A quinta-feira amanheceu com sol entre as nuvens e pouco vento em Maui, Hawaii. As ondas aumentaram durante a noite.
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Ainda na parte da manhã, Jorge Pacelli, Dê da Barra e eu descemos o “Pineacle Field” para checar as ondas em Peahi, também conhecida como Jaws.
As séries estavam demoradas, com 15 a 18 pés plus e sem ninguém na água! Se a previsão da bóia se confirmasse, como ocorria até o momento, o mar aumentaria ainda mais à tarde.
Então, fizemos algumas ligações (cinegrafista, fotógrafo, jet de apoio) e resolvemos nos encontrar na rampa de Malico às 14:30 horas com destino a Jaws.
Às 15 horas chegamos em Peahi. Alfredo Vilas-Boas e seu parceiro Kaleu Amadeu já estavam de cabeça feita e deixavam o pico.
Graças ao campeonato de tow-in que rolava em Oahu, poucas duplas compartilhavam as grandes e belas ondas. Logo, Jorge Pacelli começou a surfar rebocado pelo amigo argentino Kim.
Pacelli pegou altas com seu estilo tradicional e sereno, indo no crítico e rasgando forte. Deu aula! Caí logo na seqüência. A cada onda ganhava mais confiança e ia cada vez mais deep. No entanto, aí mora o perigo.
A maioria dos acidentes ocorre quando o atleta se sente seguro e confiante. Em minha quinta ou sexta onda, Jaws me deu um corretivo por estar tão abusado. Dê da Barra me rebocava em mais uma da série.
Soltei o cabo e fui para a esquerda para ficar bem no pico. “Quando o vi indo tão deep, tratei de me posicionar bem, pois sabia que havia chances de rolar um resgate”, recorda Dê.
Virei para a direita e me deparei com uma muralha armada pronta para desabar. Desci e cavei acelerando ao máximo. Senti o lip explodindo atrás de mim, agachei e tentei acelerar mais. Senti um segundo estrondo, fui engolido pela espuma, tentei segurar, mas percebi que não ia passar.
Então, mergulhei. Não penetrei na água tamanha velocidade que estava, dando um mortal para frente e “quicando” literalmente. Quando ultrapassei a água, senti o lip batendo em cheio na lateral do meu joelho. Uma dor absurda!
A partir daí, começou o caldo de verdade. Rolei com a onda para baixo. A força dela era tanta que quase arrancou meu colete. Me machuquei feio e tive que ficar no canal vendo meus amigos pegando altas. É provável que a temporada tenha acabado para mim.
Mas, agradeço mesmo assim e considero essa experiência um aprendizado. Do canal, entre uma onda e outra apreciava um belíssimo pôr-do-sol. Uma hora, vi uma bomba de respeito se aproximando, uma das maiores do dia. Pacelli vinha nela rebocando Dê da Barra que foi para esquerda, totalmente deep.
Achei que ele tomaria uma ?lipada? como eu. Mas, Dê mostrou técnica, colocou no trilho e acelerou. Vi uma das cenas mais belas da temporada. Um lip monstro jogando longe, formando um tubo descomunal com Dê no meio correndo para sobreviver.
Quando saiu ileso no canal, agradeci a Deus por ele. Todos pegamos altas, e apesar do meu acidente, estávamos numa vibe muito boa.

