Mateus Gonzaga

Atitude no Chile

Sempre fui fanático pelo surf, desde pequeno, tudo graças a meu pai Marcos Luiz Gonzaga, que também surfa e é responsável por trazer o surf na minha vida e meu maior incentivador.

Lembro da primeira vez que consegui surfar uma onda, foi uma adrenalina inexplicável, um sentimento tão incrível que me apaixonei instantaneamente, e, desde então, me dedico ao surf. Acordar cedo quase todos os dias pra ir surfar com meus amigos, para mim é a coisa mais legal do mundo. 

Até que em fevereiro de 2006, sofri um grave acidente surfando e quase perdi minha vida – foi uma sensação horrível. Fiquei seis meses sem poder surfar e, diferente do que muitos pensaram (inclusive meus pais), eu não tive medo de voltar a surfar, muito pelo contrário, eu fiquei tanto tempo sem poder surfar que quando voltei, estava ainda mais instigado – e ficava o dia todo na água.

Já em 2007, tive uma grande oportunidade de ir morar em Pichilemu, no Chile, com meu pai, um lugar incrível e de um potencial imenso de surf. Lá, foi onde aprimorei meu surf em ondas grandes, longas e perfeitas. Ondas de verdade que, infelizmente, não existem no Brasil. 

Eu sempre fui quieto, no meu canto, e pegando essas ondas incríveis, me conectei com o mar de uma forma que não conseguia pensar em nenhuma outra coisa. Surfe para mim era tudo, não saía à noite, não usava drogas e isso fez com que eu evoluísse muito. Eu nunca fui de competir, sempre fui freesurfer, até para alimentar a vontade que tenho de ondas. Mesmo assim, quando decidia me arriscar nas competições, conseguia bons resultados – chegando até a algumas finais.

Acredito que pela minha personalidade, quieta, de não falar muito e não participar de muitas competições, fizeram com que eu nunca conseguisse bons patrocínios – assunto que hoje em dia tento não pensar. Na verdade, o que eu quero é atingir um nível bom, fazer vídeos irados para as pessoas assistirem e curtirem, com isso, os patrocínios aparecerão.

Infelizmente, nunca tive condição de me dedicar 100% ao surf e, atualmente, sou guarda-vidas na praia Brava, uma profissão que me trouxe muitas alegrias e boas amizades e que também me fez ficar mais próximo ainda do mar. Meu objetivo agora é trabalhar na temporada do Verão em Florianópolis e passar o resto do ano viajando e pegando boas ondas pelo mundo!

Para finalizar, quero agradecer a meu pai e meu irmão, grande big rider Lucas Gonzaga, que mora no Chile, e também a Rodrigo Israel, da Casa das Pranchas, a Henrique Israel da SDA acessórios, que são meus atuais patrocinadores, e também a toda galera do Waves. Muito obrigado pela oportunidade!

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