Melhor dia dos últimos tempos

Na última quinta-feira a ?cobra fumou? em Pipeline. Na verdade o que é sonho para alguns é pesadelo para outros, mas deixemos essa questão para outra hora.

 

Pela manhã, até às 10 horas, as ondas ainda não levavam a crer que seria o melhor Pipe do ano ? para alguns o melhor dos últimos anos.

 

Ricardo Azevedo surfava sozinho um Off the Wall fechando tudo enquanto uma galera se desdobrava para chegar na base das ondas em Pipeline.

 

O vento extremamente forte segurava a rapaziada no lip e o drop ali já é nervoso, com esse vento então.

 

Ao redor das 11 horas o swell ficou do jeito. Kelly Slater já dava seu show particular e se destacava no meio de um crowd animal, formado quase somente por havaianos.

 

Os brazucas caíram na água essa hora. Pato, Fabiano Passos, Cesinha, eu e mais uma galerinha de Floripa e alguns bodyboarders liderados por Paulo Barcellos.

 

Ficamos diluídos no meio do crowd impressionante. Todos os locais de todas as ilhas disputavam as ondas.

 

Parecia que na noite anterior alguém colocou na TV havaiana que Pipe estaria clássica, até Andy Irons apareceu depois de uma sessão de autógrafos em Honolulu em uma loja de seu patrocinador.

 

Slater, Andy Irons, Amioon Goodwin, Jamie Sterling, Randall Paulson, Braden Dias, Tamayo Perry, Liam Mcnamara, Jason Frederico, Fred Patacchia, Mark Healey, enfim, todo santo local havaiano impregnando ou na verdade desfrutando das melhores ondas do seu playground.

 

Show de surf. De fora d?água o visual era surreal, mas de dentro fica inexplicável, só estando ali pra saber. O forte vento e uma maré média durante todo o dia deixaram as ondas tubulares o dia todo.

 

A direção da ondulação não poderia ser melhor e o resultado foi o comentário do heptacampeão mundial Kelly Slater, que sentou ao meu lado no line-up e conversava com Fred Patacchia:

 

?As fotos tiradas hoje dariam para encher uma revista inteira. Eu tenho cada momento gravado em minha mente dos tubos da galera que nunca mais vou esquecer, foi o melhor dia dos últimos anos?, disse Slater.

 

Clique aqui para ver galeria de fotos

 

##

 

As ondas variaram entre 6 a 12 pés durante o dia. Algumas séries varreram a todos. O tubo do dia foi surfado por Amioon Goodwin.

 

Ele dropou no Banzai e já colocou no tubo, lip extremamente largo e pesado.

 

 

Antes de ele chegar na primeira bancada deu para ver a sombra do dito cujo dentro do tubo, já se posicionando para o principal tubo.

 

Ele saiu na baforada no canal para delírio de todos no mar e na praia. Dois detalhes técnicos importantes.

 

 

O primeiro é que depois do falecimento de Malik Joyeux em dezembro e do acidente de Tamayo Perry que tomou cinqüenta pontos na cabeça após ter se chocado com a bancada, o número de atletas usando capacete aumentou consideravelmente.

 

O segundo dado é que as pranchas usadas aumentaram um pouco de tamanho. A média das pranchas usadas era entre 7?6 e 8?4 pés.

 

Caras como Jamie O?Brien, Slater e Andy Irons usavam 7 pés.

 

Homens feitos de borracha e esbanjando talento. Outros como Mark Healey e Jason Frederico, por exemplo, que pegam sempre altas ondas por ali, usam em média 7?2, mas bem grossas.

 

Bem mais do que o normal com uma borda caída para segurar na parede. Foram muitas as vacas, pranchas quebradas e cortes. Pipe foi o sonho para muitos e o pesadelo também. Um espetáculo da natureza.

 

Quem surfou Sunset afirmou que também estava clássico. Uma galera fazia tow-in nas longas direitas de Backyards e esquerdas de Phantons, que quebrou com ondas de até 15 pés.

 

As imagens da esposa do Pato, Fabiana Nigol estão de chorar. Se alguém se interessar nas filmagens é só entrar em contato pelo e-mail [email protected] .

 

Clique aqui para ver galeria de fotos

 

A previsão é de mais ondas para a semana…

 

Aloha

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)