Aventura feminina

Milazzo dropa no Panamá

Roberta Milazzo cava forte em Santa Catalina. Foto: Richard.

Há algum tempo não viajava para pegar onda, ainda mais para o exterior, pois tenho que conciliar férias do trabalho e faculdade e também escolher um lugar que tenha boas ondas em julho.

 

Optei pelo Panamá, mais precisamente Santa Catalina, uma direita perfeita, longa, que quebra em fundo de pedras vulcânicas e de altíssimo nível.

 

Depois de checar as informações do lugar com alguns amigos e tudo acertado, embarquei para a cidade do Panamá e, após sete horas de vôo, cheguei ao meu destino. Foi só colocar o pé fora do aeroporto para sentir aquele ar quente, clima mais que tropical de um lindo dia de sol.

 

Depois do avião, são mais seis horas de carro (400 km) até o vilarejo

Roberta curte o visual da pousada no Panamá. Foto: Arquivo pessoal.

de Santa Catalina, que se resume a uma rua, quase sem movimento,

com pessoas transitando como se a estrada fosse calçada, cachorros deitados no asfalto, um telefone público e uma vendinha. E só!

 

Mas eu já sabia que existiam alguns restaurantes bem legais, freqüentados pelos surfistas e turistas estrangeiros. Sem dúvida a badalação era na pizzaria dos italianos, point não só dos ?gringos? mas também da galera local.

 

Toda noite as pessoas iam saborear a deliciosa pizza, tomar uma cerveja, falar das ondas do dia e também ver as fotos tiradas pelo fotografo local ? Richard – um americano radicado em Catalina há alguns anos e que faz fotos da galera pegando onda.

 

Aliás, uma coisa engraçada, é que ao se chegar no restaurante, você se depara com o pizzaiolo é lembra que foi ele que pegou aquela onda alucinante, já o garçom é aquele cara que tirou um tubinho maneiro e o ajudante é um dos moleques locais que arrebentam.

 

Enfim, só cheguei na pousada no final do dia e minha opção de hospedagem não poderia ter sido melhor. A Pousada Surfer´s Paradise, do Brasileiro Ítalo, estabelecido no Panamá há muitos anos, é a mais bem localizada e fica de frente para o pico. É só descer uma escadinha e você está com pé na água, ou melhor, na pedra, sem falar no visual sensacional do lugar.

 

Por sorte cheguei junto com o swell! Catalina estava flat há quase duas semanas e se não tem onda, não há muito o que fazer por ali. No início as ondas estavam pequenas, algo em torno de meio metro servido, mas já dava para sentir o potencial da onda, e também das pedras. O mar foi subindo, subindo e o maior dia quebrou com ondas de mais de dois metros.

 

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Roberta Milazzo posa na bancada de rocha vulcânica de Santa Catalina. Foto: Arquivo pessoal.

Infelizmente, junto com as ondas vem o crowd. Como o pico é point break, fica difícil. Além disso, a galera local arrebenta e monopoliza o pico, então você tem que esperar bastante para conseguir pegar uma onda boa. Teve um dia que eu contei 35 pessoas dentro d´água!!

 

Mas vale a pena ver aquelas ondas perfeitas, uma direita como eu nunca vi, parece que ela faz uma ?esquina?, e vai abrindo, abrindo e você vai embora.

 

Quando a onda finalmente acaba, você se dá conta que foi parar muito longe, braços e pernas não respondem mais, mas você ignora tudo e volta para pegar outra onda, e outra e mais outra.

 

Em Catalina, só se surfa com a maré subindo, maré alta e logo depois que ela começa a vazar, pois a onda quebra na bancada de pedras e

E devora o cardápio da pizzaria local. Foto: Arquivo pessoal.

conforme a maré baixa, a pedra fica cada vez mais exposta.

 

Se não tomar cuidado, ela pode aparecer na sua frente quando você estiver na onda! Por esta razão, eu ficava dentro da água, de três às cinco horas. Lá é preciso aproveitar o máximo, pois só se pega onda uma vez por dia em função da maré e depois não tem mais!

 

Quando o surf acaba, é bem verdade que não há muito que fazer. Mas o lugar é relax total e itens obrigatórios nesta viagem são livros, revistas, mp3 player, que ajudam a passar o tempo enquanto a hora do surf não vem ou já passou. Um passeio legal é uma caminhada pela praia de areias negras ?El Estero?, um beach break que fica ao lado de Santa Catalina.

 

Mesmo com o swell diminuindo, continuava dando altas ondas e curiosamente o crowd também deu uma melhorada. Tive o privilégio de cair com seis pessoas no pico e ondas em torno de um metro. Depois descobri que havia uma festa na província mais próxima e todo o povoado de Santa Catalina foi para lá, inclusive os surfistas! Que sorte!

 

Meu vôo de volta para o Brasil saía de manhã, por isto, eu teria que dormir uma noite na cidade do Panamá. Como as ondas foram acabando, resolvi conhecer a cidade, fazer umas compras e, lógicamente, ver uma das grandes maravilhas da engenharia mundial: o Canal do Panamá.

 

A cidade não é muito grande, os arranha-céus de vidro dominam a paisagem e o trânsito é um pouco confuso. Seus ônibus locais, os ?diablos rojos?, com suas pinturas incríveis, são uns dos grandes responsáveis pelo tumulto, mas são lindos! Tem também a parte antiga da cidade chamada de ?Casco Viejo? com seus casarões coloniais, ruínas e igrejas que valem a pena uma visita.

 

Infelizmente, o que é bom dura pouco e chegou a hora de voltar. Na lembrança ficam aquelas ondas incríveis e o visual fantástico do deck com as ondas de Santa Catalina ao fundo, além da vontade de voltar muitas e muitas vezes!

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