
O número de mortos no terremoto de 7,9 graus na escala Richter que sacudiu ontem o norte do Chile aumentou para 11 nesta terça-feira, ao passo que os feridos já chegam a 130.
As autoridades ainda avaliam os danos materiais no país, considerado um dos lugares de maior atividade sísmica do planeta.
Especialistas da área de saúde afirmaram que a rede hospitalar da região está em boas condições para atender os feridos, embora vários povoados ainda estejam isolados e com problemas de abastecimento de água potável.
As principais estradas da região, inclusive a que une Iquique a Arica, na fronteira com o Peru, estão bloqueadas por deslizamentos de pedras, segundo o Ministério de Obras Públicas.
A Força Aérea transportou hoje aproximadamente 15 toneladas de remédios, barracas, cobertores e outros artigos de primeira necessidade. O terremoto, ocorrido por volta das 18.45 horas de ontem (19.45 de Brasília), teve seu epicentro localizado cerca de 100 quilômetros ao nordeste de Iquique, ao sul da localidade de Chiapa, junto à fronteira com a Bolívia.
O Instituto de Geofísica da Universidade do Chile confirmou hoje que a magnitude do tremor foi de 7,9 graus na escala Richter, com seu epicentro a 111 quilômetros de profundidade.
O terremoto aconteceu devido a um choque entre as placas tectônicas Nasca e Suramerica, que pelo menos uma vez a cada cem anos provocam um tremor no norte do Chile. Por esta razão, os especialistas e habitantes da região há algumas décadas prevêem o chamado “grande terremoto”, que poderia ser acompanhado de um maremoto.
“Este não foi o grande terremoto”, ressaltou hoje Carlos Aranda, diretor do Departamento de Sismologia da Universidade do Chile, que explicou que desta vez o epicentro foi identificado na Cordilheira dos Andes, a mais de 100 quilômetros do litoral, a uma grande profundidade (111 quilômetros) e longe dos centros mais povoados.
Por e-mail, o surfista carioca Evaristo Kiko Ferreira, assíduo freqüentador das ondas chilenas, enviou novo relato sobre a situação no local.
“Até agora foram registrados 11 mortos, 130 feridos, 526 casas danificadas e uma queda de 1.70 centímetros de altura no nível do mar. O terremoto já é considerado o segundo maior da história do Chile. As estradas ainda encontram-se fechadas para trânsito de veículos devido ao desmoronamento de mais de 400 toneladas de pedras em vários pontos. Por enquanto, estou preso em Iquique sem previsão de saída pra Arica, onde tenho que estar até no máximo amanhã para poder embarcar de volta ao Brasil, na quinta-feira, dia 16. Felizmente não temos nenhuma previsão de maiores estragos para as próximas horas. Surfei 4 a 5 pés perfeitos pela manhã em Las Urracas, mas confesso que o mar está bastante estranho. Parece que as marés estão muito altas, variando a cada três horas, o que veio a modificar um pouco a formação das ondas, às vezes um pouco mais cheias e às vezes bem cavadas. Está tudo meio louco por aqui”, relatou Ferreira.
No século passado, cerca de dez terremotos mataram aproximadamente 50 mil pessoas, destruíram inúmeras cidades e deixaram milhões de chilenos desabitados. Um dos maiores tremores ocorreu em Valdívia (sul) no dia 22 de maio de 1960.
O forte abalo, de 9,5 graus na escala Richter (o maior já registrado na história), mudou a geografia de cerca de mil quilômetros da costa chilena, e foi seguido de um maremoto que destruiu vários povoados e chegou ao Japão, onde também fez inúmeras vítimas.
Às 16.30 GMT (13.30 de Brasília) de hoje, um tremor de 4 graus de intensidade surpreendeu os habitantes de Santiago Valparaíso e outros pontos da região central do país enquanto estes acompanhavam a situação no norte.