
Luisma Iturria nasceu para surfar. Desde que subiu numa prancha pela primeira vez, mostrou um talento incrível. Pouco a pouco, acompanhando a constante evolução do surfe uruguaio, começou a se transformar no melhor surfista daquele pequeno país.
A partir dos 15 anos começou a viajar todas as temporadas de inverno em busca de ondas perfeitas, que aperfeiçoassem seu estilo e destreza.
Lugares como Costa Rica, México, Indonésia, África do Sul, Brasil, Austrália, Chile, Argentina, entre outros tornaram Luisma um surfista incrivelmente completo e fluido.
Aos 16 anos, ficou em 13º lugar no WQS Reef Classic do Uruguai. Logo correu as etapas em Florianópolis e Mar del Plata. Ainda com 16, também ficou em nono nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Aos 17, foi campeão uruguaio Júnior e Open.
No ano seguinte, repetiu a façanha na categoria Júnior, além de ter feito parte inúmeras vezes da seleção uruguaia de surfe. Em 2002, venceu o primeiro circuito uruguaio com premiação em dólares, chamado Super Surf Uruguay.
No final do ano passado, Luisma ficou mundialmente conhecido quando as revistas internacionais Transworld Surf e Australia’s Surfing Life publicaram uma foto sua decolando em uma onda realmente pesada em Ombak Tujuh, Indonésia.
Saiba mais sobre este grande expoente sul-americano que luta contra a recessão e os problemas do terceiro mundo para tentar se dar bem no competitivo mundo do surfe.

Como foi seu primeiro contato com o surfe?
Foi ao 11 anos, na praia com minha família, como qualquer menino brincando com uma prancha. Depois comecei a fazer bodyboard com mais freqüência e sempre acabava ficando em pé. Depois de quase um ano, um amigo me emprestou sua prancha e fiquei em pé com facilidade.
Quando você se deu conta que o surf poderia ser sua profissão?
Foi há cerca de cinco anos, quando comecei a viajar a outros países e surfar boas ondas. Teve um ano em que fui a Puerto Escondido, México, e peguei ondas incríveis. Naquela época, o surfe estava evoluindo e havia cada vez mais campeonatos. Os dirigentes de uma marca de roupa de borracha local, a Flesh, me disseram durante um campeonato que se eu ganhasse iriam me patrocinar. Ganhei o evento e meu primeiro patrocínio. Depois, chegou a marca Reef ao Uruguai e eles também começaram a me patrocinar. No segundo WQS que rolou aqui, em 97, eu tinha 17 anos e consegui ficar em 13º lugar, e nos campeonatos nacionais comecei a ir muito bem.
Quem te influenciou mais?
Quem mais influenciou foi José Pedro Pereira – campeão Uruguaio em 1994 – porque me levava para surfar junto com ele, me ajudava e me aconselhava. Ele é um dos melhores do Uruguai.

Quais as vantagens e desvantagens do seu surfe?
Eu tento ser o mais completo possível, combinando o clássico com o moderno. Mas ainda tenho muito o que aprender em ondas maiores e em competições de níveis mais altos.
Você prefere enterrar a borda ou tirar as quilhas?
Gosto das duas coisas, depende da onda.
Quais teus planos para este ano?
Vou para a Europa, tentar competir o máximo possível e arranjar um bom patrocinador. Vou ficar por lá uns seis meses ou mais, caso necessário.
Quem considera o melhor e a melhor surfista do mundo?
Kelly Slater e Sofia Mulanovich.

Como é a vida de um surfista uruguaio?
Por um lado é boa, por aqui não ter muito crowd. O ruim é que não temos muitos fundos nem muita consistência de ondas. Mas quando elas entram é fenomenal, como nos últimos meses – março, abril e maio. Nesta época entram bons swells em nossa costa, e surfar ondas perfeitas em casa é alucinante. Outro problema é que em alguns lugares aqui existe um certo localismo. Tem muito surfista de Montevidéu e tem caras daqui e de Rocha que não gostam que eles venham. Por mim, tudo bem.
Quem foi o melhor surfista uruguaio da história?
José Pedro Pereira.
E o melhor surfista latino?
Neco Padaratz.
Qual a melhor onda do Uruguai?
Com um bom swell podem ser muitas, como La Pedrera (Rocha), a boca da Barra (Maldonado), Montoya (Maldonado) etc.
Quando e onde você pegou as melhores ondas no Uruguai?
Faz pouco tempo, em Rocha, num lugar secreto. Não posso dizer onde. Mas te digo que estava incrível, não deixava nada a desejar a qualquer lugar do mundo.

Quando e onde você surfou as maiores ondas da sua vida?
Foi em julho de 2002, em West Java, Ombak Tujuh, Indonésia. Estava grande e espetacular. Minha 7’2″ ficou pequena para as ondas. Estava na companhia de Jaime Stearling, Rusty Long e Made Adi Putra, além do fotógrafo Darren Hump e o videomaker Alex Berger. Quando chegamos, ficamos chocados: estava enorme. Peguei as maiores ondas da minha vida e também tomei as porradas mais extraordinárias. Depois de uns meses, um amigo chegou com as revistas Surfing Life e Transworld com fotos minhas, foi inacreditável.
Quais foram os lugares que mais marcaram?
Os melhores lugares do mundo que já estive foram ilhas Mentawaii e Austrália. Fui as Mentawaii no barco de um amigo que conheci na própria Indonésia. Éramos todos amigos e fomos para onde quisemos. Pegamos Hollow Trees grande e perfeita e diversas outras ondas incríveis. Ficamos 45 dias navegando por toda a Indonésia. Na Austrália, surfamos em Queensland, Kirra, Snappers e Burleigh e também na costa oeste. Lugares incríveis, com ondas mais incríveis ainda.