Quiksilver Pro France

Keanu bate Medina

919x550

Gabriel Medina é vice-campeão do Quiksilver Pro France. Foto: WSL / Poullenot.

 

Depois de bater o compatriota John John Florence, o havaiano Keanu Asing surpreendeu o brasileiro Gabriel Medina e venceu a final do Quiksilver Pro France, etapa do tour encerrada nesta quarta-feira, na França.

Foi a primeira vitória de Keanu na elite mundial. Antes da etapa francesa, o carismático e dedicado havaiano sequer havia disputado uma semifinal no circuito.

Em 2016, Keanu perdeu de primeira em seis das nove etapas. Seu melhor resultado era um nono lugar em Teahupoo, Taiti.

Na França, o havaiano foi um verdadeiro matador de gigantes. Estreou superando o 11 vezes campeão mundial Kelly Slater em uma bateria dramática e finalizou a sua campanha batendo John John Florence na semi e Gabriel Medina na finalíssima.

Contra Medina, Keanu foi eletrizante e escolheu muito bem as esquerdas para descolar 6.67 e 7.27.

Já o brasileiro não foi feliz em sua estratégia. Começou apostando nas direitas, depois investiu nas esquerdas e voltou para as direitas.

Com 5.90 em uma esquerda bastante volumosa, mas bem surfada, Medina diminuiu a diferença e passou a precisar de 8.04.

A partir daí, o brasileiro passou a fugir da marcação do havaiano e até acertou um aéreo rodando de backside na última onda, mas a nota 7.00 não adiantou. Os juízes ainda computaram uma interferência de Medina em Keanu na onda anterior, o que complicou ainda mais a sua situação.

Estou muito feliz e isso é um sonho que se torna realidade“, disse Asing. “O trabalho não está feito ainda, mas eu espero que ter feito algo de bom para John (Florence) talvez o ajudei na corrida pelo título. Eu estou nas nuvens – é tão surreal. Estou super feliz e eu sinto que estou sonhando agora. Estou muito feliz de ver a também havaiana e amiga de infância havaiana, Carissa (Moore), também vencer. Eu nunca venci nem uma etapa do QS, então isto é muito louco. Ter os meus amigos na praia foi ainda mais inacreditável“, comemorou o havaiano.

Toda vez que eu coloco uma lycra é para fazer uma coisa, que é vencer”, continuou Asing. A última vez que eu venci um evento foi provavelmente quando eu era júnior, por isso é louco para vir aqui e ganhar o meu primeiro evento CT. Competir com Kolohe (Andino), John, Gabby (Medina) e todos esses caras é inacreditável. O espírito competitivo que todos nós temos e dividimos me incentiva bastante”, falou o campeão.

980x654

Keanu Asing conquista a sua primeira vitória no tour. Foto: WSL / Poullenot.

 
Não é a primeira vez que Keanu apronta diante de Medina. Em 2015, no Rio de Janeiro, o havaiano frustrou a torcida brasileira ao desbancar o então campeão mundial.

 

Para erguer a taça na França, Keanu Asing precisou desbancar os dois melhores atletas da elite no último dia. Na primeira semifinal, o baixinho destruiu as esquerdas com fortes batidas e rasgadas de backside para obter 8.67 e 8.27, contra 7.67 e 8.40 de John John Florence.

Em seguida, Gabriel Medina travou uma boa batalha com o californiano Kolohe Andino, que começou melhor, com 7.33, mas viu o brasileiro detonar uma esquerda e mandar um alley oop muito alto. Medina já tinha 6.33 no somatório e tentou ampliar a vantagem, mas só conseguiu na última onda, quando usou muito bem a prioridade e espancou uma esquerda para arrancar 9.00 dos juízes.

Mesmo perdendo na final, o brasileiro diminuiu a vantagem de John John Florence na corrida pelo título mundial. A distância, que era de 4.200 pontos, passa a ser de 2.700.

“Eu adoro a França, é um ótimo lugar para mim. Estou feliz com o segundo, estaria mais feliz se tivesse vencido, mas acho que o vice é bom. É um bom aquecimento para Portugal. Parabéns a Carissa (Moore) e Keanu (Asing). Eu sei a sensação de vencer o seu primeiro evento, então acho que ele está muito feliz agora. Eles merecem isso e, claro, Tyler (Wright). Estou muito orgulhoso por ela e sei que Owen (Wright) deve estar muito orgulhoso também. É bom estar mais perto de John John, então nunca desista!”, resumiu o brasileiro.

Faltam duas etapas para o término da temporada. A próxima delas acontece em Peniche, Portugal, de 18 a 29 de outubro.

Em seguida, de 8 a 20 de dezembro, será a vez de Pipeline coroar o novo campeão mundial da World Surf League.

Resultado

1 Keanu Asing (HAV)
2 Gabriel Medina (BRA)
3 John John Florence (EUA)
3 Kolohe Andino (EUA)
5 Matt Banting (AUS)
5 Filipe Toledo (BRA)
5 Julian Wilson (AUS)
5 Kai Otton (AUS)

Ranking atualizado do Championship Tour 2016 (Top 22)

1 John John Florence (HAV) 48.150
2 Gabriel Medina (BRA) 45.450
3 Matt Wilkinson (AUS) 38.250
4 Jordy Smith (AFR) 35.700
5 Kolohe Andino (EUA) 32.150
6 Julian Wilson (AUS) 30.900
7 Filipe Toledo (BRA) 30.650
8 Kelly Slater (EUA) 30.150
9 Adrian Buchan (AUS) 29.700
10 Adriano de Souza (BRA) 29.400
11 Joel Parkinson (AUS) 28.700
12 Italo Ferreira (BRA) 27.500
13 Sebastian Zietz (HAV) 26.000
14 Michel Bourez (PLF) 25.700
14 Caio Ibelli (BRA) 25.700
16 Mick Fanning (AUS) 25.200
17 Josh Kerr (AUS) 24.700
18 Stuart Kennedy (AUS) 21.200
19 Wiggolly Dantas (BRA) 21.150
20 Nat Young (EUA) 18.900
21 Keanu Asing (HAV) 18.750
22 Kanoa Igarashi (EUA) 18.000

Próximos brasileiros no ranking

23 Miguel Pupo (BRA) 16.700
25 Jadson Andre (BRA) 16.250
29 Alejo Muniz (BRA) 14.250
33 Alex Ribeiro (BRA) 10.450

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.