
O jornalista inglês Bruce Boal, webmaster do Surfers Village.com, um dos principais sites da Europa, cobriu o Billalbong Pro Junior na Austrália e ficou bastante impressionado com o nível dos brasileiros Adriano Souza e Simão Romão, sobretudo Adriano “Mineirinho”, campeão com apenas 16 anos.
Depois de uma troca de emails com a redação do Waves.Terra, Bruce Boal foi convidado para dar seu ponto de vista sobre Adriano Mineirinho e escreveu esse texto bacana a seguir.
Adriano de Souza foi o segundo destaque brasileiro no Pro Junior. Não por seu talento, mas pelo fato de a bateria dele ter entrado depois da disputa de Simão Romão.
Romão chamou a atenção de todos. Ele teve uma ótima primeira bateria, pegando as melhores ondas e estabeleceu um alto padrão para a representação brasileira.
Ele deixou os locutores muito impressionados, provocando muitos comentários favoráveis.
Quando Adriano entrou na água, o público estava pronto para ser premiado com uma boa performance.
Bem, Adriano não deixou por menos e surfou tão bem ou melhor que Simão, fazendo os locutores falarem um monte sobre os surfistas brasileiros.
Havia consenso de que Simão e Adriano eram os dois a serem observados cuidadosamente, assim como era óbvio que ambos tinham talento e capacidade para ir longe na competição.
Para a maioria do público e dos competidores – que nunca haviam surfado contra eles – os brasileiros representavam o desconhecido e eram perigosos.
O resto é história. O dois surfaram com excelência, mas Adriano estava em ótima forma e rumou para as finais. Só ele conseguia achar as ondas e aproveitava todas as oportunidades.
E em uma das melhores ondas válidas, executou cinco, seis, sete manobras. Eu esqueci a quantidade de manobras, mas foi a melhor onda do campeonato.
Na final, ficou claro que os dois competidores mereciam estar lá e ambos eram talentosos. Porém, a determinação para encontrar uma onda de maior potencial para executar manobras deixou claro que Adriano poderia vencer, o que ele conseguiu até com certa facilidade.
Foi notável sua postura e atitude no pódio. Ele falou, em inglês, de uma forma muito mais profissional que qualquer outro surfista que eu já tenha ouvido falar num pódio.
Ele estava irradiante e equilibrado para agradecer a Deus pelo evento. Aquele foi o dia dele e ele fez por merecê-lo.
Estou certo de que ele tem muito futuro. E que os surfistas júnior do mundo estarão de olho, como se ele fosse o próximo Slater.