
Na última sexta feira (04/04), a mancha tóxica gerada pelo vazamento de resíduos da Indústria de Papel Cataguases Ltda, situada em Minas Gerais, chegou ao litoral norte fluminense.
No dia 30 de março, ocorreu o rompimento de um reservatório que continha resíduos tóxicos (uma mistura de soda cáustica, enxofre, chumbo, sultefo de sódio, antraquinona e diversas outras substâncias).
A barragem já vinha vazando desde o dia 20, sem que as autoridades tivessem sido informadas. Cerca de 1,2 bilhão de litros vazaram e escorreram até o córrego Cágado, se alastrando para o Rio Pombas, e deste para o Rio Paraíba do Sul, que deságua no mar.
O acidente está sendo considerado um dos maiores desastres ambientais já ocorridos no Brasil. Devido à contaminação das águas, a captação e o fornecimento de água tiveram de ser suspensos em oito cidades situadas no norte-noroeste do Rio de Janeiro, afetando uma população de aproximadamente 500 mil pessoas.
A mancha tóxica está causando extensiva mortandade de peixes, camarões, lagostas e outros organismos aquáticos. Algumas fontes mencionam a possibilidade de toda a fauna ter sido eliminada nos rios afetados. Além disso, animais que bebem a água do rio estão morrendo, situação que inclui tanto a fauna silvestre (cobras, lontras, pássaros, etc) como bois, cavalos e outros animais criados nas diversas fazendas cortadas pelos rios.
No mar, a poluição está afetando a praia de Atafona, no munícipio de São João da Barra, onde o Paraíba do Sul deságua. Na sexta feira (04/04) à tarde, a mancha já atingia 10 km ao longo da orla e 20 km no alto mar, e movia-se para sul, na direção de Macaé.
Porém, com a passagem de um ciclone ao largo da costa sul-sudeste a partir de segunda feira, espera-se que as correntes se alteram e a mancha se espalhe na direção do litoral capixaba.

Segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, somente a interrupção no abastecimento de água está causando um prejuízo de R$ 300 mil por dia, sem contar os prejuízos causados à pesca, turismo e serviços.
Além disso, os órgãos ambientais também informam que o banho nas águas contaminadas deve ser evitado, e que vapores tóxicos poderão ser exalados a partir da água dos rios e do mar. Levantamento preliminar estima que levará pelo menos 10 anos para as regiões atingidas possam se recuperar.
Para complicar a situação, um outro dique contendo 700 milhões de litros de resíduos tóxicos, pertencente à Cataguases, apresenta danos e pode se romper a qualquer momento.
A empresa foi multada em R$ 50 milhões e a prisão dos seus proprietários já foi decretada, porém os sócios estão foragidos. O acidente poderia ter sido evitado se algumas regras básicas tivessem sido seguidas.
Há anos a empresa operava sem cumprir todas as recomendações ambientais e sem administrar de modo correto o passivo ambiental (caracterizado pelos resíduos tóxicos), o que poderia ter sido feito com apoio de uma empresa de consultoria especializada.
Também não avisaram as autoridades sobre o problema quando ele começou, dez dias antes. Além disso, os órgãos ambientais também pecaram, tanto no que diz respeito à fiscalização quanto na orientação de procedimentos técnicos para a empresa.

O resultado está aí, e é bom lembrar que bombas relógio como essa existem aos montes em nosso país, prontas para serem detonadas. Enquanto persistir a mentalidade do lucro fácil e imediato não podemos esperar mudanças.
Nota da redação: Na manhã desta segunda (07/04), o diretor-administrativo da Cataguazes Celulose, Félix Santana, foi preso por agentes da Polícia Federal, em São Paulo. Ele será transferido ainda hoje para a divisão da PF na cidade de Campos, no Norte do Rio de Janeiro.
Outra boa notícia é que os dias de falta d’água nas regiões Norte e Noroeste Fluminense podem estar contados. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) dá início hoje à captação e ao tratamento da água do rio Pomba.
“Somente a água tratada será liberada, se tudo ocorrer conforme planejamos”, frisou Rosinha Matheus, governadora do Rio, em reportagem publicada hoje no portal Terra. Ainda segundo a matéria, ontem, contrariando as expectativas das autoridades ambientais capixabas, os resíduos tóxicos atingiram uma área de aproximadamente dez quilômetros de Presidente Kennedy, no extremo Sul do Espírito Santo.