Molecada desembarca de mala feita

Depois de 30 dias surfando ondas de sonho no Hawaii, os jovens surfistas Júlio Terres, 11, Santiago Muniz, 11, Cauê Wood, 12, Victor Borges, 13, e Bruno Rodrigues, 16, retornaram ao Brasil no último dia 19 de fevereiro.

 

Foi a primeira experiência destes jovens surfistas, patrocinados pela Mormaii, nas poderosas ondas havaianas.

 

A garotada não fez feio e encarou todas as adversidades do local e das ondas. Entre os principais picos surfados, Velzyland era o preferido, oferecendo ondas tubulares e perfeitas para o aperfeiçoamento das manobras e tubos.

 

Pipeline foi o principal desafio, onde eles sentiram a verdadeira adrenalina de uma das esquerdas mais temidas e poderosas do mundo.

 

Todos ficaram na casa Mormaii em Velzyland, supervisionados por Pedroca de Castro, instrutor de Yôga do CT Arágua que foi designado para cuidar da molecada.

 

Sempre cedo, Pedroca comandava as seções de Yôga no gramado da casa para os meninos, que com muita disciplina realizavam o treino, para depois surfarem. Na casa estava também Morongo, proprietário da Mormaii, e família.

 

Júlio Terres foi um dos mais atirados da trip. Com apenas 10 anos e muita disposição, Julinho impressionou a todos pela coragem de encarar ondas, em que muito marmanjo pensaria duas vezes antes de remar.

 

Em um mar de 12 pés, Terres não pensou duas vezes e dropou grandes esquerdas, impressionando muitos surfistas que estavam na água. “O Derek Ho e o Tamayo Perry, dois surfistas havaianos de renome, ficaram impressionado com um surfista do meu tamanho pegando onda num mar daqueles. Falaram para eu tomar cuidado com o pico, que era bem perigoso”, disse Júlio.

 

Ele ressaltou ainda o sufoco que passou ao levar uma série na cabeça em Pipeline. “Tomei algumas ondas de uns 6 pés (cerca de dois metros) na cabeça, fui pro fundo, mas deu tudo certo”, disse Júlio. Outra peripécia do garoto foi surfar Sunset 12 pés com uma prancha 5’11. “Dropei uma bem grande da série, uma direita pesada que fiquei impressionado”, declarou.

 

Confira um bate-papo com Júlio Terres sobre as impressões da primeira temporada havaiana.

 

 

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O que mais te chamou atenção nesses trinta dias de Hawaii?

 

As ondas, que são muito boas e constantes. Todo dia tinha onda, em todos os lugares.

 

Quais os principais picos que surfou?

 

Surfei nos principais picos do North Shore. Pipeline, Sunset, Rocky Point, Waimea. Deu pra aproveitar bastante toda essa viagem e me aperfeiçoar em todas as ondas.

 

Qual foi o maior mar que encarou?

 

Entrei e surfei num mar de 12 pés (cerca de 4

metros) em Sunset e Pipeline. Senti um pouco de medo, pois era primeira vez que entrava em Pipeline, onde surfei duas vezes, e fiz várias quedas em Sunset, picos que só via em revistas de surf e vídeos. Deu pra se acostumar bem com as condições. Ouvi vários comentários de surfistas mais experientes, com mais temporadas havaianas. Eles não acreditavam que um moleque da minha idade e tamanho poderia dropar ondas fortes e perigosas como Pipeline e Sunset. Eles me aconselharam várias vezes para tomar cuidado, que não era brincadeira.

 

Passou algum sufoco nesses mares grandes?

 

Tomei uma série pesada em Pipeline, bem na lata, de uns 6 pés, um pouco mais de 2 metros. Não fiquei com medo. Só tomei aquela pancada na hora, fui pra cima, e a onda me puxou de volta e fiquei embaixo da água, mas no final foi tranqüilo.

 

O que o Morongo achou da performance de vocês lá?

 

Ficamos hospedados junto dele e sua família. Ele ficou impressionado com nossas atuações, porque ele nunca tinha visto moleques de nossas idades caindo em Sunset, Pipeline e outras ondas cascudas no Hawaii. Ele já tinha ouvido falar da gente, mas nunca teve convivência.

 

Como foi surfar Sunset, que é uma onda pesada, forte e perigosa?

 

Foi uma emoção muito grande, entrar lá, ficar no canal e ver os caras pegarem aquelas morras. Dá pra sentir que a onda é muito forte mesmo. Pode-se ficar três horas dentro do mar, sem molhar o cabelo, sentado no canal, só observado. Mas também, quando se pega a onda, é casca. Dropei uma onda muito grande da série, que até eu mesmo me impressionei. A prancha que usei era 5’11.

 

Quais os surfistas que mais te impressionaram?

 

Tamayo Perry, Derek Ho, Jame O’Brien e Pancho Sullivan, todos havaianos.
 
E a agora, de volta a vida normal em Floripa, como vai ser?

 

Espero voltar lá no ano que vem, pra continuar minha evolução em ondas fortes e conhecer outros picos. Aqui a diferença é muito grande das ondas de lá. Quando o mar ficar grande aqui em todos os picos, vou utilizar o que aprendi nessa temporada havaiana que passei, para me sentir mais à vontade e poder surfar ondas grandes por aqui.

 

Qual foi o aprendizado que você tirou após essa primeira temporada havaiana?

 

Eu já me jogava em ondas grandes, mas agora me acostumei mais a dropar ondas maiores, ganhando um pouco mais de experiência. Agora vou continuar a procurar ondas grandes aqui no Brasil e continuar dropando.

 

Confira galeria de fotos da barca.

 

 

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