Foram muitas as controvérsias envolvendo a premiação para a maior onda surfada na temporada 2003/2004.

 

O XXL deu US$ 70 mil ao havaiano Pete Cabrinha por ter surfado uma onda para a esquerda em Jaws. Segundo os juizes, a onda tinha 70 pés e bateu o recorde de Carlos Burle, em 2002, com uma bomba de 68 pés em Mavericks.

As três primeiras perguntas que vêm a cabeça de qualquer um que lê esse texto, e de toda a galera que eu cruzo na rua, são: Pete Cabrinha mereceu mesmo? E a onda do Danilo? E a onda do Laird que disseram ter sido a maior do dia, mas que ele pediu para ficar fora da disputa?

Há 15 dias fui pautado pelo jornalista Fernando Costa Netto, editor da revista Venice, onde tenho uma coluna, para escrever sobre o XXL. Pareceu-me oportuno escrever o que eu realmente pensava, sem rodeios.

 

Apontei o Pete como favorito, mas, mesmo assim, no fundinho queria que o Danilo levasse o caneco. Uma coisa que me perturbava era a possibilidade do patrocinado pela Billabong Yan Walsh levar o prêmio. A onda dele era visivelmente menor, porém muita gente do meio também estava com essa pulga atrás da orelha.

Eu tenho as filmagens sem faltar onda nenhuma de todo dia 10 de janeiro, feitas por um dos melhores filmakers da ilha de Maui. Eu vi e revi essas fitas mais de dez vezes.

A onda do Pete Cabrinha, na minha humilde opinião, foi a segunda maior onda do dia. Eu só não pude vê-la dentro da água porque eu estava surfando a direita dessa mesma onda, rebocado pelo Pato.

 

Eu só descobri isso depois de ter comprado as imagens, pois na adrenalina na água, nem olhei para trás para ver alguém tinha ido para a esquerda. O Pete dropou bem mais no pico, mas a esquerda deu uma levantada animal no drop e, logo depois da curva, ela perdeu toda a força e ele saiu da onda.

A onda de Danilo foi uma das mais poderosas da sessão, porém foi menor que a do havaiano. Mas ficou incrivelmente animal na foto.

O talentoso e determinado baiano pegou a direita bem do pico e mandou duas rasgadas no bowl, mostrando muita confiança em seu equipamento. Segundo ele, aquela prancha Timpone era mágica e acabou destruída nas pedras. “Eu fiz uma nova, mas não saiu como a primeira” contou Danio Couto.

O Cabrinha dropou a maior onda entre as inscritas. Aquela série formada por três ondas quebrou mais para o outside que todas as outras naquele dia.

 

Laird foi na primeira, eu e Pete na segunda e na terceira não foi ninguém.

Se a onda do Pete tinha 70 pés, essa terceira da série deveria ter mais ou menos 75. A segunda tinha uns 70 mesmo, mas a terceira foi a maior do dia. Mesmo com cerca de cinco jet skis posicionados para ela, ninguém ousou colocar o bico, ou melhor, pôr o jet na reta.

Segundo Rodrigo Monster, aquela onda foi animal. “Sei lá o tamanho. Só sei que não tinha surfista nem equipamento capaz de pegar aquela onda”.

Outro ponto a ser exaltado foi a performance dos brasileiros no maior dia da temporada. Burle e Eraldo abriram o pico e surfaram somente por cerca de uma hora, mas surfaram uma atrás da outra. Cada um pegou umas cinco ondas da série e os dois arrepiaram.

The Monster e Danilo mostraram muito entrosamento. Ambos surfaram altas, tanto para a esquerda quanto para a direita. Rodrigo tomou um wipeout quando sua prancha desgarrou da parede.

 

E, mesmo depois de um caldo animal, ele já estava surfando uma onda da série seguinte. E ele também pilotou muito na sessão. Colocou Danilo e o baiano Yuri Soledade em altas ondas.

