Capixaba Magno Oliveira Passos, canceriano de 23 anos, foi grata surpresa no final do tour mundial 2006. Maguinho mostrou sua técnica e chegou até a final do Maui Pro, penúltima etapa do tour mundial, realizada no Hawaii em dezembro de 2006.
Guerreiro capixaba meteu o pé na estrada e mergulhou de cabeça no tour mundial 2007 e os resultados estão aparecendo. Não conseguiu uma boa colocação em Shark Island mas manteve a cabeça erguida e partiu rumo missão chilena.
Conseguiu em El Gringo apenas a nona colocação, mas marcou território tornando-se o carrasco do campeão mundial Jeff Hubbard na etapa.
Em Portugal, Maguinho integrou a tropa de elite brasileira e, com o
vice-campeonato, figura na quarta posição do ranking mundial 2007 e tem grandes chances de conquistar o inédito título mundial. Confira um pouco da história de Maguinho, um bodyboarder com coração de leão.
Quanto tempo pega onda de bodyboard?
Comecei a pegar onda há uns 13 anos, por influência do meu irmão e amigos da rua, quase todos da galera são bodyboarders.
Quais seus picos preferidos e como definiria sua linha de onda?
Sou local da praia do Morro, em Guarapari (ES). Fica há dois minutos da minha casa, indo andando. Mas posso me considerar local de quase todas as praias aqui em Guarapari. As que treino com mais frequência são a praia do Morro, Setibão, e Nova Guarapari (Perninha).
Mas meus picos preferidos são as lajes, desde o Bin Laden e Underground, que são boas direitas, até o Bolha e El Rasgadon, que são esquerdas. O pico do Além também é alucinante. Não sei como definir minha linha de onda, mas gosto muito de estilo clássico e fluído com um mix de radical.
Quem mais influenciou seu estilo?
Dois bodyboarders influenciaram muito no meu estilo. São dois companheiros e idolos locais, Renato Almeida e Jackson Siqueira. Em nível mundial gosto de GT, Mike Stewart e o aussie Ryan Hardy.
Qual seu nível de dedicação ao bodyboard e quais foram os resultados mais expressivos de sua carreira?
Dedico 50% do meu dia ao bodyboard, dividido, é claro, em dentro e fora da água. Minha rotina é bastante regrada e combino bastante treinamento com descanso. Os resultados mais expressivos foram os obtidos recentemente no tour mundial, quarto na etapa de Maui, Hawai (2006) e vice-campeão em Sintra, Portugal.
De todas trips que fez, qual foi a melhor?
É dificil apontar a melhor, todas são muito marcantes. Cada uma tem uma magia própria. Mas teve uma, bem recente, onde fiquei me sentindo como se estivesse em casa. Foi o período que fiquei em West Australia. Muita onda boa e terral quase diariamente.
Onde será sua próxima aventura e como você paga essas viagens de sonho?
O objetivo para 2008 é conhecer o Tahiti, na Polinésia francesa. As viagens consigo pagar parte delas com cotas dos patrocinadores e grande parte com trabalho extra-bodyboard.
Faça uma lista dos top cinco melhores bodyboarders do Espírito Santo, Brasil e mundo.
É muito dificil apontar apenas cinca, mas lá vai. Espírito Santo: Tiago Freire, Leo Costa, Anderson de Sousa, Lucas Nogueira e Paulo Roberto. Brasil: José Otávio, Roberto Bruno, Guilherme Corrêa, Luis Villar e Uri Valadão. Mundo: Tâmega, Mike Stewart, Jeff Hubbard, Ryan Hardy e Ben Player.
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Aponte seus pontos fracos e suas qualidades dentro do esporte?
Pontos fracos são onda pequena ou muito grande, mas minha maior qualidade é a segurança em ondas tubulares.
Como foi a trip para Austrália? E Shark Island?
Austrália foi muito aprendizado e treinamento. Estilo Rocky Balboa, preparação no frio congelante. Foi uma nova maneira de pensar e viver o bodyboard. Shark Island, é uma onda muito dificil por ser imprevisível. Pode tanto ser uma fechadeira quanto a onda da sua vida.
Comente o Arica Chilean Challenge etapa chilena do tour mundial.
Chile é muito bom! Depois de Pipeline, é a etapa mais alucinante do
tour. Certeza de onda boa e muito tubo numa rasa bancada de pedra. Esse ano encarei a pedreira logo na primeira disputa contra Jeff Hubbard e Pierre Louis Costes.
Eu sabia que seria necessário extrapolar limites para fazer diferença e vencer. O havaiano Jeff Hubbard foi campeão dos dois últimos anos no Chile. Pierre era, até então, destaque da etapa, e Igor Sanches um ótimo bodyboarder de Canárias.
Graças a Deus as ondas vieram e consegui me sair bem. Comecei a bateria meio nervoso mas fui acalmando aos poucos e esperando por aquela onda gigante e boa. Deus mandou ela ?prus mininus?, e aí foi só comemorar. Na bateria seguinte, perdi para o francês Pierre. Peguei bem, mas não o suficiente pra me classificar. Fiquei em nono.
E como foi a final verde e amarela em Sintra, Portugal com tantos nomes fortes presentes?
Estava muito conectado e concentrado nessas etapas do tour mundial que rolaram no mês de agosto. Confiante que faria alguma final. Sintra foi perfeito, praia lotada, sol, altas ondinhas e um bom dindin no bolso. Na real, foi festa do inicio ao fim.
Conte um pouco sobre os acidentes em algumas das mais perigosas bancadas do mundo.
Nesses quase 11 meses de viagem, tive dois acidentes sérios. No primeiro, acabava de chegar no Hawaii e era o meu terceiro dia fora de casa. Tomei uma bomba na cabeça, tentando varar a arrebentação por Backdoor e fui jogado direto com as pernas no coral, tomei 36 pontos 15 internos e 21 externos.
Resultado: três semanas de molho. O segundo acidente foi em North Point, em Margareth River, Australia. Aterrissando de um aéreo, bati a boca na prancha. Quebrei alguns dentes e outros ficaram moles, mas agora tô em casa e tá tudo na boa.
Como é estar ao lado de seus ídolos?
Muito bom estar competindo com eles, em igualdade de condições. Lembro como se fosse ontem, eu era um moleque e viajei para o Rio de Janeiro para ver os caras competirem na etapa do mundial e pegar autógrafos. Hoje, estou no meio deles e dando um gás. Mike Stewart é um cara muito do bem. Vibe boa pra caramba. É muito bom e inspirante ver o Mr. Pipeline de volta ao tour.
E a emoção de chegar em casa após longa viagem?
Rever a familia e os amigos depois de todo esse tempo é muito energizante. Ainda mais sabendo que o dever foi cumprido acima do esperado por muitos. A cada meia hora chega um amigo em casa pra me ver. Minha familia aqui no Espírito Santo é demais. Muita paz!
Como você vê a ausência de Ryan Hardy e Guilherme Tâmega no circuito mundial 2007?
Os dois dão mais brilho a qualquer evento que participem. Com certeza o esporte sente falta deles. Cada um deles tem o seu motivo e acredito que estarão de volta, com todo gás, em 2008.
Qual a mensagem pros leitores do WavesBB?
?Conhecereis a verdade e a verdade vos libertara?, Jó 8:32?. Isso resume bem a minha mensagem. Procurem viver a realidade ao máximo no dia-a-dia e sempre tendo em mente um objetivo maior à cumprir, deixando de lado as fantasias do mundo.


