Mérito reconhecido

Maya Gabeira à vontade em seu habitat natural. Foto: Arquivo pessoal.

Filha do Deputado Federal Fernando Gabeira, a surfista Maya Gabeira acabou de completar 20 anos de idade e comemora duas importantes conquistas.

 

A primeira foi a coroa de melhor surfista de ondas grandes do ano, no prestigiado Billabong XXL Big Wave Awards. A segunda é o contrato recém-assinado com a Billabong, uma das maiores marcas de surfwear do mundo.

 

A noite de gala aconteceu no último dia 13 de abril, na Califórnia, e Maya foi a primeira brasileira a vencer a única categoria feminina do evento.

 

Maya Gabeira mostra tranquilidade nos tubos de Mentawai, Indonésia. Foto: Arquivo pessoal.

Emocionada, agradeceu àqueles que a ajudaram a conquistar esse prêmio.

 

?Agradeço ao Danilo Couto por ter me levado à Maverick?s, o que significou a realização de um sonho, e também à minha família, que sempre me apoiou?, disse Maya durante a entrega de prêmios.

 

Ela ficou conhecida por seu desempenho ao redor do mundo e pela coragem de surfar verdadeiras montanhas de água, tanto que concorreu ao XXL com ondas em Todos os Santos, México, e Waimea, Hawaii.

 

Garota de praia, ela sempre teve contato com o mar, porém o amor por ondas gigantes veio depois de longas temporadas no arquipélago e viajando ao redor do mundo.

 

No começo desta, Maya embarcou rumo a África do Sul atrás de uma ondulação que promete ser uma das maiores do ano na região, com paredes de água de até 8 metros que deixaram as autoridades locais em alerta.

 

Maya tinha vôo marcado para a última quinta-feira, mas antecipou para terça-feira, dia 8 passado, quando soube da previsão através de um big rider sul-africano amigo dela.

 

Conheça um pouco mais sobre a big rider na entrevista que segue.

 

Você iniciou o interesse pelo surf por causa de um ex-namorado e de amigos. Como foi o começo de tudo?

 

Comecei a surfar porque meu ex-namorado e todos os amigos dele são surfistas fissurados. Na época eu andava direto com eles e ficar na praia sentada na areia definitivamente não era tão divertido quanto surfar. Então decidi me matricular na escolinha do Paulinho Dolabella, que na época era no Arpoador (RJ). Comecei no funboard, mas eu não levava jeito. Demorou um mês para que eu conseguisse ficar em pé, tinha um hábito de apoiar o joelho antes de levantar que até hoje eu tenho a cicatriz. Mas fui muito persistente e dedicada, então acabei aprendendo.

 

Comente sua decisão de deixar o Brasil em busca de um sonho e o que isso significou em sua vida?

 

Deixei o Brasil pela primeira vez quando eu tinha 15 anos para fazer um intercâmbio na Austrália. Fiquei fora por sete meses e quando voltei ao Brasil estava decidida a terminar o colégio e sair pelo mundo. Um ano e meio depois eu estava com minha passagem para o Hawaii em mãos.

 

##

 

Maya Gabeira coroada pela melhor performance entre as mulheres no Billabong XXL 06/07. Foto: Arquivo pessoal.

Por que decidiu ir para o Hawaii?

 

O Hawaii é o sonho de todo surfista, né? No meu caso confesso que foi destino, porque eu estava saindo do Brasil direto para a Austrália, mas ainda era outubro. Depois de pesquisar passagens, descobri que era uma ótima época para ir pra lá e, depois em janeiro eu iria para a Austrália. Então comprei uma passagem para a Austrália com escala no Hawaii e acabei ficando três meses no North Shore.

 

 

Apesar de ter feito o intercâmbio na Austrália e ter experiência em viver longe de casa e da família, você passou por dificuldades?

 

Maya dropa mais uma morra em Waimea, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal.

É normal passar por dificuldades estando longe de casa, mas eu sempre encarei como um aprendizado e uma chance de evoluir. Tento sempre focar o lado positivo das roubadas e no final tudo dá certo.

 

Você ficou conhecida por surfar ondas grandes. Como você lida com o medo?

 

Eu lido com ele como parte da minha vida. Acho normal sentir medo, mas isso não me impede de fazer o que eu quero ou acredito. O medo quando é bem direcionado é um sentimento fortíssimo que pode desencadear reações para superação de nossos limites.

 

Fale sobre a onda que garantiu o prêmio no Billabong XXL.

 

A primeira onda foi em Maverick?s, um lugar muito especial. Nunca vou esquecer a sensação quando eu estava dropando, já com um sorriso enorme. Satisfação pessoal. Muito bom. Mas concorri ao prêmio com duas ondas. Uma em Todos os Santos, México, e outra em Waimea, no Hawaii.

 

Você é vaidosa? Que tipo de coisas considera fundamental para se cuidar, tanto fisica como psicologicamente?

 

Sou. Acho fundamental cuidar do meu corpo, da minha alimentação, dos cabelos, unhas, roupas e também da mente. Para isso procuro sempre ler bons livros.

 

Gosta de acompanhar as tendências de moda?

 

Até que eu gosto, porque minha mãe é estilista e trabalha com moda há muitos anos. Eu cresci indo a desfiles com minha mãe e minha irmã.

 

Fale um pouco sobre sua relação com seus pais.

 

Minha relação com eles não poderia ser melhor. Eles são o grande motivo de eu estar aqui. Sem o apoio deles seria impossível viver longe de casa.

 

O que muda agora com o contrato assinado com a Billabong?

 

Será um sonho trabalhar com uma marca como a Billabong, que investe tanto no surf e também no bigsurf. Será uma grande oportunidade para evoluir ainda mais.

 

Quais são os planos agora?

 

Viagens sempre (rs). Mas quero nos próximos anos me focar em ondas grandes para poder começar a competir. Vou treinar bastante na África do Sul, México, Maverick?s e Hawaii. Também quero começar a praticar tow-in.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)