
Após quatro meses trabalhando e treinando nas ondas do Hawaii para a Tow In World Cup, em que tenta o bicampeonato mundial, o big rider Rodrigo Resende fala, em entrevista exclusiva, sobre o clima e as dificuldades no Hawaii, o treinamento para o campeonato, relação com patrocinadores e a parceria com Danilo Couto, que concorre ao prêmio do Billabong XXL com uma onda em Jaws.
Como estão as expectativas para o Billabong XXL, depois de você ter rebocado o Danilo Couto naquela bomba em Jaws?
Espero que ele ganhe o XXL, pois além de bom amigo é muito bom e merece há muito tempo ganhar um evento deste. O Danilo, apesar de seu talento, continua sem patrocínio, e está tendo que se virar nas horas vagas. Também estou dando uma força para ele, gostaria de fazer um apelo aos empresários brasileiros: abram seus olhos!
Como você recebe a pressão de ser o atual campeão mundial de tow-in?
Não penso muito na pressão de ser campeão, pois quando você está num mar daqueles só pensa em surfar e se dar bem. Acho que o bi campeonato, se vier, vai ser muito maneiro, uma conseqüência, estou treinando muito pra isto.
O campeonato ainda pode acontecer?
Acho que não, pois o inverno está chegando ao fim e outro mar gigante como teve em janeiro vai ser muito difícil. Mas em se tratando de Hawaii, tudo pode acontecer, basta uma nova tempestade.
Como você lida com o fato de ser considerado como um dos maiores ídolos do big surf?
Não fico pensando muito nisto, penso apenas que ainda tem muita onda grande que eu quero descer e descobrir ao redor do planeta. O resto, deixo para o meu empresário, Vitor Alves, observar e cuidar.

Qual a sua tática para se manter entre os tops?
Treinar muito e sempre estar dentro da água quando o mar está grande.
Na sua opinião, qual a melhor onda do planeta?
Jaws, na ilha de Maui, Hawaii.
Você segue alguma rotina de treinamento?
Não especificamente, apenas tento utilizar o talento que Deus me deu. Se tem onda surfo, se não, tento me manter com Yôga, alongamento, apnéia, qualquer outra coisa.
Como foi o surf em Maverick’s nesta temporada?
Bom, devia ter uns vinte pés e botei pra baixo, deixei o corpo cair. Estava junto com o Danilo Couto, Marcelo Biju e outros brasileiros, foi muito divertido, um puxando o outro.
Quais são as expectativas da dupla para 2004?
Surfar muito, desbravar novas ondas…
O que você achou do apoio da rede Globo aos surfistas de ondas grandes nesta temporada?
Era o que estava faltando para o surfe de ondas grandes, o reconhecimento que ele merece. A própria emissora se impressionou com os números do Ibope no Jornal Nacional, teve uma matéria minha em Maui que bateu recorde de audiência em e-mails recebidos. Já me ligaram para fazer outra no Esporte Espetacular. Só temos a agradecer ao Claudinho (Marques, produtor executivo) e à Mariana (Becker, repórter).
Como é o dia-a-dia em Maui?
Tranqüilo, com muito surf. Mas o custo de vida é alto, e apesar de receber em dia o salário dos patrocinadores, Red Nose, Cannon, Gzero & Bennett Foam, tenho que trabalhar. Pra tirar um troco extra, faço o transporte de entulhos de obras com a picape que tenho aqui. Maui é uma das ilhas mais caras do mundo. Além disso, temos um alto custo com alimentação e hospedagem, jet-ski, gasolina, óleo, manutenção e mecânica, seguros, despesas com o carro, deslocamento e hospedagem para picos como Maverick’s e Todos os Santos, compra de fotos e filmes gerados nesses picos. Sem falar que neste ano uma cia. aérea perdeu minha mala com todos os pertences e demais materiais (máquina digital, filmadora, jogos de quilha, roupas de borracha, tubo de oxigênio e outros itens pessoais). Também tenho que manter a minha casa e carro no Rio, ajudar minha mãe, mandar uma grana por mês para a minha filha que vive em Nova York e, para finalizar, recebemos em real, que é impotente frente ao dólar. Não estou reclamando dos patrocinadores, pelo contrário, só tenho a agradecer. Mas, aqui a vida é dura e quando o mar está flat e aparece uma oportunidade de fazer um dinheiro fácil, não posso me dar ao luxo de deixar passar, pois o custo de fazer tow-in em Maui é altíssimo. Quando isto tudo terminar eu não terei juntado dinheiro nenhum, pois não sobra. Fico apenas com os tubos e as amizades que fiz pelo caminho.
Na sua opinião, qual o ponto forte do seu surfe e o que tem que melhorar?
A linha que eu consigo fazer nas ondas grandes é um diferencial. Acredito que as pranchas podem melhorar, no mais é só agradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu.
Perfil
Nome: Rodrigo Resende Rodrigues
Idade: 36 anos
Patrocínio: Red Nose, Bennett Foam, Gzero, Cannon
Local de treino: Jaws & Maverick’s
Música antes do surf: O Rapa
Música depois do surf: Raul Seixas
Rango: Qualquer coisa nutritiva
Manobra preferida: Tubo
Pior adversário: Todos são bons, acho que não tem um pior, respeito todos
Melhor viagem: Maui, quando fui campeão mundial de Tow In
Pior roubada: Quando perdi o vôo para Filipinas e acabei indo sozinho encontrar com os amigos. Fiquei três dias em Manila por causa de um tufão que entrou e eu não sabia quando eles iriam abrir o aeroporto
Melhor surfista: Admiro todos
Idade que começou a surfar: 12 anos
Quando não tem onda gosta de: Jiu-jitsu