Maverick’s inaugura temporada

Maverick’s foi o primeiro pico do Pacífico Norte a mostrar os dentes nessa temporada de inverno. Hoje as ondas variaram entre 15 e 20 pés plus, em algumas séries na direita localizada no outside de Half Moon Bay.

 

A convite de Pato embarquei para a Califórnia. As previsões se confirmaram e surfamos altas ondas de tow-in pela manhã, na companhia de mais cinco times: Garrett Mcnamara e Ikaika Kalama, Flea Virostko e Barney, Peter Mel e Anthony Tasnick, e mais uma dupla de surfistas e cerca de três jet-skis com fotógrafos no canal.

 

Antes da queda cruzamos no café a dupla da equipe ”Surfing Feeling Crazy”, Rodrigo Resende

e Danilo Couto, que caíram na remada mais tarde. Ao chegar no outside o parceiro de Flea havia passado por cima da corda e o jet-ski travou, obrigando a dupla a jogar uma âncora e ficar assistindo do canal, enquanto Garrett revezava o seu jet com seus amigos na roubada.

 

Virostko também mostrou bonitos cortes que sofreu na bancada depois de ter morrido dentro de um tubo.

 

Aproveitamos a oportunidade e colocamos nossas pranchas de remada amarradas na âncora de Flea. Somente uma notícia não foi agradável. Flea disse ter visto um enorme tubarão branco poucos minutos antes de nos encontrar. Altas ondas. As enormes ondas, escuras, geladas e infestadas de tubarões brancos não tiraram nenhum pouco o nosso prazer de surfar pela primeira vez na temporada ondas perfeitas de 20 pés.

 

Garrett estava arrepiando. Se fosse um campeonato o havaiano tinha levado o caneco. Ele surfava as pesadas paredes como se estivesse deslizando em ondas de seis pés. Surfou também altos tubos. Na primeira onda que coloquei o Pato, ele atrasou um pouco demais na segunda sessão e foi engolido.

 

No resgate o perdi por 30 cm, e mesmo sem ele no jet quase não consegui fugir da onda que vinha atrás. O jet patinou forte na água branca e quase a sessão termina por ali. Fugi nas últimas. Quase nas pedras.

 

Voltei ao fundo, o resgatei e achamos sua prancha no raso. Continuamos na brincadeira e a vibração no outside estava de primeiro mundo. Os californianos e havaianos presentes no pico me fizeram esquecer o localismo de Oahu. A vibração em Maverick’s tanto dentro quanto fora d’água é outra.

 

Pato surfou altas ondas e me puxou em boas bombas. Na última lembrei de um recado de Dave Kalama no último DVD de Laird Hamilton, em que ele ensina Tom Carroll a se colocar na onda em Jaws. Segundo ele: “Se você entrar na onda e ver os jets no canal muito longe, você esta mal, mas se estiverem perto, você está bem”.

 

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Eu vi os jets bem longe e tracei minha linha para o pico, que se desdobrou mais para a esquerda. Quando virei para a direita, me vi atrás do famoso e estrondoso pico. Tracei minha linha rente ao lip e depois de uma curva com muita velocidade ataquei o lip. Saí no canal adrenado e com a galera vibrando. Muito show.

Senti toda a pressão no ponto mais “bandido” da onda. Minha Kareca 6’6 com 8 quilos funcionou brilhantemente. Nessa hora a maior galera entrou remando e resolvemos sair como todos os outros times e reabastecer as energias. Largamos as pranchas de remada na âncora e saímos fora.

 

Depois de um chá quente e algumas vitaminas voltamos a milhão. Danilo, Resende e cerca de 15 pessoas dividiam o line-up. Uma neblina animal invadiu o outside. Eu e Pato passamos parafinas em nossas guns e a neblina aumentava consideravelmente. Quando cheguei remando no ouside, Danilo comentou que tinha pego boas ondas e algumas passaram em branco e ninguém remou devido a voracidade do swell.

 

Quando me toquei não conseguíamos ver 15 metros à frente do nariz. A maior galera saiu remando e já eram 16 horas. No pico mesmo, eu, Danilo, Resende e mais dois caras.

 

Dei uma viajada e comecei a pensar na vida. Quando olhei para minha frente uma onda da serie já estava para quebrar a quatro metros de mim. Remei que nem um louco e saí voando com a minha 10’3 por trás do véu da onda.

 

Olhei para trás e Rodrigo jogou sua prancha por cima do lip e afundou, outro mais descuidado soltou sua prancha, que acabou partida ao meio. Depois da série comentei
com Danilo: “Quem gostar de um mar desses que não conseguimos enxergar cinco
metros, com 15 a 20 pés de onda, gelado e escurecendo, é muito casca-grossa”. Rimos bastante.

 

Com o jet Pato começou a dar carona para a galera sair do mar. Levou alguns gringos depois Danilo e Rodrigo. Quando voltou eu já estava soltando as pranchas de tow da âncora. Ela foi tão bem ancorada que demoramos cerca de meia hora para retirá-la da água.

 

Quase a deixei lá quando percebi que não via mais nada e não sabia onde era o fundo e o raso. Ficamos dando voltas em torno da âncora e ficamos tontos. Amarramos a corda dela no jet e a arrancamos a força.

 

Foi um ótimo início de temporada. Alguns burritos no mexicano e um bom chá irão nos proporcionar um bom sono.

 

Aloha!

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.