Quiksilver Pro France

Medina caça John John

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John John Florence melhora sua pontuação no ranking depois de estrear com vitória no Quiksilver Pro France. Foto: WSL / Poullenot.

 

O Quiksilver Pro France retornou na quinta-feira e metade da “seleção brasileira” estreou com vitória nas ondas de até 2 metros na praia Les Culs Nuls, em Hossegor. Seguiram adiante os campeões mundiais Gabriel Medina e Adriano de Souza, os também paulistas Caio Ibelli e Miguel Pupo e o potiguar Italo Ferreira.

Os outros cinco perderam, mas terão outra chance de classificação para a terceira fase na primeira rodada eliminatória da nona etapa do Championship Tour na França. Dos quatro surfistas que brigam pela ponta do ranking, apenas Medina e o líder, John John Florence, venceram suas baterias. Jordy Smith perdeu o primeiro confronto do dia para Kai Otton e Miguel Pupo ganhou o segundo de Matt Wilkinson.

Depois do “day off” na quarta-feira, por causa dos ventos fortes agindo negativamente na formação das ondas em Hossegor, a etapa francesa da World Surf League recomeçou com boas condições para todos os tipos de manobras, desde as de borda até tubos e aéreos nas direitas e esquerdas de Les Culs Nuls. O Brasil participou dos três primeiros confrontos da quinta-feira. O potiguar Jadson André perdeu junto com o sul-africano Jordy Smith para o australiano Kai Otton no primeiro do dia, mas depois vieram duas vitórias verde-amarelas.

O defensor do título do Quiksilver Pro France e vice-líder na corrida do título deste ano, Gabriel Medina, apresentou sua variedade de manobras de borda para derrotar o australiano Ryan Callinan e o havaiano Dusty Payne por 13,50 pontos. Dos quatro que brigam pela ponta do ranking na França, ele foi o primeiro a passar direto para a terceira fase. Medina saiu do mar e John John Florence entrou para fazer sua primeira defesa da liderança em Hossegor.

“Eu amo a França e estou muito feliz por estar de volta aqui”, disse Gabriel Medina, que já tem duas vitórias em Hossegor, a primeira da carreira no CT em 2011 e a do ano passado. “Os ‘beach breaks’ (praias com fundo de areia) daqui são muito bons e surfei bastante durante o tempo em que fiquei em casa (Praia de Maresias, São Sebastião-SP), então estou me sentindo ótimo. Eu vou tentar fazer o meu melhor novamente neste campeonato, porque só tem mais três etapas até o fim do ano e espero que termine tudo bem no Havaí”.

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Gabriel Medina precisa chegar no mínimo às semifinais para tomar a liderança. Foto: © WSL / Cestari.

 
O havaiano John John Florence entrou com sua lycra amarela do Jeep WSL Leader na bateria seguinte e foi literalmente colocado nas cordas pelo convidado desta etapa, Joan Duru. O francês é o terceiro no G-10 do WSL Qualifying Series que sobe para a elite dos top-34 do ano que vem e logo fez um novo recorde de 15,34 pontos com seu ataque de backhand em Hossegor. John John teve que usar todas as suas armas, voou num aéreo que valeu 7,37 e conseguiu a virada com a nota 8,73 recebida num tubo profundo que achou nos minutos finais da bateria. Com ela, aumentou o maior placar da primeira fase para 16,10 pontos.

“Eu estava bem confuso quando remei lá para fora, depois de ver as primeiras baterias, aí olhei para a praia e vi alguns picos mais limpos. As condições estão sempre mudando aqui e realmente ficou mais ‘clean’, com longas paredes”, contou John John Florence, que garante a lycra amarela de número 1 do Jeep WSL Leader na França se chegar nas semifinais. “Eu e o Gabriel (Medina) estamos apenas lutando pelo título, numa disputa bateria a bateria, então espero que tenha algumas ondas boas para nós no restante da semana”.

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No momento, Matt Wilkinson precisa chegar à final em Hossegor. Foto: © WSL / Cestari.

 
BRIGA PELA PONTA – Com a passagem direta para a terceira fase do Quiksilver Pro France, John John Florence deu um primeiro passo para continuar com a lycra amarela na próxima etapa, em Portugal. Medina agora vai precisar chegar nas semifinais para superar os 43.400 pontos que o havaiano já garantiu no ranking. O australiano Matt Wilkinson só consegue isso se passar para a grande final e o sul-africano Jordy Smith já necessita vencer o campeonato.

Se John John Florence também ganhar sua bateria na terceira fase, Jordy Smith sai da briga pela ponta do ranking na França e Gabriel Medina e Matt Wilkinson só ultrapassarão os 45.650 pontos dele com vitória no Quiksilver Pro. Caso passe para as quartas de final, o havaiano acaba com a chance do australiano, mas Medina ainda pode assumir a dianteira se vencer o campeonato. No entanto, chegando nas semifinais, John John garante a primeira posição.

Matt Wilkinson liderou o ranking em sete das oito etapas disputadas e começou com derrota na França, para Miguel Pupo, na primeira classificação brasileira para a terceira fase. Foi uma bateria fraca de ondas, com os três competidores ficando na casa dos oito pontos. Pupo totalizou 8,57 para superar os 8,24 do australiano e os 8,14 do italiano Leonardo Fioravanti, que lidera o ranking do WSL Qualifying Series e é um dos convidados dessa etapa.

