
Os carros são companheiros inseparáveis dos surfistas na busca da onda perfeita. As montadoras do país já perceberam. Já que a grande maioria dos surfistas mora longe dos melhores picos, nada como um bom carro para encarar a distância até aquela onda.
Pensando em atender a esse imenso público, e na falta de um veículo específico, as montadoras seguem uma tendência mundial e vêm lançando séries especiais.
A bem-sucedida parceria entre montadora e marca de surfwear se globalizou. Com isso, um acordo que começou na França deu bom frutos por aqui também. Enquanto o Peugeot 206 Quiksilver viaja pelas melhores praias do Brasil,

as roupas de surfwear foram desfilar no Salão do Automóvel de São Paulo.
“A série esgotou e a Peugeot está estudando até a possibilidade de transformá-lo em um carro de linha. Foi um sucesso”, conta Felipe Lopes Machado, da Quiksilver.
Apesar de contar com 3,5 milhões de praticantes e de outros milhões de pessoas que se identificam com o universo surf, esse nicho de mercado não justificaria o lançamento de um carro específico no País, por isso a série especial.
Em número limitado, o veículo ganha uma grife e recebe um pacote de acessórios por um preço

fechado e mais acessível.
O Peugeot Quiksilver passeia pelas praias com roda em liga leve, pára-choques esportivos na cor da carroceria com faróis de neblina e rack incorporado.
“A série especial Quiksilver marca um importante momento para a empresa no País. Além de ser um produto exclusivo, ele comemora o primeiro aniversário do 206 1.0 brasileiro e representa o início de produção do 1.6 nacional” previa Guillaume Couzy, diretor de marketing da Peugeot do Brasil, no lançamento do carro, em 2002.
A experiência recente da Volkswagen do Brasil com o surfe também não é nada desprezível. No passado, a montadora ofereceu várias versões para o mercado surfe: Passat e Parati Surf, Sunset, entre outros.
“Vimos no surf um público consumidor importante. Sabemos do potencial desse mercado e que o negócio de surfwear fatura muito. As vendas da Saveiro SuperSurf superaram nossas expectativas. Não esperávamos e até lançamos uma segunda edição da série”, diz Sérgio Szmoisz, gerente de propaganda e web marketing da Volks.
O executivo conta que a empresa até aumentou a produção, “mas já atingimos o limite de uma série especial. Não queremos ultrapassá-lo”.
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“Acredito muito nesse mercado, que é grande e bastante profissional”, diz Szmoisz. Para ele, esse é um mercado muito maior do que aparenta.
“O desejo de ser surfista é imenso no País. Procuramos focar no cara que gostaria de ser surfista”, acrescenta.
A parceria da Volks com a Trip também está esgotando nas revendas. O Golf Trip foi destinado a um público de espírito jovem, que cresceu, tem entre 30 e 35 anos, mas continua gostando de esporte.
“A Volks buscou legitimidade para falar com esse público. O acordo reforça posicionamento da

marca de várias maneiras. E o endosso de uma marca como a Volks é um reforço na nossa credibilidade”, diz Antonio Carlos Soares, diretor de planejamento e de novos negócios da Trip Editora e Propaganda.
Quem ganha mais nessa história, a montadora que vende mais ou a marca que tem, às vezes, algum retorno financeiro, e milhares de carros rodando por aí com seu logotipo?
Ganham os dois, diz Evandro Abreu, gerente de produtos da Editora Abril e responsável pelo SuperSurf. “A montadora acaba falando com um público jovem do qual estava meio distante. E a parceria ajudar a fortalecer a nossa marca.”

Abreu conta que grandes patrocinadores potenciais ficavam em dúvida na hora de investir no Circuito Brasileiro de Surfe Profissional. “A entrada da Volks serviu como um aval. Dá uma chancela de credibilidade ao evento, atraindo grandes patrocinadores. A Volks está com a gente há dois anos. Depois entraram Tim e Garnier.”
Para ele, a Volks contribuiu não só com o evento, mas para o esporte como um todo. “Ela acreditou e está atraindo outras empresas para o setor.”
Íntima do mercado, a Volks oferece uma Saveiro SuperSurf para o campeão de cada uma das etapas, além de uma para o campeão e campeã

