
Se existe alguém que acompanhou de perto o nascimento de uma das principais gerações de surfistas do mundo, essa pessoa é o aclamado diretor de filmes californiano Taylor Steele.
Aos 33 anos, a carreira de Taylor como videomaker profissional nasceu e evoluiu na mesma velocidade que a de seus amigos, entre eles Kelly Slater, Rob Machado, Shane Dorian, Ross Williams e Taylor Knox, para citar somente alguns.
Natural de Solana Beach, onde ainda reside, e à frente da Poor Specimen, produtora responsável pela maioria de seus filmes, Taylor começou a se interessar pelo assunto ainda garoto, aos 15 anos.

Um ano depois ele finalizava sua primeira produção, o caseiro ?Seaside?, que nem chegou a ser vendido e ficou nas mãos da galera local de Solana Beach. No ano seguinte, em 89, ele deu continuidade à obra.
Dessa vez, porém, ?Seaside and Beyond? foi eleito o vídeo do ano pela Torrey Pines High School e colocado à venda em uma surf-shop local. Em 91, Taylor produziu ?One Step Beyond? e investiu na venda de mil cópias.
As fitas foram distribuídas por toda a costa da Califórnia, mas apenas alguns exemplares foram vendidos. No entanto, foi o suficiente para que ele juntasse dinheiro para seguir em frente na carreira.
Comprou uma câmera nova e uma Van antiga onde passou a morar e se mudou para o North Shore de Oahu, Hawaii, mais precisamente para Pipeline, exclusivamente para filmar.
Depois de conhecer o surfista Benji Weatherley, Steele foi morar com ele e passou a conviver e a filmar seus amigos, justamente Slater, Machado, Williams, Dorian, entre outros. Nascia a geração Momentum.
O filme de mesmo nome ganhou destaque no mundo do surf e revolucionou o segmento de vídeos, com uma abordagem radical, trilha sonora punk e dinâmica e uma nova geração de surfistas com uma nova maneira de atacar as ondas.
O título mundial conquistado por Kelly Slater em 92, aos 20 anos de idade, provou ao mundo que a geração Momentum era real e veio para ficar. Em meados de 93 sai ?Momentum II?, com direito a exibição seguida de shows, estratégia de lançamento que viria a se tornar marca registrada da Poor Specimen.
Em 94 sai outro clássico, ?Focus?. No ano seguinte mais um, ?Good Times?. Em 97 Rob Machado assina sua primeira produção em parceria com Steele, ?Drifting?. Em 98 é lançado ?The Show? e em 99 ?Loose Change?, primeira produção em DVD.
No ano 2000 o filme ?Hit and Run? surpreende ao ser o primeiro – e único até hoje – filmado em HDV (high definition video). Um ano depois outro clássico chega ao mercado, ?Shelter?, que se torna um cult.
Em meados de 2001 o filme ?Momentum Under the Influence? encerra a trilogia e revela ao mundo uma nova geração de surfistas com menos de 23 anos: Joel Parkinson, Taj Burrow, Dean Morrison, Mick Fanning e Andy Irons, além de ser o primeiro filme com três opções de trilha: original, punk e eletrônica.
Em 2002 Taylor lança a série ?Drive Thru?, começando pela Califórnia, e sai na capa da revista Surfer como uma das 25 pessoas mais influentes no mundo do surf. Em seguida a revista australiana Waves Magazine o elege um dos 10 mais influentes do meio.
Em 2003 é lançado ?Campaign?, que passou a ser o filme mais vendido entre todos produzidos pela Poor Specimen. E em 2005 ?Campaign 2? chega como uma das principais produções do ano, com participação do carioca Marcos Sifu.
Nesta entrevista exclusiva, concedida por e-mail ao videomaker carioca Tiago Garcia, Taylor Steele fala sobre pirataria no Brasil e afirma que o mercado de vídeos brasileiro é um terreno fértil para novas produções.
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Depois de 15 anos produzindo vídeos, qual é sua principal motivação para encarar um novo projeto?
Minha maior motivação é simplesmente melhorar cada vez mais. Sinto que atingi somente 80% da minha capacidade como videomaker e ainda quero fazer algo que deixe as pessoas estarrecidas.
Como surgem as idéias para suas produções, você costuma criar sozinho ou junto com os membros da Poor Specimen?
Eu não sei. Apenas penso muito a respeito e procuro assistir a muitos videoclipes e filmes em geral.

Em Campaign 2, Marcos Sifu foi o primeiro brasileiro a ter destaque em seus filmes. Podemos esperar mais surfistas do Brasil nos próximos projetos?
Claro, podem esperar mais brasileiros. Marcos arrebentou com aquela manobra (Sifu executa um kerrupt perfeito na abertura de Campaign 2) e mereceu o destaque na abertura do filme. Mostrei a onda ao Jamie O?Brian e ele ficou chocado. Quis assistir de novo na mesma hora.
Já faz alguns anos que seus filmes não são distribuídos no Brasil. Você pretende voltar a vender aqui?
Eu espero que sim. O problema é a dificuldade de concorrer com a pirataria. Mas acredito que mais cedo ou mais tarde alguém vá assumir essa responsabilidade. Preciso de uma boa empresa de distribuição para isso. Eu adoro a paixão do brasileiro pelo surf e tive ótimos momentos no seu país quando estive aí.
O mercado de vídeos no Brasil cresceu bastante nos últimos anos. Você viu algum dos vídeos feitos aqui? O que achou?
Tenho assistido a muitos vídeos brasileiros e muitos são excelentes. Os trabalhos de Rafael Mellin estão entre meus favoritos, mas existem muitos outros. O futuro é muito promissor para os videomakers brasileiros.
Você já foi considerado uma das pessoas mais influentes do meio pela Surfer norte-americana e pela Waves Magazine australiana. Acha que isso se deve ao fato de ter revelado para o mundo nomes como Slater, Machado, Dorian e outros?
Foi uma grande honra ter recebido essas homenagens, mas minha carreira deslanchou porque eu estava no lugar certo e trabalhei duro. Muitos outros profissionais poderiam ter feito os filmes que eu fiz se tivessem trabalhado com esses caras. Tenho a convicção que sempre fiz por merecer.
Quanto você gasta em média num projeto? E como avalia o apoio das empresas e marcas envolvidas?
Eu não falo sobre meus orçamentos. As empresas estão ajudando cada vez mais a cada ano enviando os atletas em minhas viagens. As coisas estão ficando mais fáceis.
Poderia falar sobre os projetos em andamento da Poor Specimen e os planos para o futuro?
O projeto que estou finalizando no momento se chama ?Sipping Jetstreams? e aborda o espírito das viagens e dos lugares exóticos. Viajamos para o Egito, China, Japão, Hong Kong, Cuba, Barbados, Itália e Marrocos. Não é meu estilo de filme, é mais voltado para o sentimento do que para a ação. E para 2007 tenho dois filmes em vista. Um com Joel Parkinson, Taj Burrow e Andy Irons em sessões malucas de free-surf pelo mundo. E o outro irá mostrar o supra-sumo do surf performance. No estilo de Campaign 2, mas não será o Campaign 3. Não gosto de fazer trilogias.
Como você avalia a evolução do mercado de vídeos desde que começou a carreira até hoje e o que espera para o futuro?
Quando comecei o mercado era muito pequeno e limitado a poucos estilos. Havia apenas produtoras de vídeos. Hoje há uma grande variedade de filmes independentes muito bons. Está começando a ser como uma loja de discos, com opções e estilos para todos os gostos.