O shaper português Luís Filipe Bento, mais conhecido como Lufi, esteve no Brasil no mês de janeiro, onde preparou um lote de pranchas de longboard para ser vendido no país.
Aos 44 anos – 23 deles dedicados à fabricação dos pranchões – o dono da marca Lufi Surf Co já trabalhou com os maiores nomes da atualidade como o campeão mundial Duane DeSoto e o multicampeão inglês Ben Skinner.
Ao todo são 50 pranchas, produzidas na loja paulistana Beco do Longboard. Em fase de laminação, elas estarão à venda em breve para todo o país.
Entre a confecção de uma prancha e outra, Lufi arranjou uma pausa para conversar com o Waves sobre o desenvolvimento das pranchas de longboard e sua passagem pelo Brasil.
Assim como o desempenho dos longboarders de competição, as pranchas mudaram muito nos últimos anos?
As pranchas mudaram completamente. Hoje em dia os atletas conseguem surfar de longboard como se estivessem de pranchinha. Atletas como Danilo Mullinha, Phil Rajzman, Harley Ingleby, entre muitos outros, usam o long de maneira progressiva. A evolução foi impressionante.
Você também teve que adaptar-se a esta mudança?
Com certeza, estou há mais de duas décadas no mercado e acompanhei esta evolução de perto. Mas me lembro de um campeonato que me marcou como uma mudança. Foi em 2003, com ondas clássicas na praia da Baleia (SP). Naquele dia comecei a sentir a diferença do clássico para o progressivo no desempenho dos atletas dentro da água.
Hoje o long deixou um pouco suas raízes do estilo clássico e é muito mais de manobras modernas. Até o julgamento, analisado 50% a 50% nos dois estilos. Ou seja, em uma mesma onda o surfista tem que mesclar o estilo clássico e o progressivo.
Nós shapers tivemos que acompanhar isso. Antigamente você tinha uma onda de 2 metros e ninguém iria tentar um floater com uma prancha pesada daquela. Hoje elas estão mais leves, com materiais melhores, e vemos até dar aéreos. Algo impensável antigamente. Quem consegue conciliar estas duas coisas, estilo clássico e progressivo, com certeza vai agradar os juízes.
Você fabrica pranchas diferentes cada país que você trabalha?
As pranchas não mudam em qualquer lugar do mundo. O que muda são os detalhes feitos para cada tipo de atleta. Os longboards que produzimos hoje possibilitam surfar a nivel mundial em qualquer pico. O maior exemplo disso é que eu faço pranchas para atletas de todo o mundo há mais de 20 anos. São pranchas de alta performance e iguais para o Brasil, África do Sul, EUA, Europa ou Austrália. Só procuro adaptar a prancha para cada tipo de atleta.
Quais as vantagens do mercado brasileiro em relação aos outros?
Além do momento de crescimento, o Brasil tem muitas vantagens como, por exemplo, calor e umidade. Assim os materias saem melhores. Vocês tem um dos melhores blocos do mundo. Mão-de-obra especializada também é outra vantagem. Na Austrália e Europa é muito difícil achar pessoas que trabalhem exclusivamente com pranchões.
Como é o mercado em Portugal? Há lojas especializadas em longboard na Europa?
É bem menor. Lá em Portugal nós temos 10 milhões de habitantes. Só em São Paulo, por exemplo, existem 17 milhões. Não há comparação. Na Europa também temos lojas especializadas em longboard. É bom porque o atendimento possui bem mais qualidade.
Fale de sua parceria com o Beco do Longboard.
Costumava shapear na fábrica da New Advance para atletas como Danilo Mullinha, Carlos Bahia, entre outros. Mas este ano fiz um acordo com o Renato, que me convenceu a tirar um tempo para vir ao Brasil, com muito gosto, é claro. Vou deixar pelo menos umas 50 pranchas para a galera daqui experimentar.
Qual a sua próxima viagem? Como a galera pode entrar em contato para saber mais sobre o seu trabalho?
No site Lufi – Surf Co. é possível achar todos os meus contatos e as últimas notícias.