“Eu fiquei tentando construir minha pontuação desde o início da bateria, mas a onda ficou um pouco gorda e está muito difícil de competir nessa condição de mar”, disse Miguel Pupo. “No fim da bateria, eu remei em uma onda e perdi a prioridade (de escolha da próxima onda). Aí os dois pegaram ondas e não consegui ver, então fiquei na expectativa, mas felizmente eu venci. É importante pular a segunda fase quando se está na minha posição, brigando para ficar entre os 22 do ranking, mas parece que sob pressão as coisas funcionam melhor para mim”.

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Jordy Smith precisa vencer a etapa e torcer por uma combinação de resultados. Foto: © WSL / Cestari.

 
BATERIA BRASILEIRA – Depois da primeira apresentação dos quatro surfistas que disputam a dianteira na corrida do título mundial na França, aconteceu uma bateria 100% brasileira em Hossegor. O potiguar Italo Ferreira confirmou sua condição de cabeça de chave para vencer os paulistas Wiggolly Dantas e Alex Ribeiro por 12,46 pontos. Na disputa seguinte, entraram mais dois brasileiros para enfrentar o australiano Julian Wilson e o paulista Caio Ibelli totalizou 13,36 pontos para seguir direto para a terceira fase, com o catarinense Alejo Muniz ficando em último.

“Eu cometi alguns erros no início da bateria, mas felizmente deu tudo certo”, disse Italo Ferreira, segundo brasileiro mais bem colocado no ranking deste ano, em oitavo lugar. “Eu tentei fazer alguns aéreos e caí em todos, quebrei minha prancha, machuquei minha perna. Foi difícil, porque essa onda é muito complicada, mas mesmo assim estou feliz por vencer a bateria e ter passado direto para a terceira fase”.

Os outros dois integrantes da “seleção brasileira” na divisão de elite da World Surf League fecharam a primeira fase na quinta-feira. Semifinalista na etapa passada em San Clemente, onde mora na Califórnia, Estados Unidos, Filipe Toledo arriscou os aéreos para tentar vencer a penúltima bateria, mas o australiano Davey Cathels levou a melhor por 13,60 a 8,80 pontos. Já o atual campeão mundial Adriano de Souza conquistou a última vaga direta para a terceira fase, superando o taitiano Michel Bourez e o australiano Adam Melling por 14,00 pontos.

RODADA ELIMINATÓRIA – Os surfistas que estrearam com derrotas, irão agora se enfrentar na primeira rodada eliminatória do Quiksilver Pro France. Matt Wilkinson, Jordy Smith, Kelly Slater, Joel Parkinson e Julian Wilson, encabeçam as primeiras baterias e na sexta acontece um duelo verde-amarelo, entre Filipe Toledo e Alex Ribeiro. Alejo Muniz entra no seguinte com o taitiano Michel Bourez. Depois, tem Wiggolly Dantas contra Conner Coffin na décima bateria e Jadson André disputa a última vaga para a terceira fase com outro americano, Kanoa Igarashi.

ROXY PRO FRANCE – Logo após o encerramento da primeira fase do Quiksilver Pro, aconteceu a rodada inicial do Roxy Pro France em condições mais difíceis do mar em Les Culs Nuls. A australiana Tyler Wright, bicampeã nas duas últimas edições desta etapa em Hossegor, achou duas ondas regulares para estrear com vitória. Ela não perde mais a liderança do ranking nesta etapa e já começa a contagem regressiva para confirmar o título mundial de 2016 na França.

Para piorar a situação da sua única concorrente, Courtney Conlogue, a australiana Nikki Van Dijk fez a melhor apresentação do dia para derrotar a norte-americana por 16,10 pontos. Enquanto Tyler já garantiu duas chances de classificação para as quartas de final, Courtney ainda terá de passar pela surfista de Barbados, Chelsea Tuach, na repescagem. Ela ainda tenta adiar a decisão do título para a última etapa da temporada, o Maui Women´s Pro, no Havaí.

Repescagem

1.a: Matt Wilkinson (AUS) x Joan Duru (FRA)
2.a: Jordy Smith (AFR) x Ryan Callinan (AUS)
3.a: Kelly Slater (EUA) x Leonardo Fioravanti (ITA)
4.a: Joel Parkinson (AUS) x Matt Banting (AUS)
5.a: Julian Wilson (AUS) x Jeremy Flores (FRA)
6.a: Filipe Toledo (BRA) x Alex Ribeiro (BRA)
7.a: Michel Bourez (TAH) x Alejo Muniz (BRA)
8.a: Josh Kerr (AUS) x Jack Freestone (AUS)
9.a: Sebastian Zietz (HAV) x Adam Melling (AUS)
10: Wiggolly Dantas (BRA) x Conner Coffin (EUA)
11: Stu Kennedy (AUS) x Dusty Payne (HAV)
12: Kanoa Igarashi (EUA) x Jadson André (BRA)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Maconheiro. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.