Michael Lowe devora o Quiksilver Pro

Famoso pelo apetite, o australiano Michael Lowe saboreou toda a extensão das direitas de Snapper Rocks e foi o grande vencedor do Quiksilver Pro, etapa de abertura do WCT encerrada nesta sexta-feira (12/03) com ondas de 1 metro.

 

Depois de soltar as tradicionais bombas de backside em várias baterias, Lowe bateu o bicampeão mundial Andy Irons na decisão, totalizando 17.34 pontos, contra 14.16 do havaiano. Com a vitória, Mick embolsou US$ 30 mil e largou na frente da briga pelo título mundial de 2004.

 

“Eu vi o Parko (Joel Parkinson) e o Dingo (Dean Morrison) vencerem aqui nos dois últimos anos e confesso que fiquei com ciúmes das vitórias deles”, confessou Lowe, logo após ser carregado pela torcida que lotou o último dia de disputas na Gold Coast.

 

“Finalmente chegou a minha vez e começar o ano batendo o campeão do mundo na final é sensacional. Eu não tinha certeza que os juizes iriam computar a onda que foi a minha melhor na bateria, porque a prioridade era do Andy. Mas, quando eles anunciaram a nota 9.17 e que o Andy precisava de um 9.51 para me vencer, comecei a sentir o gostinho da vitória. Foi um dia inesquecível para mim, pois fazer uma fila com Kelly, Knox e Andy, tudo num só dia foi insano”, vibrou Lowe, que havia vencido pela última vez no WCT em 2002 nas Ilhas Fiji.

 

Uma das vítimas do backside animal do aussie gordinho foi o norte-americano Kelly Slater, que vinha de brilhantes atuações no evento e foi despachado por Michael nas quartas-de-final, quando precisou de uma combinação de notas para vencer.

 

O norte-americano Taylor Knox e o australiano Tom Whitaker foram barrados nas semifinais por Lowe e Andy, respectivamente, e terminaram empatados na terceira posição.

 

Depois de destruir o aussie Taj Burrow nas oitavas, o brasileiro Victor Ribas foi injustamente barrado pelo yankee Taylor Knox nos últimos instantes das quartas-de-final. Com o resultado, Vitinho ficou com a quinta posição e terminou como o melhor brazuca na competição.

 

Totalmente encaixado em Snapper Rocks, o cabofriense quebrou tudo de backside em sua terceira onda e recebeu apenas 8.00 pontos. O confronto estava equilibrado, com Ribas na liderança durante boa parte do tempo, até que nos últimos segundos, precisando de uma nota 8.04 para virar, Taylor pegou uma direita e marcou 8.50 pontos, em uma performance nitidamente inferior a do brasileiro em sua melhor onda, muito mal avaliada pelos juízes, pois o 8.0 do Vitinho poderia perfeitamente ter sido um 9.0.

 

“Estou muito contente pelo quinto lugar. Eu fui derrotado pelo Taj Burrow nos meus dois melhores resultados no último ano e fiquei amarradão por ter conseguido derrotá-lo desta vez, já que ele é sempre um adversário muito difícil de ser batido”, falou Vitinho, que faturou US$ 5 mil e 600 pontos no ranking.

 

Dos cinco brasileiros que chegaram ao dia decisivo, quatro foram eliminados logo nas oitavas-de-final. O primeiro a cair foi o paranaense Peterson Rosa, derrotado pela surpresa australiana Tom Whitaker.

 

Peterson estava vencendo o duelo, mas sofreu uma dura virada ao impedir a trajetória do aussie numa onda que não renderia aquilo tudo. Como o “Bronco” tinha a prioridade naquele momento, Whitaker saiu da onda mas acabou se dando bem. Logo atrás vinha a melhor da onda bateria, que rendeu 8.83 pontos para o aussie e acabou com as esperanças do paranaense.

 

Em seguida, foi a vez do niteroiense Guilherme Herdy cair diante do hexacampeão mundial Kelly Slater. Herdy começou na frente com várias pauladas de backside para arrancar 9 dos juízes, mas logo depois o “fenômeno” resolveu entrar em ação. 

 

Surfando com muita garra e velocidade, Slater dilacerou as ondas de Snapper Rocks e disparou na liderança da bateria, deixando Guilherme precisando de uma combinação de ondas para reverter a situação. Com notas 9.10 e 9.93, Kelly atingiu a incrível marca de 19.03 pontos, de vinte possíveis, contra 15.17 do brazuca.

 

Na seqüência, numa bateria de poucas ondas, Neco Padaratz caiu diante de Michael Lowe nos últimos minutos. E na última bateria das oitavas, Paulo Moura não conseguiu superar Taylor Knox.

 

Aparentemente insuperável, o recorde do norte-americano foi batido pelo havaiano Andy Irons na fase seguinte. Andy deu um verdadeiro show contra o aussie Jake Paterson, protagonizando mais uma épica atuação nesta sexta-feira.

 

Com pauladas, tail slides e 360s, o bicampeão do mundo destruiu duas ondas incríveis e foi recompensado pelos juízes com um 10 e um 9.63, acabando com as chances de Paterson.

 

Na próxima semana começa uma série de três eventos seguidos do World Qualifying Series (WQS), que serão realizados em Sydney, Newcastle e Margaret River.

 

O Rip Curl Pro vai fechar a fortíssima “perna australiana” nos dias 6 a 16 de abril em Bell’s Beach, Victoria.

 

Confira a galeria de fotos do Quiksilver Pro 2004 na Austrália.

 

Resultados do Quiksilver Pro 2004

 

1 Michael Lowe (Aus) US$ 30 mil

2 Andy Irons (Haw) US$ 16 mil

3 Tom Whitaker (Aus)

3 Taylor Knox (EUA)

5 Victor Ribas (Bra)

5 Kelly Slater (EUA)

5 Jake Paterson (Aus)

5 Mark Occhilupo (Aus)

9 Neco Padaratz (Bra)

9 Peterson Rosa (Bra)

9 Paulo Moura (Bra)

9 Guilherme Herdy (Bra)

17 Raoni Monteiro (Bra)

17 Marcelo Nunes (Bra)

33 Armando Daltro (Bra)

 

Ranking WCT 2004 – após 1 etapa
 
1 Michael Lowe (Aus) 1200
2 Andy Irons (Haw) 1032
3 Taylor Knox (EUA) 876
3 Tom Whitaker (Aus) 876
5 Kelly Slater (EUA) 732
5 Mark Occhilupo (Aus) 732
5 Jake Paterson (Aus) 732
5 Victor Ribas (Bra) 732
9 Taj Burrow (Aus) 600
9 Joel Parkinson (Aus) 600
9 Dean Morrison (Aus) 600
9 CJ Hobgood (EUA) 600
9 Guilherme Herdy (Bra) 600
9 Peterson Rosa (Bra) 600
9 Paulo Moura (Bra) 600
9 Neco Padaratz (Bra) 600
17 Marcelo Nunes (Bra) 480
17 Raoni Monteiro (Bra) 480
33 Armando Daltro (Bra) 288

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