Indotrip

Moutinho espanta a friaca

Já se passaram cinco anos desde que vim morar no Canadá. Surfei ondas geladas durante grande parte deste tempo. Chega uma hora que não dá mais. Existem coisas que somente um país com clima tropical pode oferecer. E elas fazem muita falta.

 

Este inverno não foi tão rigoroso como nos últimos anos, porém, água fria eu já não aguentava mais. Decidi fazer uma trip com meu irmão e meus melhores amigos. O objetivo era surfar ondas de qualidade e tirar umas férias do frio.

 

Depois de horas de voo, cheguei à Indonésia e encontrei o meu irmão Fred e meus grandes amigos Jorge e Diego, que já estavam em Bali. Tudo certo, galera reunida e pranchas no jeito. Era só esperar o nosso último vôo até o destino final. 

 

Chegamos ao aeroporto. A correria foi geral. No avião cabiam apenas 16 pessoas e o número de passageiros na fila era maior que o numero de assentos disponíveis. Este voo acontece apenas uma vez por semana.

 

Pegamos o ticket de embarque. Mesmo assim, era tudo incerto. A certeza só viria quando estivéssemos sentados no pequeno avião.

 

Nos apressamos para chegar na sala de embarque. Caminhamos até a aeronave. Tudo normal. Quando, de repente, vi que minhas pranchas estavam no chão da pista de decolagem, ao lado do carrinho de malas.

 

Pensei uma, duas vezes. Até que me dei conta que as pranchas iriam ficar. Na mesma hora comecei a agilizar a situação. 

 

O carregador de malas vira para mim e pergunta: “Estas  são suas pranchas?”. Respondi que sim. Com um sorriso falso no rosto, ele avisou que o equipamento só poderia embarcar no próximo voo. Foi uma luta, mas no final embarquei com as pranchas.

 

Finalmente estávamos no point. Nosso amigo, o hospitaleiro Rafael, nos deu um tratamento vip durante os 12 dias de viagem: três refeições incluídas, moto liberada para buscar outras ondas e explorar um pouco da cultura local, além de estarmos acomodados em frente ao pico.

 

Durante as quase duas semanas, rolaram dois swells de tamanho médio, mas que fizeram a alegria do crowd multicultural que povoava o line-up. Cerveja Bintang, sinuca, rede, peixe fresco e camarão foram constantes em nosso dia a dia.

 

Toda história tem seu lado positivo e negativo. Chegou a hora de ir embora. Meu irmão e os caras ficaram mais algumas semanas na Indonésia. Eu voltei para a friaca canadense, com mais uma trip clássica na bagagem. 

 

Confira no vídeo acima alguns momentos desta trip até a Indonésia.

 

Foto da reportagem Arquivo pessoal Felipe Dantas

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