Miguel Pupo

100% recarregado

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“A confiança para 2015 é enorme, sabendo que posso chegar no topo”, avisa Pupo. Foto: Pedro Gomes
 

O sucesso dos brasileiros no mundo do surf está em seu nível extremo. O Brazilian Storm vem sendo destaque no WCT e no WQS e, no fim de 2014, Pipeline ficou verde e amarela por 12 dias. As manobras dos nossos atletas fizeram nossa nação vibrar como um grito de gol, de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Para quem começou a acompanhar agora, tudo até parece bem fácil. Mas para quem tá lá dentro, seja no outside, nas viagens cansativas, nas trocas de fuso, no treinamento duro e na variação absurda de tipos de onda, mais uma guerra está para começar.

Para Miguel Pupo, representante do HB Team no WCT, 2014 foi um ano de mudanças. Depois de uma cirurgia determinante, consegue respirar e ter fôlego como nunca. Para quem não sabe, o surfista sofria com a falta de ar e nem os médicos conseguiam explicar como ele conseguia ser um profissional e estar na elite mundial.

Nos primeiros meses, a respiração foi voltando, o backside afiando, os resultados aparecendo e a “porteira” fechando. Entre vitórias como contra Josh Kerr, em Snapper Rocks, e desafios como a primeira onda em The Box, Pupo foi se mostrando mais monstro do que nunca. E se depender da confiança e fome de surf, 2015 será seu grande ano.

Enquanto nosso surfista voa pra Austrália, dá uma olhada na conversa que tivemos com ele e saiba tudo sobre suas expectativas para o ano que vem por aí. 

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Miguel Pupo mostra estar preparado para a perna australiana do WCT e do WQS. Foto: Dimulle
 

Competindo no WCT, você é forçado a ficar uma boa parte do ano longe da família. Qual é a importância de passar um tempinho em Maresias antes de mais um ano de viagens longas?

Posso recarregar as energias, ter o apoio da minha família e dos amigos mais próximos. Isso tudo me dá gás e motivação para trabalhar firme, aguentar a saudade de casa e lutar pelos bons resultados.

Hoje em dia, gravar as sessões de free surf é uma prática muito comum para um surfista profissional. É importante poder assistir a tudo em vídeo para a evolução nas manobras? A sensação muda quando tem uma câmera na beira?

O surf, assim como todos os esportes, sempre evolui na parte física, mental, estratégica, manobras, etc. Sempre temos que estar evoluindo. Os vídeos ajudam nisso. Vemos onde podemos melhorar e o que podemos tentar de novo. Quando tem uma câmera filmando, não muda muito pra mim. Tento ficar focado no que devo fazer independente do externo.

O número de brasileiros no WCT vem crescendo cada vez mais. Qual é a importância do Brazilian Storm como um time, sempre se apoiando nas baterias?

Ganhamos um respeito muito grande nos últimos anos. O número de brasileiros no Tour é bom, pois mostra a evolução do surfista brasileiro. É bom ter nossos amigos competindo junto e torcendo um pelo outro. Mostramos uma união, o que não é comum nos outros países.

Tirando os brasileiros, quais são os três adversários mais perigosos do WCT 2015?

Não tem como enumerar dessa forma, todos estão ali por terem condições de complicar a vida de qualquer um. Competir com JJF, Mick Fanning, Kelly, Taj, etc, é sempre complicado.

Todo mundo diz que o Kelly Slater faz um jogo mental muito forte nas baterias. Daria pra nos dar um exemplo de alguma coisa que ele já fez contra você?

Acredito que não tem algo em específico que ele usa. Acho que quando falam de jogo mental é baseado no seu poder de surf e de poder virar qualquer bateria no último minuto. Isso faz com que a gente fique 100% em atenção até o último segundo da bateria. Tudo pode acontecer em uma bateria com o Kelly.

No fim de 2013, você encarou uma cirurgia e, em 2014, uma recuperação. Estar com a capacidade respiratória muito melhor te dá mais confiança para o ano que está por vir? Já dá pra sentir a diferença?

A diferença é muito nítida. Consigo dormir tranquilo e respirar pelo nariz. A confiança para 2015 é enorme, sabendo que posso chegar no topo.

A partir do dia 7 de fevereiro, você competirá pela primeira vez em 2015, mas pelo WQS. Qual é o grau de importância do Australian Open of Surfing pra você?

É uma competição de alto nível. Teremos muitos surfistas do WCT competindo. É bom para aquecer para a primeira etapa do Tour.

No ano passado, você se saiu muito bem nas primeiras etapas do WCT e acabou dando uma escorregada no Rio Pro. O que muda para este ano? Veremos um Miguel mais estrategista nas baterias?

Procurei analisar todos os erros e acertos dos últimos anos. Acredito que esse ano chego mais maduro. Procurei treinar muito, tanto na parte mental como estratégica. Espero ter um ano muito bom.

Nos últimos anos, algumas coisas mudaram no WCT e a imagem do atleta passou a ser muito mais valorizada pela organização e pelas marcas. O que representa a mudança da ASP para WSL para você?

Cada ano que passa, tudo vem se profissionalizando mais. O esporte vem ganhando uma proporção enorme. Isso faz com que a gente pense sempre em melhorar e ter uma equipe por trás nos dando suporte e maior profissionalização. Tudo para acompanhar a evolução da WSL e da modalidade.

Agora é esperar pra ver! Dia 9 começa o Australian Open of Surfing, em Manly, etapa do WQS valendo 6.000 pontos. As baterias já foram definidas e Pupo entra no round 2 contra o americano Dillon Perillo e mais dois surfistas que avançarem do round 1. Acompanhe o evento ao vivo pelo site clicando aqui e use a hashtag #VoaPupo pra mandar seu apoio ao nosso atleta. 

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