Quando apontou o erro no fórum do site Surfline, o internauta Mark não imaginava que seu comentário ganharia repercussão mundial e que seria o responsável por uma das maiores falhas da história da ASP, entidade máxima do surf profissional.
Mark também não imaginava que seria convidado pelo próprio Kelly Slater, principal prejudicado pelo erro, a lhe entregar o troféu de campeão pessoalmente na tradicional festa de gala da ASP, marcada para março.
Foi a partir de seu comentário, durante a etapa de San Francisco, que Kelly percebeu que ainda não era o campeão mundial. Faltava uma bateria para o ídolo garantir matematicamente o décimo primeiro troféu da carreira.
O problema é que Mark continua no anonimato. Mas, em recente entrevista à ESPN Internacional, Kelly faz um apelo para o internauta aparecer.
“Nós devíamos achar ele. Estou surpreso de ainda não sabermos quem ele é. Acho que ele deveria vir a coroação em março e me entregar o troféu. Isso seria maravilhoso”, diz Kelly, que também conta como descobriu a mancada da ASP.
“Li o artigo do Surfline sobre a minha vitória, e estava dando uma olhada nos comentários. Tinham apenas 15 na primeira página. Mas tinham 175 comentários no total. Pensei: ‘Vou apenas percorrer todos eles’. O dele era o último lá, o que significa que foi um dos primeiros a ser postado. Assim que eu li, fui imediatamente aos números da ASP e vi que aquele cara estava totalmente certo”, revela.
Outro assunto abordado na entrevista com Slater é sobre a sua aposentadoria. A hora certa de parar é um grande dilema na carreira do surfista. Ser lembrado para a eternidade como atleta imbatível ou enfrentar adversários bem mais novos por mais alguns recordes no currículo?
O surfista da Flórida já vive essa situação há algumas temporadas, mas sempre preferiu arriscar pela segunda opção. Desta vez, o norte-americano confessa que não sabe mesmo o que fazer e sabe que está cada vez mais próximo de pendurar a lycra.
“Minha cabeça esteve nas competições por tanto tempo, que talvez eu não saiba como parar. Talvez eu precise fazer terapia. Uma vez que eu comece a ganhar, se eu escolher não continuar, eu deixo passar a oportunidade de conquistar algo que nunca conquistei. Mas estou muito feliz agora. Estou satisfeito com o lugar que estou agora”, desabafa.
Kelly também não se cansa de quebrar recordes e acompanhou a evolução do esporte ao longo dos 17 anos em que competiu o circuito integralmente, de 1992 a 2011 (parou de 1999 a 2001). Mas enxerga uma diferença nesta nova geração.
“Eles já são ambiciosos e motivados, quando há tempos atrás, nós tínhamos uma situação engraçada, uma mistura de caras que lutavam contra si mesmos para saber se queriam competir ou serem free surfers. Esses caras, com menos de 20 anos, sabem exatamente que eles querem ser: surfistas de competição, então eles tem muito mais foco quando eles competem”, diz.
Clique aqui para ver a entrevista na íntegra no site da ESPN Brasil.