Embarquei para a França no último mês de setembro com dois objetivos: explorar um pouco da riqueza cultural de Paris e pegar umas ondas em Hossegor. Era começo de outono no hemisfério Norte e a trip prometia ondulações de qualidade com clima bastante agradável.
Nos dois dias que passei na capital, fiz questão de visitar o famoso Louvre, mas foi outro museu que me chamou atenção, o d’Orsay.
Dentro de suas galerias, tive contato com o acervo do artista Paul Gauguin. Através das telas, Paul conta um pouco de sua vida. Interessante o fato de em 1891 ter navegado até a Polinésia Francesa para escapar da “Civilização européia e de tudo que era artificial e convencional”.
No Taiti, escreveu um livro chamado Noa Noa, sobre suas experiências na região. Gaugin saiu de Paris em busca do “paraíso” e nele passou os últimos anos da sua vida. Ele tinha um lifestyle aventureiro e como nós, buscava inspiração nas ondas.
O momento cultural foi maneiro, mas a cabeça já estava na região de Aquitaine – localizada no Sudoeste da França – onde fica a cidade de Hossegor, meca do surf europeu.
A passagem de trem de alta velocidade (TGV) havia sido comprada com antecedência pela internet por 40 euros (quanto antes compra, mais barato sai), através do site Voyages.
O destino era Bayonne, pequena cidade de Aquitaine, localizada entre Biarritz e Hossegor, a 769 quilômetros de Paris. Segundo um brother que conheci no trem, a diferença entre Biarritz e Hossegor é que Biarritz é um lugar mais turístico e a grana manda. Hossegor é um lugar mais relax, onde o que importa é a atitude do atleta nas ondas. Nessa hora respirei aliviado, com a sensação de ter feito a opção certa.
Cheguei em Hossegor pela manhã embaixo de muita chuva. O mar estava flat e mexido. Hospedei-me em um hostel colado no pico, chamado Koala, de posse de duas suecas. Dividi o quarto com quatro desconhecidos a um custo de 32 euros por dia.
Tinha um supermercado bem próximo e a cozinha no albergue reunia os hóspedes em animadas refeições e esquentas. No final de tarde do primeiro dia, as ondas já chegavam a 1,5 metros, mas ainda estavam um pouco mexidas.
Nos quinze dias seguintes, o mar quebrou clássico com séries entre 2 e 4 metros. Achei o crowd tranquilo, o pessoal bem educado e não testemunhei nenhuma espécie de conflito.
São dois picos principais na praia de Hossegor: La Nord e La Graviére. Tem uma terceira opção chamada La Sud, com ondas menores, boas para iniciantes. Fiz um surf em outras praias próximas como Capbreton e Seignosse, mas não encontrei a mesma qualidade de La Nord e La Graviére.
Para entrar no mar nos dias grandes, a dica é remar e deixar a correnteza te levar para o lado Sul. Depois tem uma remada contra a corrente em direção a La Nord e La Graviére.
Isso dispersa o crowd e cada um pega a onda do tamanho que quer. Nos maiores dias, depois de cada onda, remava cerca de 700 metros para me posicionar em La Graviére.
Para finalizar, a noite em Hossegor é iluminada por pessoas do mundo todo em bares e boates bastante animados. Salut!