do Circuito Brasileiro SuperSurf.
Se algumas montadoras daqui miram boa parte de sua munição especificamente nos surfistas, há as que abordam um alvo bem mais amplo, mas acabam agradando esse mercado.
“Acompanhamos a tendência do consumidor jovem, não especificamente do surfista, já que queremos atingir um público maior. O EcoSport não foi feito especialmente para os surfistas, mas para quem gosta de lazer junto à natureza. O carro é para pessoas ligadas em natureza, que querem sair do dia-a-dia das grandes cidades. Ele te leva para ter prazer”, diz Natan Vieira, gerente de marketing do Ford EcoSport.
Um dos pontos altos desse carro lançado há poucos meses é a flexibilidade: dá até para carregar a prancha dentro.
E no lançamento do Fit, a Honda também abusou das imagens de praias, surfistas e pranchas no rack e dentro do carro. “Na verdade, a Honda não está investindo nesse mercado, apenas sugeriu na campanha publicitária que o público surfista cabe no Honda Fit, devido principalmente à personalidade do carro (jovem, moderno e esportivo) e claro à versatilidade dos bancos, informa a Honda.
Já no plano externo, a Honda foi além. Uma das últimas etapas do WQS nos EUA foi patrocinada pelo novo Honda Element, uma minivan que ainda não é vista circulando no Brasil.
Outra montadora atenta ao surfe é a Fiat. “Temos alguns produtos bem direcionados para esse público, mas não específicos”, diz Carlos Henrique Ferreira, assessor técnico da montadora.
Para ele, os carros da linha Adventure (Palio Weekend e Strada) têm espírito esportivo, aventureiro. Agora, a Fiat tem planos de lançar uma Doblò Adventure e não esqueceu dos surfistas. “O carro é muito versátil. Os bancos rebatem e dá pra levar uma prancha dentro”, diz Ferreira.
E o negócio dos carros com o surfe não vai parar por aí. Uma outra parceria que começou na França pode acabar se materializando por aqui. Gilberto Neuman, gerente de marketing da Renault do Brasil, conta com o sucesso em vendas do Clio Billabong na Europa para apostar no surfe daqui.
“O surfe tem muito a ver com a fatia de mercado que a Renault busca alcançar. E é uma parte de nossa estratégia global.” Por isso a montadora apóia o Circuito Universitário de Surfe, além do Billabong Girls.
“O surfista tem necessidades próprias, diferentes de uma família, por exemplo, e queremos conhecer essas necessidades. Estamos participando mais ativamente para conhecer esse mercado e suas necessidades.”
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Dodge Kahuna, um carro de sonhos – Se as montadoras dão um jeitinho para atender as necessidades dos surfistas, lançando séries especiais, a Chrysler americana foi muito além com o Dodge Kahuna
Com design inspirado em velhos modelos que rodam pelas praias da Califórnia ao som de Beach Boys, o Dodge Kahuna é uma minivan para seis pessoas, ideal para os esportistas mais radicais.
“Pessoas ativas e de espírito livre exigem veículos flexíveis, com espaço adequado para o equipamento, mas com estilo. O Kahuna veio atender essa demanda”, diz Trevor Creed, vice-presidente de design do grupo Chrysler.

De alma aventureira, o Kahuna vem com motor 2,4 litros, com turbocompressor, que desenvolve 218 cv de potência, e câmbio automático de quatro marchas.
Essa mistura de utilitário esportivo com minivan esbanja estilo, ou seja, é retrô ao lembrar as antigas peruas, e ao mesmo tempo arrojado, pelo design arrojado.
As linhas externas do carro surpreendem por sua “força”: rodas exageradas, frente que lembra um caminhão pequeno, além dos característicos faróis redondos e a grade dianteira.
O exterior, em azul “Point Break”, traz um

laminado que lembra madeira nas laterais. O mais surpreendente é o teto, de lona cinza/prateada transparente e resistente a água.
O teto é totalmente retrátil, sendo deslocado para a traseira do veículo. Além disso, as janelas não possuem molduras, conferindo maior visibilidade. Quando os vidros são abaixados, forma-se um grande vão livre nas laterais.
O interior traz tecidos em dois tons de azul, mantendo o espírito de praia. Detalhes nas portas e nos bancos lembram as ondas. Há três fileiras de bancos flexíveis, com dois que podem se transformar em mesa.
Com uma caranga destas, nenhum surfista pode se recusar a percorrer quilômetros e quilômetros atrás da onda perfeita. Agora só falta torcer para o Big Kahuna ser importado para barcas pelos melhores picos do Brasil.