
O mundo no Brasil é dividido entre a favela e o asfalto. Esse enorme contraste sócio-econômico provocado por anos de política pró-ignorância, incentivado por governos estrategistas, que tiram vantagem desta ignorância.
Na verdade para ser bandido, não é preciso estar na favela. Existem os piores, vestidos de terno e gravata, e com um enorme poder nas mãos, usado para roubar o povo e minar o país.
Para quem surfa, no outside você faz amizades com todas as classes sociais. Existem os periculosos na favela, porém também tem a turma dos ‘sangue-bão’, aqueles que convivem com o crime, não participam, são respeitados e sabem que a morte é rápida pra quem se aventura nesse caminho.

Graças ao surf, a cultura e o social se misturam, evoluindo o espírito dos mais ‘desafortunados’ e fazendo pisar na terra os mais ‘fortunados’.
Muitas pessoas foram salvas pelo surf, nos dois extremos. Alguns brasileiros de família humilde conseguiram conquistar um espaço, dinheiro, casa própria, carro e um status no sistema, graças ao talento e ao caminho percorrido da maneira correta.
Outros que poderiam ser mais um ‘olho-grande’, ladrão de colarinho branco da alta sociedade ou celebridade arrogante, encontraram nas ondas o verdadeiro valor da vida, tornando-se pessoas mais maneiras.
Enfim, surfar transforma os valores comuns e o principal deles é a integridade do ser, a pureza da alma e a vibração boa, amarradão e sem recalques maiores.
Dando muitas risadas, resolvi pôr no papel alguns termos do dialeto da malandragem que aprendi com meus brothers aqui na área.
Peita = camiseta
Beca = bermuda
Lupa = óculos
Bombeta = boné
Dala = corrente de prata ou ouro
Pegar o beco = ir embora
Asfalto = fora da favela [ou do morro]
Ladrão = cumpadre [cumprimento dos mais cabulosos]
Talarico = azarar mulher do outro
Do surf = legal, maneiro
Tá ligado? = você entendeu ?
Passar fogo = transar
Concha = parceiro
Moado = cansado
Pipoca = vacilão
Fraude = sem qualidade
Finado = falecido
Subir o gás = morrer
Pá Caraio = bastante, muito
Pobrema = problema