Canadá há aproximadamente cinco anos. Desde então, acompanho o crescimento do esporte no país. No início, tudo era muito difícil, por não ter muito conhecimento da área e por não saber quais equipamentos funcionariam melhor nestas condições. Quebrei um pouco a cabeça até me adaptar.

 

Com o passar do tempo, conheci as ondas, as pessoas e, com o apoio de marcas como Rip Curl, Sitka Surfboards e Electric, conseguir iniciar uma vida dependendo do surf e com o objetivo de explorar novos destinos no Canadá.

 

Não conheço muitos brasileiros que surfam por aqui. Gutemberg Cunha, free surfer que mora há dez anos no Canadá, é um dos poucos que vejo surfando nestas águas. Guto, como é conhecido, veio de Niterói (RJ) e por aqui ficou. Pai de família, surfista e representante das pranchas EO (Beto Santos), ele é conhecido no Sul da ilha de Vancouver por dropar ondas grandes nos diversos secrets e desafiar o inverno havaiano, que também frequenta há dez anos.

 

O Canadá é um país de grandes oportunidades e oferece ótima qualidade de vida. Porém, como tudo na vida, é preciso ter força de vontade e garra. Diria que viver do surf por aqui não é uma tarefa fácil. Grandes amigos que vivem no Brasil dizem que sou louco por surfar aqui. Mas, como todo ser humano se adapta a toda e qualquer situação, sou um ser humano feliz e bem aaptado.

 

Minha cidade natal, Rio de Janeiro (RJ), não tem nada a ver com onde eu vivo. Mas igual ao Brasil não existe. Por isso deixo um grande abraço a todos e que sempre busquem o seu objetivo.

 

Hoje em dia vivo um pouco do surf, trabalho como preparador físico e recentemente vivo a loucura e gratificação de ser paramédico, o que não é como dropar uma bomba de 15 metros em Jaws, mas a adrenalina do tratamento em emergência é a mesma.

 

O vídeo acima é uma sessão feita neste inverno. A qualidade das ondas não era das melhores e as condições estavam muito difíceis, mas a experiência de surfar no Canadá está aí para vocês.

 

Agradecimentos Adam Dewolfe, Sitka Surfboards e Rip Curl

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