Pato e João Mauricio sofreram uma baixa na primeira onda da sessão de João, mas Pato ainda pegou boas ondas rebocado por mim.

Voltando ao XXL, ao meu ver a maior palhaçada  foi a desclassificação do carioca Evaristo Ferreira no quesito remada.

 

A onda de Evaristo era mais do que visível como a maior onda da disputa. É simples. Waimea quebrava com 20 pés plus, com séries fechando a baia, enquanto as outras ondas surfadas em Mavericks, inclusive e vencedora do Zach Wormhaudt foi surfada em um mar com ondas de no maximo 18 pés.

Agora, se analisarmos a qualidade das fotos, aí sim. As fotos de Mavericks foram tiradas dentro da água, enquanto a de Evaristo foi feita de fora.

Mas o que vale na real é o tamanho da onda e não o ângulo ou qualidade da foto. Desta vez, venceu a qualidade. Erro total e descarado.

Outra parada inegável é a qualidade do surf brazuca nessas ondas. Esses gringos realmente estão engolindo seco. Burle campeão mundial em 98 e a equipe formada também por The Monster e Rosaldo campeã também por equipes. Em 2001, Resende campeão mundial, em Jaws. Em 2002, Burle e Eraldo levaram o caneco do XXL. Brasil na cabeça !

Agora, o maior tubo XXL realmente foi o do tahitiano Malik Joyeaux. Ele surfou aquela aberração e mereceu o prêmio. Fica uma boa pergunta. Ninguém saiu dos tubos em Jaws surfados naquele dia já perdendo, assim o direito da disputa. Garrett no ano passado venceu o quesito com o tubo dele surfado em Jaws, mas deveriam afirmar melhor o que vale. Seria a largura do tubo ou o tamanho? Ou os dois?

O tubo em Teahupoo é mais largo e o de Jaws mais alto. A onda do Garrett tinha cerca de 60 pés de face. O do Malik cerca de 45, mas largo. Qual é o mais animal? Boa questão, mas fora de hora.

No item perfomance geral eu também não concordei com o resultado. Segundo Bill Sharp, diretor do XXL, Greg Long venceu por ter sido nomeado para duas categorias (maior onda na remada e tow-in).

 

Sua classificação para o tow-in foi no mínimo estranha. A sessão em que ele surfou a onda em questão tinha ondas de no máximo 20 pés.

 

Qualquer onda das séries em Jaws no dia 10 tinha pelo menos 25 ou 50 pés de face… Mas eles não queriam quatro ondas de Jaws na final. Política.

 

E se ele não estivesse na disputa da maior onda geral não teria porque levar o prêmio. Ele não saiu de Mainland (Califórnia) para surfar. Foi para Mavericks e Cortez. Teve brazuca saindo do Brasil para o Hawaii, e de Oahu para Califórnia mais de uma vez nessa temporada…

 

Ah… antes que eu me esqueca. Cinco dias antes do pré-julgamento, quando escolheram os quatro surfistas concorrentes ao prêmio, recebi um e-mail de Bill Sharp me desclassicando da disputa.

 

Meu erro, segundo ele, for ter mandando a mesma foto que estava concorrendo ao XXL também para outro concurso, do site Tow Surfer, que também premia a maior onda da temporada, mas oferece somente US$ 10 mil.

 

Realmente estava na regra a exclusividade para o XXL, mas infelizmente eu não tinha lido todas as regras.

Finalizando… se fosse um campeonato no dia 10, a onda do Danilo levaria um oito. A do Cabrinha sete, pois ele pode ter surfado a maior, mas não rabiscou como o baiano radicado em Oahu. A questão era o tamanho…

De uma coisa eu tenho certeza: Brazilian rules!

Aloha

 

PS: 10 mesmo só para o tubo do Mike Parsons na Tow In World Cup, e o tubo de Garrett McNamara em 2002.

 

 

 

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Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.