Motta de malas prontas

O ubatubense Paulo Motta está de malas prontas para mais um desafio em sua brilhante carreira. 

Ex-surfista profissional e atual diretor da Abrasp, Federação Paulista de Surf (FPS) e Associação Ubatubense de Surf (AUS), Motta foi convidado para julgar o United States Surfing Championships em Oceanside, Califórnia, e o tradicional US Open em Huntington Beach.

Nesta entrevista, o conceituado juiz comenta sua expectativa para esses eventos.

É a primeira vez que você vai julgar um evento fora do país. Como está se sentindo?

Sempre vem uma ansiedade, pelo choque de culturas e pelo receio das limitações quanto ao idioma. Também tem a preocupação com o que fica aqui no Brasil – minha família, minha loja e alguns eventos.

O Jacob foi um dos primeiros juízes de destaque de Ubatuba. Atualmente, você está sendo referência não só para os juízes locais como os de fora também. Esse reconhecimento o deixa satisfeito? 

Muito mais que reconhecimento, penso que é conseqüência de uma série de ações e posturas que direcionaram minha trajetória.

É sempre gratificante colher bons frutos. É sinal de que sua família lhe deu uma boa educação e princípios sólidos.

O que uma pessoa precisa para conseguir ter sucesso como juiz?

Não existe uma fórmula mágica e nem uma receita teórica que possa ser discriminada, mais existe algum ingredientes que na minha concepção formam um bom profissional, como caráter, disciplina, humildade, feeling (experiência dentro do universo das competições de surf), boa memória e raciocínio dinâmico, conhecimento e domínio sobre a aplicação das regras de julgamento e fé.

O fato de você ter sido surfista profissional o ajudou de alguma forma a ser um bom juiz?

Penso que sim, pois nós (surfistas) desejávamos que os responsáveis pelo julgamento tivessem de alguma forma uma relação intima com o esporte que avaliavam, pois em algumas situações não conseguíamos falar a mesma língua. Em detrimento de uma contusão que me tirou das competições, comecei a julgar e quando era indagado sobre a nota por mim atribuída, conseguia explanar com propriedade sobre o assunto. Nesta questão é que entra o ?feeling?, que é uma tendência em todos os outros esportes, onde ex-profissionais utilizam a experiência adquirida como ferramenta de trabalho.

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Assim como os surfistas brasileiros estão abrindo as portas lá fora, você acha que o mesmo está acontecendo com os juízes?
     
?Sou Brasileiro… nunca desisto!?. Esta frase ilustra muito bem o espírito do nosso povo, aguerrido, que quando tem a oportunidade de fazer bem feito, eleva a enésima potência.

Hoje o sistema de computação da ASP é brasileiro, o Diretor Executivo da ASP é Brasileiro… E aí vai…

Já ouvi você comentar que julgar o Circuito Municipal não é uma tarefa nada fácil. O que o torna difícil?

É um evento com média superior a 200 inscritos de 16 diferentes categorias em três dias, com média de nove horas ininterruptas de julgamento… Precisa dizer algo mais?

Existe algum trabalho sendo feito para capacitar os juízes locais?

Estou preparando um curso para passar os fundamentos básicos sobre o julgamento, porém estou trabalhando em um projeto mais elaborado, tentando agregar imagens que possam elucidar várias situações do livro de regras. Se tudo correr dentro do previsto, entre Agosto e Setembro estaremos ministrando este curso aqui em Ubatuba através da Associação Ubatuba de Surf (AUS) e sob a supervisão da Federação Paulista de Surf (FPS).

Para julgar um evento fora do país existe um preparo a ser feito, como falar inglês. Você acredita que o estudo está diretamente ligado a qualidade profissional de uma pessoa? 

Sempre! Não existe crescimento intelectual sem estudo. O estudo é a base que consolida o individuo, é algo que lhe dá segurança para interagir com outros indivíduos e é através deste conhecimento adquirido que conseguimos exteriorizar nossos dons naturais.

Qual o recado que você daria para aqueles que têm interesse em seguir a carreira de juiz?

Como disse anteriormente, é a soma de vários fatores que produz bons resultados, em qualquer seguimento da vida. Um passado reto nos remete a um futuro de mesma direção, porém acredito que o rumo de nossas vidas pode e deve ser definido no ?agora?. Julgar é uma tarefa das mais difíceis, ainda mais em uma ciência não exata como é o julgamento no surf. Tem de haver ?amor? pelo que se faz, respeito pelo semelhante. Neste mundo capitalista onde o primeiro pensamento é ?quanto que se paga??, a maioria sai frustrada e desiste logo. O caminho é árduo e as oportunidades são poucas, porém existe uma carência por bons juizes e que antes de qualquer coisa, devem ser bons indivíduos… Quem se habilita?

 

 

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