
Com apenas 22 anos, o atleta Maxi Siri faturou o título de campeão argentino profissional da temporada 2004 ao ficar em segundo lugar no Quiksilver Big Wave Event.
A competição contou com a presença dos melhores surfistas do país e foi realizada no início do mês em altas ondas nas praias de El Balcón e La Paloma, na cidade de Mar Del Plata.
Depois de muitas baterias e tubos surfados, Maxi Siri e Andrés Di Marco fizeram uma final muito disputada, vencida por Di Marco com Siri em segundo lugar e coroado campeão argentino de 2004.
Nesta entrevista o jovem surfista explica como foi sua trajetória até a conquista, a primeira de sua carreira.
Como você se sente sendo o mais novo campeão nacional?
Na verdade, estou muito contente de ter obtido meu primeiro título como campeão argentino. Tudo aconteceu muito rápido. Quando competia na categoria Júnior, nunca teria imaginado que três anos mais tarde estaria brigando por um título na Open. Foi assim que o sonho se tornou realidade.

Como foi esse processo, desde quando você começou a surfar até hoje?
Bom, eu comecei a surfar aos 12 anos aqui em Mar del Plata, na zona de La Perla, com meu grupo de amigos. Passávamos todo o dia dentro d’água e foi aí que começou minha paixão pelo mar. Não parei e cada vez mais me divertia e deste modo o surf se tornou uma de minhas prioridades. As competições chegaram anos mais tarde, lá pelos 15 anos, nos campeonatos interescolares, onde fui vice-campeão em minha primeira competição, o que me motivou a correr no circuito argentino de juniores. Daí para frente tudo foi muito positivo. Fui evoluindo e tive a sorte de poder representar a Argentina em vários mundiais e Pan-americanos, e simplesmente cresci como competidor. Fui campeão argentino amador em 2000, atuei bem no mundial da África do Sul, no ano passado tive realmente muito perto do título do Open argentino e este ano, por sorte, já é uma meta cumprida.
O que foi diferente este ano em relação ao ano passado?
Na verdade, o único ponto diferente foi o desfecho, pois os dois circuitos foram muito similares. Ano passado e este arranquei na primeira posição. Inclusive ganhei mais etapas no ano passado, mas não tive regularidade e um mal resultado na última etapa permitiu que o segundo do ranking me passasse, apesar de ter somente uma vitória. Este ano tinha uma diferença um pouco mais importante na última etapa, o que me ajudou a liberar toda minha pressão para que não me acontecesse o mesmo que o ano passado. Por sorte, houve um final feliz.
Quem foi seu maior rival?
Acredito que o rival mais difícil é Martín Passeri. Ele tem um grande nível, experiência e muita garra – sempre vai brigar até o final. Neste caso, meus rivais mais diretos foram Alejo Martinez e Andrés Di Marco, mas não os considero os mais competitivos.

Quais foram suas maiores influências?
Em nível nacional minha maior influência foi Martín Passeri – ele me ajudou muito desde o começo, a ponto de eu e Luquitas Santamaría apelidarmos ele de Tio Passeri, porque sempre organiza tudo, nos leva, nos traz de volta, planeja as viagens. Em nível internacional, tomo como exemplo Mick Fanning e Joel Parkinson, eles demonstraram desde que entraram para o WCT que apesar de serem jovens, podem brigar pelo título.
O que está faltando à Argentina para ficar mais forte no surf, como o Peru, por exemplo, ou o Brasil?
O problema do clima realmente joga contra de nós, acredito que o que precisamos é competir fora, especialmente no inverno. Isso não seria problema – o que acontece é que viajar para o exterior está realmente muito caro para nós e nosso patrocínio não é suficiente. Por outro lado, acho que nosso nível vai subir naturalmente com o tempo.
Quais são seus planos para os próximos anos?
Meu objetivo é correr a maior quantidade possível de etapas da ALAS, para competir o ano todo e não perder continuidade, além de continuar evoluindo com viagens ao exterior. Brigarei pelo circuito argentino no ano que vem e no futuro meu sonho é disputar o WQS.
Até onde você quer chegar?
A gente sempre quer chegar o mais alto possível. Minha idéia agora é desfrutar deste bom momento, continuar me divertindo cada vez que vou surfar, como quando comecei, e o resto acontecerá no seu momento. Meu objetivo de ser campeão argentino já foi cumprido, então quero conquistar algo fora do páis, mas sem muita pressão.