Achei interessante começar este texto contando um pouco sobre a história das ilhas Galápagos.
Uma vez nas ilhas, fiquei impressionado com um texto que li no museu Charles Darwin, localizado na ilha de San Cristobal.
Datado de março de 1535, ele relata a passagem do Frei Tomás de Bergala, enviado pela coroa espanhola e que sem querer foi parar nas desconhecidas ilhas Galápagos.
“Após sete dias de ótimos ventos, o navio fez um bom progresso em nossa jornada (seu objetivo era a atual Colômbia). Porém, depois de alguns dias de calmaria, o navio acabou por ser arrastado por fortíssimas correntes e em uma quarta-feira, 10 de março de 1535, nós avistamos uma ilha, e desde que o navio tinha água suficiente somente para mais dois dias, foi concordado em colocar um barco na água para buscar água para os tripulantes e grama para os cavalos, porém, uma vez em terra, nada mais foi achado a não ser lobos-marinhos, tartarugas e galápagos (que são essas tartarugas gigantes de centenas de anos), algumas tão grandes que poderiam facilmente carregar um homem em suas costas, além de iguanas que são como serpentes. Na segunda ilha que aportamos, encontramos as mesmas condições encontradas na primeira, muitos lobos-marinhos, tartarugas, iguanas, galápagos e alguns pássaros que são como os que temos nas Espanha, porém tão bobos que alguns deles não sabem como voar e às vezes são facilmente pegos com as próprias mãos.”
Quase 500 anos depois, com exceção das quase extintas tartarugas, as ilhas ainda apresentam uma paisagem exótica, com animais por todos os lados, árvores espinhosas e secas e centenas de leões-marinhos.
Como na última matéria eu falei um pouco da onda de El Canhon, desta vez vou contar sobre a onda de Punta Carola.
De acordo com todos os websites que vimos, era necessária uma grande ondulação de Norte para fazer quebrar aquelas direitas longas e perfeitas que vimos nas fotos. Tínhamos 15 dias e, mesmo sendo início da temporada, sabíamos que a chance existia.
Fielmente checávamos todos os dias como estava Punta Carola, na esperança que ela acordasse do sono profundo em que se encontrava. Quem não conhece, para chegar até a praia de Carola você precisa ir até a ponta direita da baía (olhando para o mar) e pegar uma pequena trilha até a praia (existem algumas placas), porém do próprio porto é possível ver a onda a olho nu.
Mesmo assim um binóculo é altamente recomendado para avistar as ondas de qualquer lugar da ilha.
Muitas vezes, quando vista de longe, parece bem melhor do que ela realmente está. Isso sem falar que precisa de um swell grande e forte, senão as séries demoram muito.
Outro ponto importante é o vento. Durante os 15 dias que estivemos lá em novembro, o vento Sul soprou constantemente todos os dias. Este vento entra meio pelo lado em Carola, fazendo a onda segurar um pouco o lip, porém deixando as seções muito longas e às vezes impossíveis de serem surfadas. Sem vento ela deve ser algo comparável aos melhores points breaks do mundo, sem dúvidas!
Além de ser rápida e quebrar sobre uma bancada rasa de pedras, a primeira seção que começa bem em frente ao “farol” pode ser um pesadelo caso você não consiga passá-la. Como resultado, é bem provável que você tome o restante da série sobre as pedras rasas da bancada.
Por este motivo, a maioria das pessoas fica mais para o meio da praia, abrindo mão desta seção mais veloz que, mesmo assim, ainda oferece uma longa e rápida parede com algumas placas jogando bem longe e propiciando bons tubos.
O visual ali no final de tarde é muito bonito. O sol se põe ao fundo deixando as ondas com um tom avermelhando, sem falar no visual do “farol” e da praia de Carola cheia de leões-marinhos e vegetação abundante.
Não pegamos as melhores ondas da viagem ali, mas nos divertimos alguns dias sozinhos no outside com boas ondas e na companhia dos leões-marinhos.
Para obter mais informações sobre o trabalho do fotógrafo Leonardo Spencer, acesse o site Around The World.
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